Arrepio-me com os apelos ao consenso, à criação de um governo com vários partidos e assim. Democracia é escolha, convém que ela exista.
22 Mar 2011
21 Mar 2011
Sorry, wrong number
Não me comovem os apelos à responsabilidade, até porque acredito que quem insiste em caminhos perigosos numa fase destas se arrisca a pagar um preço bem alto em futuras eleições. Mas não é pelo facto de agora ser o "meu" lado da barricada a clamar "depois de mim, o dilúvio" que esse tipo de conversa merece mais respeito da minha parte.
Spóquem (4)
Bruno de Carvalho é a escolha óbvia para os meus preciosos 4 votos. Se correr bem, óptimo. Se for tudo uma vigarice o clube acaba em 2 anos, deixando assim de ser uma preocupação.
Vamos a votos?
Continuo à espera das propostas do PSD sobre como cumprir as metas orçamentais estipuladas. É que, das duas uma: ou o PSD ainda não tinha percebido que serão necessárias mais medidas, o que não abona a favor da percepção da realidade na S. Caetano, ou, sabendo, estão a jogar um jogo bem perigoso, dado que qualquer que seja o próximo governo, terá de tomar estas e/ou outras ainda mais gravosas durante os próximos anos.
A luta partidária é o que é e claro que temos de viver com ela. Mas há alturas em que um bocadinho de responsabilidade e de capacidade de não hipotecar a credibilidade futura é capaz de vir a dar jeito. E isto é válido para todos. PS incluído, dado que o grau de inabilidade na negociação e apresentação das novas medidas atingiu também níveis difíceis de compreender.
Atingido este estado de coisas, acho que eleições são mesmo a única solução. Enfrentar uma crise desta dimensão sem uma legitimidade clara ou capacidade de cooperação leal entre todos os envolvidos é, de longe, o pior cenário.
A luta partidária é o que é e claro que temos de viver com ela. Mas há alturas em que um bocadinho de responsabilidade e de capacidade de não hipotecar a credibilidade futura é capaz de vir a dar jeito. E isto é válido para todos. PS incluído, dado que o grau de inabilidade na negociação e apresentação das novas medidas atingiu também níveis difíceis de compreender.
Atingido este estado de coisas, acho que eleições são mesmo a única solução. Enfrentar uma crise desta dimensão sem uma legitimidade clara ou capacidade de cooperação leal entre todos os envolvidos é, de longe, o pior cenário.
7 Mar 2011
E ainda assim, viva o "erro cósmico"
Discussão
- Desconfio que a democracia não resulta. Juntam-se astronautas, bodes,
camponeses, galinhas, matemáticos e virgens loucas e dão-se a todos os
mesmos direitos.
Isso parece-me um erro cósmico. Desculpa.
Desculpei mas fiquei ofendido. Que a democracia era aquilo mesmo, e ainda
com conversa fiada como brinde, isso sabia eu. Que mo viessem dizer,
era outra coisa.
Fiquei ainda mais ofendido, até porque não gosto de erros cósmicos.
Acho um snobismo.
- Eu sou democrático - rugi entre dentes, como resposta. - Tenho amigos no exílio,
todos democráticos.
Foram para lá por serem democráticos. É um sacrifício que poucos fazem,
ir para o exílio e ser professor universitário exilado e democrático.
Eras capaz de fazer isso ?
- Não sou democrático.
Não havia resposta a dar. nenhuma. Ele não era democrático, não
sabia de democracia.
Eu sim, sou democrático, até já quis ir à América, que me afirmaram que
lá é que é a democracia.
Recusaram-me o visto no passaporte, disseram que eu era comunista!
Viram isto ?
Mário Henrique Leiria
Contos do Gin-Tonic
Vou-me lembrando periodicamente deste texto de Mário Henrique Leiria (autor responsável, aliás, por uma parte relevante da minha formação cívica). As manifestações marcadas para sábado (cujo único tema em comum parece ser a negação da responsabilidade pessoal), o ridículo frémito sentido por aí com a vitória dos "homens da luta" no festival da canção, a incapacidade da oposição em defender ideias concretas sobre como sair da situação actual - sem ser declarações vagas sobre redução de despesa seguidas de votos concretos contra medidas específicas para o fazer -, deixam-me, mais do que perplexo, espantado. Encontrarmos culpados (desde que nunca eu) faz parte da nossa condição. Mas esperava - lirismo, bem sei - que perante um dos momentos mais difíceis das ultimas décadas, fôssemos capazes de alguma coisa um bocadinho melhor que isto. Pelos vistos, não.
- Desconfio que a democracia não resulta. Juntam-se astronautas, bodes,
camponeses, galinhas, matemáticos e virgens loucas e dão-se a todos os
mesmos direitos.
Isso parece-me um erro cósmico. Desculpa.
Desculpei mas fiquei ofendido. Que a democracia era aquilo mesmo, e ainda
com conversa fiada como brinde, isso sabia eu. Que mo viessem dizer,
era outra coisa.
Fiquei ainda mais ofendido, até porque não gosto de erros cósmicos.
Acho um snobismo.
- Eu sou democrático - rugi entre dentes, como resposta. - Tenho amigos no exílio,
todos democráticos.
Foram para lá por serem democráticos. É um sacrifício que poucos fazem,
ir para o exílio e ser professor universitário exilado e democrático.
Eras capaz de fazer isso ?
- Não sou democrático.
Não havia resposta a dar. nenhuma. Ele não era democrático, não
sabia de democracia.
Eu sim, sou democrático, até já quis ir à América, que me afirmaram que
lá é que é a democracia.
Recusaram-me o visto no passaporte, disseram que eu era comunista!
Viram isto ?
Mário Henrique Leiria
Contos do Gin-Tonic
Vou-me lembrando periodicamente deste texto de Mário Henrique Leiria (autor responsável, aliás, por uma parte relevante da minha formação cívica). As manifestações marcadas para sábado (cujo único tema em comum parece ser a negação da responsabilidade pessoal), o ridículo frémito sentido por aí com a vitória dos "homens da luta" no festival da canção, a incapacidade da oposição em defender ideias concretas sobre como sair da situação actual - sem ser declarações vagas sobre redução de despesa seguidas de votos concretos contra medidas específicas para o fazer -, deixam-me, mais do que perplexo, espantado. Encontrarmos culpados (desde que nunca eu) faz parte da nossa condição. Mas esperava - lirismo, bem sei - que perante um dos momentos mais difíceis das ultimas décadas, fôssemos capazes de alguma coisa um bocadinho melhor que isto. Pelos vistos, não.
22 Feb 2011
Deve ser uma cena ideológica, ou assim
Apesar do que significa em termos de idade, confesso que gosto bem mais de pertencer à "geração rasca" do que à "geração à rasca".
Spóquem (3)
Saber que tudo tem ciclos (havemos de conseguir voltar a ganhar aos lampiões, caramba!), não anestesia propriamente a dor de ver o meu clube seguir alegremente de humilhação em humilhação.
21 Feb 2011
Sad, but true
"O Sporting é a nossa puta", cantado pelas claques do Benfica, era o que se ouvia em Alvalade no final do jogo.
19 Feb 2011
Ignorar bons conselhos
Writing is not necessarily something to be ashamed of, but do it in private and wash your hands afterwards.
Robert Heinlein
Robert Heinlein
18 Feb 2011
Pode alguém ser livre, se outro alguém não é?*
Na tarde de sexta-feira passada, enquanto se fazia história no Egipto, estava no trabalho colado à televisão a ver as imagens da Al-jazeera, emocionado com a felicidade única daquela multidão, o momento da libertação em que tudo parece possível.
À minha volta a indiferença era total. Perante várias tentativas de comentar, de partilhar aquele momento, a reacção variava entre os que não faziam ideia do que se passava naquele país e os que, sabendo que se passava alguma coisa, não viam nada de especial no momento.
Tomamos a liberdade como garantida, até a retirarmos por completo das nossas inquietações. Achamos que o que se passa naquele outro mundo - em que até a cor da pele não é a nossa - não nos interessa para nada. Mais cedo ou mais tarde a indiferença vai sair-nos cara.
*da música "Pode alguém ser quem não é?" de Sérgio Godinho
À minha volta a indiferença era total. Perante várias tentativas de comentar, de partilhar aquele momento, a reacção variava entre os que não faziam ideia do que se passava naquele país e os que, sabendo que se passava alguma coisa, não viam nada de especial no momento.
Tomamos a liberdade como garantida, até a retirarmos por completo das nossas inquietações. Achamos que o que se passa naquele outro mundo - em que até a cor da pele não é a nossa - não nos interessa para nada. Mais cedo ou mais tarde a indiferença vai sair-nos cara.
*da música "Pode alguém ser quem não é?" de Sérgio Godinho
Al-va-la-de, já não dá...
17 Feb 2011
O diabo está nos detalhes
A cada medida de redução da despesa pública anunciada (e serão precisas bem mais...), surge logo a oposição a vociferar. Desde a redução de comparticipação a escolas privadas onde existe suficiente oferta pública, ao fim do transporte de doentes não urgentes de forma grátis e indiscriminada, etc., etc..
É giro, isto, de clamar por uma coisa e depois ser contra todas as medidas que podem permitir chegar lá.
É giro, isto, de clamar por uma coisa e depois ser contra todas as medidas que podem permitir chegar lá.
16 Feb 2011
Devia haver uma lei sobre isto
Dias como este (de dilúvio, isto está bem para lá de chuva) são para ser passados em frente a uma lareira, com mantas, livros, amigos e vinho.
Desafios
Hoje enfrentei uma plateia de miúdos dos 3 aos 5 anos na escola da minha filha, para apresentar com ela um projecto que estivemos a fazer em casa sobre as fases da Lua. A partir daqui estou preparado para tudo.
15 Feb 2011
I kid you not!
14 Feb 2011
Chuva no nabal
Faz todo o sentido, em termos tácticos, que o PSD escolha o momento que mais lhe convém em termos eleitorais para apresentar ou aprovar uma moção de censura. Não dá é para alegar que está a ter em conta os superiores interesses do país, enquanto contribui para manter no poder aqueles que qualifica como o maior bando de incompetentes que já passou pela governação portuguesa.
Ondas
Gosto das ondas da comunicação social. Neste próximos 3 dias vamos poder saber com exactidão quantos idosos são encontrados mortos em casa e teorizar imenso sobre o assunto.
12 Feb 2011
Já não se pode contar com nada
É com profunda tristeza que constato a decadência que atingiu os croissant com chocolate da Bénard.
11 Feb 2011
Não é isto verdade?
Hoje na TSF um bem falante responsável da GNR dizia que a corporação tinha feito tudo o que era legalmente exigível no caso da senhora que esteve morta 9 anos no seu apartamento sem ser descoberta. Para logo passar para a culpa da sociedade como um todo e, nesse sentido, também a GNR devia reflectir sobre este caso. Nestas coisas lembro-me sempre de uma das frases do FMI de José Mário Branco: "a culpa é de todos, logo a culpa não é de ninguém. Não é isto verdade?"
10 Feb 2011
Alhos e bugalhos
A notícia sobre uma senhora que foi descoberta sem vida no seu apartamento nove anos depois de ter sido vista pela última vez - perturbadora por tornar palpável a solidão das grandes cidades, mais visível ainda nos velhos - serviu para muitos exorcizarem os fantasmas da actualidade, através de generalizações que me parecem obscenas. Nada sei sobre a senhora, nem sobre o que levou a que uma situação horrenda como esta fosse possível. Daí até utilizar o caso para chegar à conclusão que o Estado é uma entidade pérfida e, vejam lá, até foi o fisco através de uma penhora que descobriu a situação (tipo só vêm bater à porta para cobrar) já me parece excesso de necessidade de exorcismo de algumas cabeças.
9 Feb 2011
De cada um
Tenho andado às voltas com isto da responsabilidade de ser feliz. Com as concessões que vamos fazendo, às vezes porque é mais fácil, outras porque é mais cómodo ou nos falta a coragem de enfrentarmos o desconhecido, de sair da zona de conforto. Mas não dá para delegar ser feliz. Nem para culpar outros, ou a vida - essa entidade difusa. Esta responsabilidade é mesmo de cada um - pessoal e intransmissível.
Catolitech
Parece que a igreja aprovou uma app do iPhone para servir de confessionário. Parece-me bem, adicionar estilo aos pedidos de absolvição. Fará upload e tudo? E, se sim, para onde?
8 Feb 2011
Chicken
Miguel Relvas realçou que o Governo tem tido ao seu dispor “todos os instrumentos” de que precisa mas, “seja por incúria seja por incompetência”, tem mostrado uma “total ausência de vontade e de capacidade para tomar as medidas de que o país “urgentemente precisa”.
O tom está num nível que exige uma moção de censura, não é? Mas, dado que é o PSD de Passos Coelho, tudo é possível. Mesmo fazer afirmações destas depois de um Conselho Nacional e assobiar para o lado como se não pudessem fazer nada sobre o assunto.
O tom está num nível que exige uma moção de censura, não é? Mas, dado que é o PSD de Passos Coelho, tudo é possível. Mesmo fazer afirmações destas depois de um Conselho Nacional e assobiar para o lado como se não pudessem fazer nada sobre o assunto.
Agenda reivindicativa
Estávamos muito bem a jantar, quando de repente a M. dispara: "quero uma mana, um mano ou um animal de estimação!" Perante o nosso espanto, decidiu reforçar: "um bebé ou um animal de estimação, tens de escolher mãe!"
Efeitos colaterais
Os publicitários estavam em depressão antes de o governo ter decidido aumentar o IVA, não? Desde o início do ano não se ouve falar de mais nada na publicidade.
7 Feb 2011
Spóquem! (2)
A linda choradeira vivida em Alvalade na sexta-feira, com o pretexto da saída do Liedson, foi um daqueles sinais de perspicácia do subconsciente que, por vezes, atingem uma multidão (pequena, nestes tempos, mas ainda assim uns milhares de pessoas). Quanto mais depressa fizermos o luto de um Sporting que já só existe na imaginação e memória dos sócios e adeptos, menos duro vai ser cair na real.
Das notícias da manhã
Animado com o Sol, que continua a dar um ar da sua graça. Bem necessário é, perante as notícias da manhã, os números mais o que eles significam. Acho que ouvi que 15.000 idosos vivem sozinhos em Lisboa - em que condições? Um incêndio nas Caldas da Rainha, três mortos, de 10 pessoas que viviam em quartos numas águas-furtadas. Marcelo a declarar o governo morto, de professor a médico-legista da democracia, deve fazer sentido, tudo deve fazer sentido naquela cabeça, supomos. A capa do Público, com os nomes das 43 mulheres assassinadas no ano passado em casos de violência doméstica, vergonha, vergonha, vergonha, mil vezes vergonha por deixarmos que isto se continue a passar aqui, em 2011, ao nosso lado. Não há Sol que nos valha para tudo isto, caramba.
6 Feb 2011
Leituras
"(...) Castigar um adversário político, pô-lo na prisão ou enviá-lo para o Lager é cruel mas racional, sempre se fez; antigamente vendiam-se os prisioneiros como escravos. É uma realidade de sempre, condenável, mas de sempre, encontramo-la mesmo no mundo animal: as formigas fazem razias e escravizam. Mas punir o outro porque ele é outro, na base de uma ideologia abstracta, parecia-me ser o cúmulo da injustiça, da estupidez e da irracionalidade.
Porquê, em que sou eu diferente dos outros? Há aqui uma distinção importante a fazer: os judeus religiosos, os judeus crentes, como todos os crentes, não compreendiam, não sentiam esta injustiça, viam nela um castigo divino, imputavam-na ao Deus imcompreensível, ao Deus desconhecido, que tem poder de vida ou de morte, que segue apenas critérios inacessíveis ao nosso entendimento, porque tudo o que Deus decide tem de ser aceite. Mas, para um laico como eu era e continuo a ser, era a maior iniquidade possível, que nada podia justificar ou explicar."
Primo Levi, O dever de memória, Livros Cotovia, pág. 36
Porquê, em que sou eu diferente dos outros? Há aqui uma distinção importante a fazer: os judeus religiosos, os judeus crentes, como todos os crentes, não compreendiam, não sentiam esta injustiça, viam nela um castigo divino, imputavam-na ao Deus imcompreensível, ao Deus desconhecido, que tem poder de vida ou de morte, que segue apenas critérios inacessíveis ao nosso entendimento, porque tudo o que Deus decide tem de ser aceite. Mas, para um laico como eu era e continuo a ser, era a maior iniquidade possível, que nada podia justificar ou explicar."
Primo Levi, O dever de memória, Livros Cotovia, pág. 36
4 Feb 2011
Spóquem!
Neste momento a Naval ganha 3-2 em Alvalade. Faltam 20 minutos para acabar o jogo. E, aparentemente, quem se vai embora é o Liedson.
Liberdade
Percebo pouco do que se passa no Egipto, claro. Na simplificação que naturalmente faço, pasmo e comovo-me com a espontaneidade de milhões pessoas que exigem a liberdade de escolherem o seu próprio destino, assim, sem mais pontos que ofusquem o fundamental: serem livres, mais livres.
3 Feb 2011
Saudade
É difícil perceber que morreste há mais de 10 anos. Que há 1 década que não ouço a tua voz rouca, que não sinto a tua mão a acariciar-me a cara, como fazias tantas vezes. Já escrevi aqui, faz tempo também, que às vezes tenho a sensação de este ser um sítio onde falo contigo, mãe. Onde vou contando o que se vai passando, como uma prova de vida, da tal vida que continua, como me disseste uns anos antes de morreres, quando foi a vez do pai.
Vou olhando para o espelho e vendo que estou cada vez mais parecido contigo. As mesmas linhas a começarem a desenhar-se na cara, a mesma vontade de continuar, de ser feliz, de "o que tem de ser tem muita força" e "não te preocupes com o que não controlas", como me dizias tantas vezes.
O mais difícil, claro, é ver a M. crescer sem te conhecer, sem te ter na vida dela. Com a noção de que vocês iam ser companheiras, as duas determinadas e com poucos medos, prontas para se divertirem e aprenderem uma com a outra. É pena que não possas ver os teus filhos e netos felizes, pena que o orgulho que sentirias - com todos, mas mesmo todos nós - seja algo apenas projectado por mim, mas que sei real num mundo que fosse um pouco menos cabrão em algumas coisas.
Era isto que te estava para dizer há já uns tempos, mãe. O facto de não o poderes ler não é para aqui chamado, pois não?
Vou olhando para o espelho e vendo que estou cada vez mais parecido contigo. As mesmas linhas a começarem a desenhar-se na cara, a mesma vontade de continuar, de ser feliz, de "o que tem de ser tem muita força" e "não te preocupes com o que não controlas", como me dizias tantas vezes.
O mais difícil, claro, é ver a M. crescer sem te conhecer, sem te ter na vida dela. Com a noção de que vocês iam ser companheiras, as duas determinadas e com poucos medos, prontas para se divertirem e aprenderem uma com a outra. É pena que não possas ver os teus filhos e netos felizes, pena que o orgulho que sentirias - com todos, mas mesmo todos nós - seja algo apenas projectado por mim, mas que sei real num mundo que fosse um pouco menos cabrão em algumas coisas.
Era isto que te estava para dizer há já uns tempos, mãe. O facto de não o poderes ler não é para aqui chamado, pois não?
Não há limites para o contorcionismo
Parece que, finalmente, descobriram ao Estado uma função importantíssima: financiar escolas privadas (isto é, os donos dessas escolas), mesmo que estejam em duplicação com escolas públicas que já existam.
2 Feb 2011
Dou por mim a pensar...
Nestas reuniões com os bancos todos será que Cavaco está à procura de mais um investimento tão rentável como o do BPN?
Intemporal
"In case you're worried about what's going to become of the younger generation, it's going to grow up and start worrying about the younger generation."
Roger Allen
Roger Allen
Efeitos da crise
A crise ajuda a esbater fronteiras. O típico discurso de ataque ao Estado social tem sido uma bela mistura dos defensores da meritocracia ("as pessoas são pobres porque não se esforçam") com os taxistas ("essa malta não quer é trabalhar").
1 Feb 2011
7 Oct 2010
Para teimoso, teimoso e meio
Ao fim de mês e meio a correr o meu joelho direito decidiu começar a manifestar-se. Nas palavras, sempre sábias, do meu avô: "se eu não faço o que quero, porque é que o meu joelho há-de fazer?".
28 Sept 2010
Não se arranja um para cá?
Parece-me que Portugal está mesmo, mesmo a precisar de um Rally to Restore Sanity.
24 Sept 2010
E que tal a Igreja começar a pagar impostos?
Essa é que era uma bela ideia. Bem mais eficaz do que afirmações como esta: igreja quer poder político a dar o exemplo quando pede sacrifícios.
23 Sept 2010
Vício
Sabes que correr se está a tornar um vício quando, por o teu iphone ter morrido, usas o ipod da tua filha e corres 4km ao som dos Morangos com Açúcar.
10 Sept 2010
2 Sept 2010
28 Aug 2010
26 Aug 2010
O preço a pagar
Depois de duas semanas no Algarve com a água do mar a 24 graus, hoje de manhã o esquentador presenteou-me com um banho de água fria. É justo.
21 Aug 2010
19 Aug 2010
16 Aug 2010
14 Aug 2010
11 Aug 2010
25 Jul 2010
24 Jul 2010
23 Jul 2010
Gostava de ver isto para Portugal
Este gráfico reflecte a situação fiscal norte-americana. É o tipo de informação que podia acrescentar um bocadinho de racionalidade à discussão sobre o que é preciso fazer para resolver o problema das contas públicas portuguesas.
22 Jul 2010
20 Jul 2010
Como assim, gratuito?
O conceito de gratuito é pernicioso. Quando vou a um hospital, posso não pagar (ou pagar uma taxa moderadora simbólica), mas os serviços que me são prestados têm um custo. Quando se diz que a saúde é gratuita, estamos implicitamente a passar a ideia de que não tem custos, o que não podia estar mais longe da realidade.
Lembro-me de, na Faculdade, um professor ter lançado a ideia de que fosse dado aos estudantes pelo Estado um cheque que cobrisse a diferença substancial entre o custo anual do aluno e a propina que era efectivamente paga, que teria obrigatoriamente que ser entregue na Secretaria das instituições respectivas. Descontando a burocracia a que isto obrigaria (e os seus custos, já agora), esta medida permitia ao aluno perceber o custo real do seu curso e a comparticipação que estava a ser dada pelo Estado. Não é tanto esta ideia que me interessa. O que me parece relevante é que existem uma série de serviços que o Estado presta de forma gratuita ou nas quais participa de forma significativa e que não reconhecidos de forma clara, nem pela sociedade, nem pelos seus utilizadores.
Estamos, assim, a desvalorizar os serviços prestados pelo Estado, dando lenha à conversa típica de taxista de que o dinheiro dos impostos não serve para nada e que os nossos filhos estão a herdar uma dívida gigantesca - sem ter em conta que o que é financiado pelos nossos impostos tem impacto real e é necessário à vida em sociedade tal como a entendo (a discussão sobre se os recursos são gastos de uma forma eficiente é outra e não cabe aqui).
Não sei quais são as formas de demonstrar aos utilizadores e à sociedade quais os custos dos serviços que são efectivamente prestados. Mas sei que é importante combater a ideia de que o facto de um serviço ser gratuito para o utilizador não implica que não exista uma factura a pagar.
Lembro-me de, na Faculdade, um professor ter lançado a ideia de que fosse dado aos estudantes pelo Estado um cheque que cobrisse a diferença substancial entre o custo anual do aluno e a propina que era efectivamente paga, que teria obrigatoriamente que ser entregue na Secretaria das instituições respectivas. Descontando a burocracia a que isto obrigaria (e os seus custos, já agora), esta medida permitia ao aluno perceber o custo real do seu curso e a comparticipação que estava a ser dada pelo Estado. Não é tanto esta ideia que me interessa. O que me parece relevante é que existem uma série de serviços que o Estado presta de forma gratuita ou nas quais participa de forma significativa e que não reconhecidos de forma clara, nem pela sociedade, nem pelos seus utilizadores.
Estamos, assim, a desvalorizar os serviços prestados pelo Estado, dando lenha à conversa típica de taxista de que o dinheiro dos impostos não serve para nada e que os nossos filhos estão a herdar uma dívida gigantesca - sem ter em conta que o que é financiado pelos nossos impostos tem impacto real e é necessário à vida em sociedade tal como a entendo (a discussão sobre se os recursos são gastos de uma forma eficiente é outra e não cabe aqui).
Não sei quais são as formas de demonstrar aos utilizadores e à sociedade quais os custos dos serviços que são efectivamente prestados. Mas sei que é importante combater a ideia de que o facto de um serviço ser gratuito para o utilizador não implica que não exista uma factura a pagar.
17 Jul 2010
16 Jul 2010
A falta de férias dá nisto
O meu clube devia ser nacionalizado. Não só tem Portugal no nome, como é um exemplo das melhores práticas de gestão visíveis na administração pública.
15 Jul 2010
No entanto, creio que não se estava a referir a Portugal
«I'm living so far beyond my income that we may almost be said to be living apart.»
E. E. Cummings
E. E. Cummings
14 Jul 2010
Dilemas de Pai
Lua vermelha, Morangos Com Açúcar... A minha filha anda a ver se desperta o censor que há em mim.
O tecnocrata arrependido
Sempre que ouço o nosso PR dizer que as pessoas têm de ser sempre a prioridade fico com urticária. Este é o mesmo homem que foi PM durante 10 anos em negação constante e orgulhosa do que agora afirma, não é?
13 Jul 2010
Chill
Depois de alguns anos disto, acho que não se deve dar demasiada atenção aos mercados financeiros. Nem a de terem sempre razão, nem a de não terem importância nenhuma.
12 Jul 2010
Pior a emenda...
Cortar despesa pública é uma tarefa difícil em termos políticos - más notícias nunca são fáceis de dar. No caso da cultura, o montante era tão irrelevante que só se podia estar a querer dar um sinal de que todas as áreas têm de sofrer - até um ministério sempre sub-orçamentado. Agora, este recuo nos cortes, depois de vários protestos do sector, dá o pior sinal possível. Um sinal óbvio de fraqueza, para quem vai precisar de muita coragem política nos próximos tempos.
11 Jul 2010
Idiossincracias do mundial
Só mesmo 10 anos a trabalhar para espanhóis para me pôr a apoiar laranjas.
9 Jul 2010
Get a life, please
Anda para aí uma conversa sobre o Cristiano Ronaldo pintar as unhas dos pés e isso ser pouco masculino, e tal. Para essas pessoas só tenho duas palavras: Irina Sheik.
Não percebo porque são alternativas
Hoje, no anúncio do fórum da TSF - sobre os mega-agrupamentos escolares -, a jornalista perguntava (cito de memória): considera que os mega-agrupamentos escolares podem contribuir para o sucesso dos alunos ou, pelo contrário, que trarão dificuldades acrescidas a professores, pais e alunos?
8 Jul 2010
Saltar da frigideira para o fogo
Safar-me de ir à Feira Internacional de Artesanato para ir jogar (num sentido muito lato do termo) futebol.
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