7 Apr 2004

How things work


Ou, será que podemos generalizar?

Excerto de reunião (imaginária) entre investidor e dono de grupo de media

Investidor (I): este contrato para utilizarem os espaços da empresa X para publicidade é renovável de um em um ano. Ou seja, podem perder este contrato facilmente, não é?

Dono (D): não, não acreditamos que esse risco exista... É a vantagem de sermos um grupo integrado.

I: como assim?

D: Repare, se a empresa X decidir rescindir o contracto connosco, podemos sempre “arranjar” uma notícia sobre essa empresa para passar nos telejornais. Não me parece que a empresa X queira correr esse risco.

I: Ah, OK. Já percebi…

6 Apr 2004

Lá volto eu...


ao Delgado. Reparem na pérola:


"(...) quem escolheu Bush foram os americanos, que poderão repetir a dose, e conviria não os tomar por idiotas, burros e incapazes. Que tal respeitar, um pouco mais, a maioria dos americanos? Dói? Custa muito? Provoca alergias? "

Parece-me que respeitar a maioria dos americanos era ter o Al Gore na presidência. Lembro-me de ver, no barnabé, um hilariante autocolante de campanha das presidenciais norte-americanas: "Re-defeat Bush in 2004". É só seguirem o link para poderem ver também.

5 Apr 2004

Escolhas


Enquanto estudo, os fins de semana vão passando por mim, sem me darem cavaco. Neste, vi a filha de uma amiga, com apenas duas semanas. Vi o Sol. Falei com amigos. Já sei, já sei, a inveja é uma coisa muito feia. Mas saber isso, não faz com que deixe de me sentir assim, inquieto, irritado, impaciente. Com as minhas escolhas.

2 Apr 2004

Abril




Grande ideia, do Barnabé, em reproduzir os cartazes da revolução de Abril. Porque é importante recordar. Para quem, como eu, nasceu já em liberdade (em pleno verão quente de 75, diga-se) estes cartazes são anacrónicos. Mas, ainda assim, importantíssimos. Para perceber que, sim, o 25 de Abril e o PREC originaram situações ridículas, lesivas para muitas pessoas, com impactos duradouros na sociedade portuguesa. É hoje fácil olhar para trás e perceber isso. Tanto como é injusto,estúpido e redutor avaliar a a revolução dos cravos apenas por esse prisma.

O 25 de Abril terá sempre um carácter político e este não é extirpável. Não podemos transformá-lo em asséptico, higiénico, limpinho, conveniente. O que podemos é, dando aos pormenores a importância que merecem, realçar, falar, ensinar os quatro D's de Abril. Não deixar que eles morram. Porque esses serão sempre actuais.

Democratizar

Descolonizar

Desenvolver

Dinamizar

Retratos


Os voos Lisboa-Porto e Porto-Lisboa são do mais pitoresco que há. Somos tão pequenos, que não existe um voo em que não esteja presente pelo menos um famoso. Ontem, no Porto, tinhamos o José Carlos Malato acompanhado da Sónia Araujo e da Merche (há nomes que sinceramente) Romero. Confesso que descobrir os nomes exigiu alguma investigação.

Mas sentia-se o frissson. Os comentários. As abordagens espontâneas. E o comportamento típico das estrelas wanna-be. Falavam alto. Riam muito. Foram os últimos a entrar no avião. Entre o comportamento do povo e o comportamento das estrelas, venha o diabo e escolha. Triste. Mas, confesso, divertido de observar.

30 Mar 2004

Brilhante


"Aliás, dizem que o próximo filme do Mel Gibson vai ser sobre Joana d'Arc - mas só a parte final, do começo do cozimento até ela ficar pronta. Outro sucesso garantido entre o público religioso."

Luís Fernando Veríssimo, in Expresso 27/03/04. Lê-lo é a única justificação para pagar os €3.

A propósito de tabaco


Ainda alguém se lembra de um texto do MEC sobre o higieno-fascismo, cada vez mais vigente (ver o caso da Irlanda, quanto tempo vai demorar até surgirem outros)? Se o encontrarem, o email está em cima. Obrigado.

Está quase a fazer 10 meses que deixei de fumar. Estou contente por isso. Mas não fumar é uma escolha. Tão legítima como fumar. Se esta merda continua, lá vou ter de voltar a fumar outra vez. Nem que seja só para ter a noção de que a escolha continua a ser minha.

Actualização: lembrei-me de pedir ajuda para encontrar o texto a alguns dos assumidos "pastilhentos" - charlotte, papoila, maradona, mcguffin, agradeço antecipadamente.

29 Mar 2004

maradona (com minúscula)


Voltou. A causa continuará a ser modificada. A re-transformação do Top4 em Top5 segue dentro de momentos.

Já está a cumprir


"Mas porquê este apego provinciano do país aos títulos, ao 'doutor', ao 'engenheiro' e, agora, ao 'excelência'. Porque não «Diga lá, sacana»? Ou então, pela negativa, recordando palavras imortais de João César Monteiro, «Cala-te, boi». "

Pedro Lomba em grande estilo, no Fora do Mundo

Notas do fim-de-semana


A minha avó fez 75 anos. Ver a minha avó tão bem, ao lado do meu avô, é um daqueles sentimentos dúplices. Ao mesmo tempo que me enche de gozo, a apreensão vai também crescendo. Fim de festa?

O Vasco deu os primeiros passos. E fez o tio ficar ainda mais babado

Os outros dois rufias insistiram que eu devia jogar à bola com eles. Resultado: pé-torcido, deverá manter-me afastado dos relvados durante duas a três semanas. É impressionante como as crianças nos convencem a actos da mais absurda estupidez. Primeiro porque nunca soube jogar à bola. Segundo porque a probabilidade de lesão era, sejamos claros, elevada. Apesar de tudo, espero que eles continuem a insistir comigo para ser o mais estupido posível. Só a estupidez me (nos) pode salvar.

Expresso? Notícias? Litlle Couto (como se escreve aqui)? Desconheço. De tristezas só mesmo Sporting 1- Paços 0. Os três pontos já cá cantam. Mas a exibição, senhores....

26 Mar 2004


Wrong target

"The White House is so thin-skinned and defensive, however, that it simply cannot bring itself to join what ought to be a grown-up national conversation of how best to deal with terrorism. Its schoolyard name-calling does no one any good, least of all Mr. Bush, who is made to appear far more interested in undermining Mr. Clarke's credibility than in addressing the heart of his critique."

in NYT, 26/03/2004

Excerto do editorial do New York Times de hoje (sem link, é gratuito mas necessita de registo), com o título "Wrong Target" e sobre o esforço sobre-humano da administração Bush em descredibilizar Richard Clarke.

Dois comentários. O primeiro, a comentar a fina ironia do título. De facto, apenas Bush e os seus perceberão os alvos que tentam atingir. O segundo para estender o comentário "schollyard name-calling" aos grandes defensores da actual administração norte-americana. Quem ainda não conseguiu ultrapassar o "Tudo pela Nação, nada contra a Nação".

25 Mar 2004

Vitória...


moral, claro, do Benfica esta noite. Se tivessem vergonha na cara, os lampiões deviam perder vergonhosamente como fez, e bem, o meu clube contra aqueles turcos com aquele nome que ninguém consegue dizer (e que hoje, a propósito, iam eliminando o Valencia). Enfim, uma vergonha, perpetuar assim uma das piores tradições portuguesas. Já imagino as capas dos jornais desportivos amanhã (quase! heróis! que falta de sorte!). Assim, não vamos a lado nenhum...

Uma homenagem, sentida, a este senhor


A mistura certa (e tão difícil de alcançar) de sabujice, estupidez, ignorância e incapacidade de estar silencioso. Em dose diária. Obrigado, L. Delgado. Os dias são mais divertidos por existires.

24 Mar 2004

Promete


Pela qualidade dos autores. Porque, longe das diferentes visões do mundo, e são bens diferentes da minha, existe o prazer de ler. Sempre esse prazer. Fora do Mundo. Bem vindo.

Era Top5, passa a Top4. Como prometido.


Através de mais um blogue do (agora) top4, o contra-a-corrente, recebo a triste notícia do suicídio do a causa foi modificada. A boa notícia (uf!!) é que o maradona (com minúscula) continua bem e, pelo texto que se pode ler no contra-a-corrente, inspirado. Aliás íssimo. Salve maradona (com minúscula). Obrigado Mcguffin.

23 Mar 2004

Meia idade


Hoje comprei um "scrubing lotion", isto é, um esfoliante. A crise de meia-idade pode começar aos 28 anos?

....

22 Mar 2004

Não há justiça


Um blogueiro cria um top5. Com trabalho. Com esforço. Que há muito por onde escolher. E depois o maradona (com minúscula) faz-me isto. Não há direito. Se a situação não se reverter passa a top4. Lamento, mas ninguém substitui o maradona (com minúscula).

Não percebo


1. Em que é que a transformação do xeque Yassin em mártir vai ajudar o processo de paz entre Israel e a Palestina?

2. Esta ordem, vinda directamente de um conselho de ministros, diz o quê sobre a actuação de Israel como um Estado de Direito e como uma Democracia?

Seja como for, não me parece que o mundo tenha ficado pior depois da morte do xeque Yassin. Já depois da forma como ele foi morto, não tenho muitas dúvidas de que ficou pior.

A esperança de uma forma diferente de lidar com o terrorismo vai-se desvanecendo.

19 Mar 2004

Uma pessoa anda a passear n' A Praia e...


... encontra este artigo (transcrito em baixo) de Paul Krugman. Desde a Faculdade que Krugman é um dos meus favoritos. Pelas ideias sobre economia mas não só.

Taken for a Ride
By PAUL KRUGMAN

Published: March 19, 2004


Either you are with us, or you are with the terrorists." So George Bush declared on Sept. 20, 2001. But what was he saying? Surely he didn't mean that everyone was obliged to support all of his policies, that if you opposed him on anything you were aiding terrorists.

Now we know that he meant just that.

A year ago, President Bush, who had a global mandate to pursue the terrorists responsible for 9/11, went after someone else instead. Most Americans, I suspect, still don't realize how badly this apparent exploitation of the world's good will — and the subsequent failure to find weapons of mass destruction — damaged our credibility. They imagine that only the dastardly French, and now maybe the cowardly Spaniards, doubt our word. But yesterday, according to Agence France-Presse, the president of Poland — which has roughly 2,500 soldiers in Iraq — had this to say: "That they deceived us about the weapons of mass destruction, that's true. We were taken for a ride."

This is the context for last weekend's election upset in Spain, where the Aznar government had taken the country into Iraq against the wishes of 90 percent of the public. Spanish voters weren't intimidated by the terrorist bombings — they turned on a ruling party they didn't trust. When the government rushed to blame the wrong people for the attack, tried to suppress growing evidence to the contrary and used its control over state television and radio both to push its false accusation and to play down antigovernment protests, it reminded people of the broader lies about the war.

By voting for a new government, in other words, the Spaniards were enforcing the accountability that is the essence of democracy. But in the world according to Mr. Bush's supporters, anyone who demands accountability is on the side of the evildoers. According to Dennis Hastert, the speaker of the House, the Spanish people "had a huge terrorist attack within their country and they chose to change their government and to, in a sense, appease terrorists."

So there you have it. A country's ruling party leads the nation into a war fought on false pretenses, fails to protect the nation from terrorists and engages in a cover-up when a terrorist attack does occur. But its electoral defeat isn't democracy at work; it's a victory for the terrorists.

Notice, by the way, that Spain's prime minister-elect insists that he intends to fight terrorism. He has even said that his country's forces could remain in Iraq if they were placed under U.N. control. So if the Bush administration were really concerned about maintaining a united front against terrorism, all it would have to do is drop its my-way-or-the-highway approach. But it won't.

For these denunciations of Spain, while counterproductive when viewed as foreign policy, serve a crucial domestic purpose: they help re-establish the political climate the Bush administration prefers, in which anyone who opposes any administration policy can be accused of undermining the fight against terrorism.

This week the Bush campaign unveiled an ad accusing John Kerry of, among other things, opposing increases in combat pay because he voted against an $87 billion appropriation for Iraq. Those who have followed this issue were astonished at the ad's sheer up-is-down-ism.

In fact, the Bush administration has done the very thing it falsely accuses Mr. Kerry of doing: it has tried repeatedly to slash combat pay and military benefits, provoking angry articles in The Army Times with headlines like "An Act of `Betrayal.' " Oh, and Mr. Kerry wasn't trying to block funds for Iraq — he was trying to force the administration, which had concealed the cost of the occupation until its tax cut was passed, to roll back part of the tax cut to cover the expense.

But the bigger point is this: in the Bush vision, it was never legitimate to challenge any piece of the administration's policy on Iraq. Before the war, it was your patriotic duty to trust the president's assertions about the case for war. Once we went in and those assertions proved utterly false, it became your patriotic duty to support the troops — a phrase that, to the administration, always means supporting the president. At no point has it been legitimate to hold Mr. Bush accountable. And that's the way he wants it.


E-mail: krugman@nytimes.com