Ontem foi o regresso a Alvalade, na esperança de que o nível de sofrimento pudesse ser inferior ao dos dois últimos anos. Foi. Embora, a espaços, desse a sensação de que continuamos sem treinador (como nos últimos dois anos), já deu para voltar a ver - de vez em quando - o Sporting a jogar futebol. Capel tem jeito para jogar e para criar empatia com as bancadas (o que não deve, de maneira nenhuma, ser menosprezado). Izmailov é, sem surpresa, o melhor reforço da época.
Mas era bom que aumentássemos o nível de tolerância para com a equipa. Os assobios foram mais que muitos e isso tem de nos envergonhar, enquanto sócios e adeptos. Se é certo que foram dois anos desesperantes, é preciso dar tempo quando se está a construir uma equipa quase de raiz. É verdade que a insistência em Djaló e Postiga desafia a compreensão humana. Mas, se não há nunca justificação para assobiar aquelas camisolas, ainda menos quando é claro que o que é preciso é tempo e apoio incondicional.
26 Aug 2011
25 Aug 2011
2 lições da semana
1) Nunca deixes que o ressentimento perdure e te domine.
2) Evita que a natural presunção da boa-fé alheia resulte em que te apanhem desprevenido.
2) Evita que a natural presunção da boa-fé alheia resulte em que te apanhem desprevenido.
24 Aug 2011
Confusos?
Sim, é preciso reduzir o nível de endividamento. E sim, austeridade em excesso é a melhor maneira de garantir que os níveis de endividamento não serão reduzidos. Confusos? Não se preocupem, os líderes europeus também.
23 Aug 2011
Desta para melhor
"com esta da austeridade, meu senhor, nem sequer dá para ir desta pra melhor", cantava Sérgio Godinho há uns anos, e cheio de razão. Ignorando o significado corrente da expressão, é difícil perceber como é que medidas de austeridade de toda a gente ao mesmo tempo nos levarão, literalmente, desta para melhor.
Sem crescimento ou inflação, por todo o mundo desenvolvido estar a contrair simultaneamente a política fiscal, vamos todos ficar (muito) mais pobres e tão (ou mais) endividados do que no início desta crise. E, mais grave, colocamos o processo de integração europeia cada vez mais em risco. É que casa onde não há pão, e tal.
Sem crescimento ou inflação, por todo o mundo desenvolvido estar a contrair simultaneamente a política fiscal, vamos todos ficar (muito) mais pobres e tão (ou mais) endividados do que no início desta crise. E, mais grave, colocamos o processo de integração europeia cada vez mais em risco. É que casa onde não há pão, e tal.
20 Aug 2011
Fim de férias (III)
E para fechar a estadia no Algarve, uma tempestade das antigas: vento, chuva, relâmpagos e trovões. É para eu não notar a diferença quando os mercados abrirem na 2ª feira, aposto.
19 Aug 2011
Fim de férias (II)
Ver o ouro em máximos históricos ao mesmo tempo que as taxas de juro de países considerados refúgio (EUA, Alemanha) atingem mínimos é o pior sinal que poderíamos ver. Receios de recessão global e de saúde do sistema financeiro. Vai ser um regresso interessante. No sentido da maldição chinesa, claro.
Fim de férias
Tudo parece mais simples frente ao mar, talvez por que sei ser apenas um momento de pausa.
2 Aug 2011
Álvaro
Quando o Álvaro aceitou ser ministro da economia e de mais uma data de coisas, escrevi que ia ser engraçado ver o choque entre tudo o que andou a defender na campanha e a realidade do que é ser responsável pela governação de uma área fulcral para o nosso país. Enganei-me.
Não tem nada de engraçado ver um rol de soundbites - como a reforma ao Sol, a Flórida da Europa ou as exportações representarem 50% do PIB - serem apresentadas como algumas das pedras-chave da política do governo para esta área. Ainda menos, acompanhadas da deselegância profunda de mandar umas bocas sobre a "opulência" encontrada, ao mesmo tempo que tenta justificar o salário de uma nova "super" chefe de gabinete. Se já estávamos conversados sobre as políticas, ficámos agora conversados sobre o estilo que podemos esperar.
Não tem nada de engraçado ver um rol de soundbites - como a reforma ao Sol, a Flórida da Europa ou as exportações representarem 50% do PIB - serem apresentadas como algumas das pedras-chave da política do governo para esta área. Ainda menos, acompanhadas da deselegância profunda de mandar umas bocas sobre a "opulência" encontrada, ao mesmo tempo que tenta justificar o salário de uma nova "super" chefe de gabinete. Se já estávamos conversados sobre as políticas, ficámos agora conversados sobre o estilo que podemos esperar.
Entre a frigideira e o fogo
Temos um número crescente de países a ter de diminuir o nível de dívida utilizado (pública e privada, embora esta última nunca esteja nos radares políticos e noticiosos), depois de décadas de excessos e da necessidade de conter a crise financeira global de 2008. O "bom caminho", elogiado por quem insiste numa concepção mesquinha da economia, é representado pela austeridade - diminuir a dívida através de cortes na despesa do estado e das famílias e as comparações com um orçamento familiar pululam por aí, sempre num tom muito educativo. De facto, se o nível de receita e despesa no meu orçamento familiar estiver desequilibrado, eu posso cortar a despesa até chegar ao equilíbrio, sem levar em conta o impacto que esse corte terá na parte da receita. Já quando temos uma contracção simultânea na despesa de todos os agentes (estado incluído), não é difícil perceber que isso tem um impacto na economia, isto é, nos rendimentos de toda a gente. Daí o paradoxo que se verifica quando todos os agentes aumentam simultaneamente a sua taxa de poupança: a taxa de poupança sobre o rendimento, de facto, diminui. Ou seja, a austeridade, quando aplicada de uma forma cega e moralista, corre o sério risco de nos tornar a todos mais pobres e tão ou mais endividados do que estávamos quando iniciámos o processo.
Temos, assim, uma dívida insustentável e uma solução que, pelo seu radicalismo, tende a piorar o problema. Deixarmos que surjam taxas de inflação mais altas (uma heresia só comparável a defender que o estado tem um papel a desempenhar na economia), pode bem vir a ser a única solução que nos resta. Mas isso implicaria uma reformulação total das actuais instituições europeias.
Temos, assim, uma dívida insustentável e uma solução que, pelo seu radicalismo, tende a piorar o problema. Deixarmos que surjam taxas de inflação mais altas (uma heresia só comparável a defender que o estado tem um papel a desempenhar na economia), pode bem vir a ser a única solução que nos resta. Mas isso implicaria uma reformulação total das actuais instituições europeias.
22 Jul 2011
E agora, Europa?
A União Europeia poderá ter comprado algum tempo com a cimeira de ontem. A demonstração de unidade e de vontade em enfrentar o problema é, por incrível que pareça, uma novidade. O facto de vir tarde, e desse atraso ter custos muito significativos (entre os quais a necessidade de realizar uma intervenção externa em Portugal), não faz com que esta resposta deixe de ser uma boa notícia.
No entanto, e muito ao jeito destas cimeiras, há respostas fundamentais que não foram dadas. Para que o fundo europeu funcione como uma barreira de protecção a países como Espanha e Itália, vai precisar de bolsos bem fundos, à semelhança do que aconteceu com o TARP. Estão os países europeus (com a Alemanha à cabeça) na disposição de desembolsar os fundos necessários? O ignorar do impacto de uma potencial declaração de um evento de crédito na Grécia (bem como a promessa de este ser o último pacote de ajuda) também parecem ser consequência do wishful thinking que muitas vezes domina os corredores de Bruxelas.
Ainda assim, os mercados parecem estar, para já, a dar o beneficio da dúvida à solução apresentada. Convinha que este fosse usado para tentarmos resolver alguns dos problemas de arquitectura institucional que são causa, tanto do problema, como da incapacidade de resposta até agora. A redefinição do papel do BCE, passos progressivos de harmonização fiscal e uma visão global, e não país a país, dos desequilíbrios existentes, são essenciais para que o tempo da União Europeia não venha a ter um fim abrupto.
No entanto, e muito ao jeito destas cimeiras, há respostas fundamentais que não foram dadas. Para que o fundo europeu funcione como uma barreira de protecção a países como Espanha e Itália, vai precisar de bolsos bem fundos, à semelhança do que aconteceu com o TARP. Estão os países europeus (com a Alemanha à cabeça) na disposição de desembolsar os fundos necessários? O ignorar do impacto de uma potencial declaração de um evento de crédito na Grécia (bem como a promessa de este ser o último pacote de ajuda) também parecem ser consequência do wishful thinking que muitas vezes domina os corredores de Bruxelas.
Ainda assim, os mercados parecem estar, para já, a dar o beneficio da dúvida à solução apresentada. Convinha que este fosse usado para tentarmos resolver alguns dos problemas de arquitectura institucional que são causa, tanto do problema, como da incapacidade de resposta até agora. A redefinição do papel do BCE, passos progressivos de harmonização fiscal e uma visão global, e não país a país, dos desequilíbrios existentes, são essenciais para que o tempo da União Europeia não venha a ter um fim abrupto.
14 Jul 2011
Era bom
O impasse domina a actualidade, tanto na resolução da crise de dívida soberana na União Europeia, como no aumento do tecto de dívida nos EUA. Qualquer um destes problemas tem consequências sistémicas que, honestamente, ninguém pode prever.
Era bom que não estivéssemos todos, dentro de poucos meses, a perguntar como foi possível tamanha irresponsabilidade de tantos ao mesmo tempo. Até porque, mesmo não sendo politicamente fáceis, as soluções existem. Manter o impasse é o que menos interessa a todos.
Era bom que não estivéssemos todos, dentro de poucos meses, a perguntar como foi possível tamanha irresponsabilidade de tantos ao mesmo tempo. Até porque, mesmo não sendo politicamente fáceis, as soluções existem. Manter o impasse é o que menos interessa a todos.
13 Jul 2011
Risco alto
Todos sabemos que, mais cedo ou mais tarde, a União Europeia vai ter de fazer uma escolha. As não-soluções que foram sendo apresentadas desde o início da crise grega foram sempre entendidas, por todos, como um sucessivo adiar do problema, até serem reunidas umas "fantasiosas" condições que nunca ninguém explicou quais seriam.
O tempo para continuar a adiar chegou ao fim. A mensagem que os investidores em dívida pública de países europeus fizeram passar durante as últimas duas semanas foi clara: a inacção europeia faz com que cada país da zona euro seja avaliado exclusivamente pela sua capacidade em cumprir o pagamento da respectiva dívida, ainda para mais num contexto de sinais visíveis de recuo no processo de integração a que assistimos nas últimas décadas.
No entanto, entre o desejo por uma solução e a capacidade de a realizar, há um bom número de obstáculos. O acordo de um número grande de países, com calendários eleitorais diversos, obriga a uma gestão para a qual já não existe tempo. Acresce que em parte desses países, a opinião pública foi bombardeada com a demagogia da dicotomia moral entre os virtuosos do Norte e os preguiçosos do Sul. Agora o discurso vai ter de ser totalmente invertido, alertando finalmente os eleitores para o facto de os custos de uma solução serem muito inferiores aos catastróficos custos de um desmantelar da zona euro (sim, é isso que está em causa). Só podemos esperar que não seja tarde demais.
O tempo para continuar a adiar chegou ao fim. A mensagem que os investidores em dívida pública de países europeus fizeram passar durante as últimas duas semanas foi clara: a inacção europeia faz com que cada país da zona euro seja avaliado exclusivamente pela sua capacidade em cumprir o pagamento da respectiva dívida, ainda para mais num contexto de sinais visíveis de recuo no processo de integração a que assistimos nas últimas décadas.
No entanto, entre o desejo por uma solução e a capacidade de a realizar, há um bom número de obstáculos. O acordo de um número grande de países, com calendários eleitorais diversos, obriga a uma gestão para a qual já não existe tempo. Acresce que em parte desses países, a opinião pública foi bombardeada com a demagogia da dicotomia moral entre os virtuosos do Norte e os preguiçosos do Sul. Agora o discurso vai ter de ser totalmente invertido, alertando finalmente os eleitores para o facto de os custos de uma solução serem muito inferiores aos catastróficos custos de um desmantelar da zona euro (sim, é isso que está em causa). Só podemos esperar que não seja tarde demais.
11 Jul 2011
Assis e a afectividade
«Repugna-me a ideia de que é possível transformar a vida política num imenso magma de afectividade, porque isso é a redução e a destruição da política. A política não é a dimensão do afectivo, isso é outra dimensão das nossas vidas. A política é a dimensão da discussão das ideias, do debate, da contraposição, das convergências e divergências em torno de projectos, de ideias e propostas»
Concordo muito com estas palavras de Francisco Assis, que fui buscar à notícia da TSF. E, já agora, outra coisa que me repugna é o aproveitamento que está a ser feito através de títulos enganadores, próprios de quem apenas vive do (e no) soundbite.
Concordo muito com estas palavras de Francisco Assis, que fui buscar à notícia da TSF. E, já agora, outra coisa que me repugna é o aproveitamento que está a ser feito através de títulos enganadores, próprios de quem apenas vive do (e no) soundbite.
8 Jul 2011
7 Jul 2011
É pena
Pensar dá imenso trabalho. Mais ainda quando corremos o risco de chegar à conclusão que estamos errados.
6 Jul 2011
Moody's
A Moody's diz, resumidamente, três coisas:
1) A deterioração da situação na Grécia pode vir a ter consequências graves para Portugal e continua a não existir uma solução sistémica por parte da Europa para o problema da crise de dívida soberana.
2) As medidas contidas no memorando de entendimento têm um elevado risco de execução e não é claro que tentem resolver no longo-prazo o principal problema da economia portuguesa: o fraco crescimento económico (no curto prazo, estas medidas são obviamente recessivas).
3) O grau de alavancagem do sistema financeiro português é uma potencial preocupação acrescida para as contas públicas portuguesas.
Tenho as maiores reservas relativamente ao actual papel das agências de rating no sistema económico global, nomeadamente em relação às profecias auto-realizáveis. Mas dizer que não existem argumentos para um corte de rating (a dimensão do corte é outra discussão) pertence à já típica estratégia do pensamento mágico.
1) A deterioração da situação na Grécia pode vir a ter consequências graves para Portugal e continua a não existir uma solução sistémica por parte da Europa para o problema da crise de dívida soberana.
2) As medidas contidas no memorando de entendimento têm um elevado risco de execução e não é claro que tentem resolver no longo-prazo o principal problema da economia portuguesa: o fraco crescimento económico (no curto prazo, estas medidas são obviamente recessivas).
3) O grau de alavancagem do sistema financeiro português é uma potencial preocupação acrescida para as contas públicas portuguesas.
Tenho as maiores reservas relativamente ao actual papel das agências de rating no sistema económico global, nomeadamente em relação às profecias auto-realizáveis. Mas dizer que não existem argumentos para um corte de rating (a dimensão do corte é outra discussão) pertence à já típica estratégia do pensamento mágico.
Coisas que deviam ser simples
Quando estamos anos a afirmar que a acção concreta de um governo (e em especial de uma pessoa) é a única causa de todos os males, não nos podemos depois queixar de sermos avaliados pela mesma bitola.
4 Jul 2011
Política
O tom de governo de salvação nacional a que assistimos no final da semana passada, durante o debate parlamentar sobre o programa do governo, era de esperar. Assenta particularmente bem às bancadas que formam a actual maioria, de repente imbuídas de um espírito de apelo à responsabilidade que, curiosamente, descobriram agora ser importante para o destino do país.
Mal estaria a oposição, e aqui refiro-me ao PS, se decidisse usar o mesmo tipo de tácticas (criadas pelo PSD, PR e outras forças vivas da nação) que levaram à queda do anterior governo e ao agravar significativo da crise em que estamos mergulhados.
No entanto, não faltava mais nada que se equivalesse a legitimidade para governar ao pedido de um comportamento por parte da oposição que, sob a capa de uma "posição responsável", significasse a anuência a todas as medidas que este governo pretenda implementar. Não só porque nem tudo foi sufragado em eleições - qual o custo eleitoral do corte do subsídio de Natal? -, como também porque se não existem grandes dúvidas sobre a necessidade de reduzir a despesa pública, a forma como esta redução será feita é tudo menos irrelevante. A unanimidade desejada por alguns é, cedo ou tarde, o pesadelo de todos. A "salvação nacional" só pode vir do confronto de ideias. Da Política, portanto.
Mal estaria a oposição, e aqui refiro-me ao PS, se decidisse usar o mesmo tipo de tácticas (criadas pelo PSD, PR e outras forças vivas da nação) que levaram à queda do anterior governo e ao agravar significativo da crise em que estamos mergulhados.
No entanto, não faltava mais nada que se equivalesse a legitimidade para governar ao pedido de um comportamento por parte da oposição que, sob a capa de uma "posição responsável", significasse a anuência a todas as medidas que este governo pretenda implementar. Não só porque nem tudo foi sufragado em eleições - qual o custo eleitoral do corte do subsídio de Natal? -, como também porque se não existem grandes dúvidas sobre a necessidade de reduzir a despesa pública, a forma como esta redução será feita é tudo menos irrelevante. A unanimidade desejada por alguns é, cedo ou tarde, o pesadelo de todos. A "salvação nacional" só pode vir do confronto de ideias. Da Política, portanto.
Subscribe to:
Posts (Atom)