16 May 2004

Post "Coisa feia, a inveja"


Finalmente a economia portuguesa vai começar a crescer. Ou, espera aí... Não me digam que é só quando conseguirem ser campeões! Estamos feitos.

Actualização: é disto que eu estou a falar.

14 May 2004

Fátima


Vejo as imagens da celebração do 13 de Maio na televisão. As chamas, belas, reproduzidas às centenas de milhar na noite. Lembro-me da primeira (e única) vez que fui a Fátima, com os meus avós. Devia ter à volta de sete, oito anos. A recordação mais forte é a de uma senhora, à volta dos 50 anos de idade, a percorrer aquela passadeira enorme que vai até ao santuário. De joelhos. Em sangue.

Na altura revoltou-me. Não percebi qual era a necessidade ou o que é que aquele espetáculo tinha a ver com Deus. Hoje não me revolta, culpa da entretanto aprendida noção de Liberdade. Mas continuo a não perceber. Por mais que tente, continuo sem perceber.

Uma boa ideia


Pacheco Pereira, para político, é um pensador de uma independência impressionante face ao seu partido. Vejam aqui a defesa da extinçao da JSD, por esta não passar de um trampolim de carreira para políticos.

Eu acrescentaria que a medida devia ser generalizada a todos os partidos. É que para além de não servirem a ninguém excepto aos próprios, as jotinhas e os jotinhas são, na generalidade, de uma boçalidade que roça o intolerável.

Nota


É de elogiar (e de esperar que sirva de exemplo) o gesto de António Champalimaud em doar €500mn para a criacão de uma Fundação para a investigação na área da Medicina. Sem mas.

13 May 2004

Ainda sobre a lógica das barricadas




PS: Obrigado ao Amor e Ócio

O teste


Pronto. Também fui fazer o teste. Deu-me o mesmo resultado da Bomba. Estou, aliás, como ela: podia ser pior.


É um mundo mágico



cliquem na imagem para aumentá-la

Já aqui tinha escrito que o Calvin&Hobbes são os meus gurus. Gosto especialmente desta tira, desta noção da vida como "folha em branco". Noção demasiado esperançosa para se adequar à realidade, claro, mas mesmo assim suficiente para relembrar o tanto que depende de nós.

É um mundo mágico. Bora explorá-lo?

12 May 2004

As barricadas


Falta-me a paciência para a conversa "não podes falar da tortura a prisioneiros iraquianos porque não disseste nada sobre Cuba". Enoja-me o contentamento com que alguns blogs hoje exibem a fotografia do homem prestes a ser decapitado - do estilo, "agora posso colocar no blog fotografias de tortura e assassínio de seres humanos que não são perpetrados por tropas americanas". Ou outros que exibiam a tortura a prisioneiros iraquianos como se fosse uma vitória moral contra "O Império".

Não vos parece que a barbárie ultrapassa a questão esquerda/direita? Que o terrorismo, o desrespeito pelos direitos humanos não são propriamente armas de arremesso contra o outro lado da barricada política?

Claro que todos estes assuntos têm de ser denunciados e debatidos. Mas às vezes perde-se a noção. De humanidade.

11 May 2004

Pasárgada


Volta não volta, vem-me à ideia este poema de Manuel Bandeira. Todos devíamos ter uma Pasárgada para onde nos pudéssemos ir embora.

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa me vinha contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Manuel Bandeira, in Vou-me embora pra Pasárgada, José Olympio Editora

Auxiliares de memória


A propósito deste post do Pastelinho (lampiões mas, apesar disso, decentes), lembrei-me do que alguém me contava sobre os adeptos que costumam circundar o Dias da Cunha (com muito cachecóis e bandeiras) sempre que ele faz declarações para a comunicação social. Ao contrário do que possam pensar, eles não estão lá para apoiar o Sporting Clube de Portugal. Estão lá para que o Dias da Cunha, dentro da confusão mental que o aflige, se lembre de que clube é Presidente. São carinhosamente tratados, dentro do clube, como os Auxiliares de Memória.

A propósito, uma nota de esperança: o tempo continua a passar e Fernando Santos ainda não foi confirmado como treinador da próxima época.

10 May 2004

Livra...


SIC Notícias: "Não perca já a seguir, Frente-a-Frente entre Maria de Belém e Telmo Correia"

A amostra gratuita a debater com o escuteiro do PP? Mas quem é que estará interessado num debate entre estas alminhas?

Os "nossos"


Ouço comparações falando de como, para a tradição árabe, as torturas infligidas por soldados norte-americanos a prisioneiros iraquianos são levezinhas e até comuns. Não o consigo encontrar na edição on-line do DN (chamar edição on-line é ser bonzinho), mas na semana passada era publicado um cartoon na última página exactamente com este mote. Não sou qualificado para discursar sobre a atitude da cultura árabe face à tortura de seres humanos. Aliás, acho de imediato complicadas estas generalizações: "os árabes são assim ou assado".



De qualquer forma, não deixa de ser chocante justificarmos a nossa própria brutalidade com a brutalidade do "inimigo". Ou pensar que a nossa matriz cultural, a matriz das democracias ocidentais (ó para mim a generalizar também) inclui comportamentos deste tipo, sancionados pelas hierarquias (até serem descobertos, claro!). Por mais que condene a intervenção americana no Iraque, é para mim absurdo que "os nossos", os da tal matriz civilizacional que é a nossa, tenham comportamentos deste género num país que é suposto libertarem e democratizarem.

8 May 2004

Resistir é Vencer


Grande, grande concerto de José Mário Branco hoje no Coliseu de Lisboa.



"Ser solidário assim pr'além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E, improvavelmente, ser feliz"


PS: tem razão jmf, no Terras do Nunca. Depois do que vimos ontem à noite, temos todo o tempo do Mundo!

7 May 2004

Mais uma que só pode doer...


A opinião de Vasco Pulido Valente sobre o momento actual do PSD:

Vasco Pulido Valente, que foi deputado do PSD e secretário de Estado de Cavaco Silva, considera que "pessoa a pessoa" o PSD tem hoje o pior governo que este partido já teve. "O primeiro governo do eng. Guterres foi bem melhor que este (...)"

Pior que o Guterres... Ouch!

PS: VPV, elogiado e citadíssimo em alguma blogosfera é, de quando em vez, estranha e totalmente ignorado. Este será, certamente, um desses casos.

Mistério


Que razão explicará a escolha de Sousa Franco como cabeça-de-lista do PS às eleições europeias? É que eu, sinceramente, não sou capaz de perceber...

5 May 2004

Tributável


"Queriam-me casado, futil, quotidiano e tributavel?
Queriam-me o contrario d'isto, o contrario de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciencia!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sòzinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sòzinho.
Já disse que sou só sòzinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!"

Excerto de Lisbon Revisited 1923, Álvaro de Campos

Ando às voltas com estes versos de Álvaro de Campos. Ou melhor, ando à volta comigo. Com o tanto que estes versos me diziam há 10 anos atrás. Estava enganado nessa altura ou estou a enganar-me agora?

Interrompemos a emissão para...


dar os parabéns ao FCPorto pela passagem à final da Liga dos Campeões. E pelo Campeonato Nacional. E pela eventual conquista da Liga dos Campeões. E pela eventual conquista da Taça de Portugal. E por qualquer título ou taça que venham a ganhar nos próximos anos.

Pronto, já despachei estes. É que senão um gajo não faz mais nada.

4 May 2004

Imperdoável




Ainda não ter referido aqui o acontecimento político mais importante dos últimos tempos. Dia 1 de Maio de 2004 passámos a ser 25 países no projecto de construção da União Europeia. Como diria o outro, "seja bem vindo quem vier por bem".