4 May 2004

Iraque


Não me é fácil escrever sobre a ocupação americana do Iraque. A queda de uma ditador como Saddam Hussein é, invariavelmente, um motivo de alegria. Mas (cá vem a fatídica palavra...) toda a história desta invasão foi mal contada desde o início. Os episódios da "demonstração" na ONU da existência de WMD (com uma fantástica apresentação de powerpoint), a cimeira dos Açores em que se jurava a pés juntos a existência de provas fortes dessas mesmas WMD, são hoje episódios anedóticos que se manterão vivos durante muito tempo. Se existiu mentira nas razões que implicaram a invasão de um país, a invasão em si também não parece estar a correr propriamente bem. Os EUA são cada vez mais vistos como país invasor e não como libertador. Os acontecimentos de Falujah e o recente escândalo da tortura de iraquianos às mão de tropas da coligação só vêm dar uma mão a quem apoia a visão de esta operação estar a ser conduzida contra os iraquianos e não por eles.



Tudo isto me preocupa. Porque sei bem onde está o "meu" lado - o lado das democracias ocidentais. Quando nos encontramos numa situação de elevadíssima tensão civilizacional, é muito mau perdermos a razão. E é exactamente isso que a desastrada invasão do Iraque (e já agora o apoio incondicional dos EUA às políticas de Ariel Sharon face à Palestina) pode acarretar.

Entendo que é necessário (diria mesmo vital) lutar contra o terrorismo. Existe uma facção de extremismo islâmico com a qual não poderemos conversar, não se conversa com quem tem como único objectivo o extermínio da nossa civilização. Mas ainda ninguém me conseguiu explicar porque é que invadir o Iraque, ainda por cima com razões que se vieram a provar falsas, vai ajudar nesta luta.

Actualização: grande tira do Bartoon aqui.

Nem mais




Sem querer, parece-me, Luís Afonso acerta em cheio na definição da relação do Sporting com os seus adeptos.

3 May 2004

It gives me great pleasure to announce...


Um murdering bastard na blogosfera. Responde pelo nome de Burro Amarrado. Como em tantas outras coisas na vida, aqui o nome engana: a corda não está presa a lado nenhum.

Bem-vindo à blogosfera, Burro. Inauguras, com todo o mérito, a rubrica Amigos nos links alí à direita. Boa sorte para a Initial Public Offering.

A prioridade


Devem doer como tudo, ao governo PSD/PP, as recentes divulgações do relatório do Banco de Portugal sobre o défice orçamental. Ficámos então a saber que, mesmo descontando os efeitos do abrandamento económico e do retirar da esfera orçamental de parte significativa dos custos hospitalares (com a transformação destes em S.A.’s), o governo PSD/PP conseguiu a proeza de ser mais despesista do que os governos Guterres (4,4% a 4,3% de défice orçamental em 2003, pior que os 4,1% de 2001).
Isto é, o défice não pára de aumentar. Isto é, a tão propalada contenção, rigor, etc. equivale a propaganda e a páginas de publicidade pagas nos jornais. Isto é, a Manelinha parece estar a falhar redondamente. Para quem tinha anunciado a estabilização financeira como prioridade máxima…

Se nas Finanças a coisa está complicada, na Economia não se está muito melhor. A manchete de hoje do Diário Económico fala-nos de como o dossier Galp foi retirado (é esta a expressão) ao Ministro da Economia, o triste Carlos Tavares, e entregue (tremam!!) a Morais Sarmento, para que não suceda à Galp o que sucedeu ao dossier Portucel. As buscas para tentar encontrar um dossier que Carlos Tavares tenha efectivamente resolvido continuam, embora as esperanças diminuam a cada instante…

Serviço completo




Esta é, provavelmente, a época em que o meu clube mais me envergonhou. Não é uma afirmação de ânimo leve quando se é sportinguista. Fernando Santos torna-se dramático na calma e sensação de normalidade que consegue transmitir após os desaires mais inacreditáveis dos quais ele é o principal (ia escrever único mais lembrei-me do Paixão) responsável.

O Sporting foi humilhado na taça UEFA. O Sporting foi humilhado na Taça de Portugal. Faltava a Superliga. Já está: três derrotas consecutivas a quatro jogos do fim do campeonato.

Desesperante, mesmo desesperante, é sair de um Sporting-Benfica derrotado e não conseguir estar furioso com os lampiões. Porque eles não tiveram praticamente nada a ver com terem ganho este jogo.

Não, desculpem. Desesperante é saber que Fernando Santos vai continuar a ser treinador do Sporting Clube de Portugal na próxima época.

PS: inaceitável o comportamento dos grunhos da Juventude Leonina que invadiram o campo. Contra mim falo, mas espero bem os primeiros jogos do Sporting no próximo campeonato sejam em casa emprestada. E, se não for pedir muito, que a direcção do SCP retire definitivamente qualquer apoio prestado a tais criaturas.

30 Apr 2004

A compostura


Muitos lhe vaticinaram um triste destino como Ministro de Estado e da Defesa. Conhecendo o Paulo Portas truculento, espalhafatoso, director de jornal de escândalos, era difícil imaginá-lo numa pose de Estado, serena, digna. No entanto, o "Paulinho das feiras" surpreendeu tudo e todos, mantendo-se distante das quezílias, adoptando um estilo muito mais sereno e, claro, pondo em prática muito do que andou a condenar durante anos na casse política.

Mas, sinceramente, parece-me que esse tempo passou. Voltamos à história do escorpião e do sapo. Até podemos lutar contra a nossa natureza mas esta acaba por ganhar.

Os episódios da pastilha elástica no desfile militar e a apoplexia nervosa que hoje ia tendo em pleno parlamento, mostram-nos o Portas que conhecíamos, com a sua aura de arrogância e difícil convivência com a democracia. Está-lhe a estalar o verniz. Já não era sem tempo.

Tarantino in love




Impressionante a forma como filma Uma Thurman.

Actualização: leiam este post do Babugem.

29 Apr 2004

Um clássico da blogosfera


Não faço ideia porquê, mas alguém veio parar aqui com a seguinte pesquisa no Yahoo Brasileiro: animal mating pictures

Não. Aqui não temos. Mas podem contactar os Marretas. Pode ser que o Animal vos arranje qualquer coisa...

Actualização: parece que foi por causa do post sobre o rinoceronte demasiado amigável. Está explicado.

Parem as rotativas!


Finalmente a resposta a uma questão que me andava a apoquentar há algum tempo.

ALARGAMENTO
Bandeira da União Europeia não vai ter mais estrelas
A bandeira da União Europeia não vai ter mais estrelas, para além das 12 já existentes. Desta forma, os dez novos países, que vão aderir à UE no dia 01 de Maio, não vão ter direito a uma estrela dourada na bandeira azul.

in TSF. Resto do artigo aqui.

Hoje é dia de...



O eterno optimista


Pode parecer incrível, mas o comportamento da selecção nacional nestes jogos de preparação não tem nada a ver com ir (ou não ir) à bruxa. Há pelo menos duas boas razões que explicam a súbita falta de jeito para jogar à bola. A primeira prende-se com a famosa táctica de baixar as defesas dos adversários. Por esta altura já ninguém (mesmo ninguém!) tem receio de jogar contra Portugal. A segunda razão é apenas gestão de relacionamento entre a equipa e os adeptos e é daquelas win-win situations: se perdermos, já ninguém se espanta depois destes jogos. Se ganharmos imaginem a festa que vai ser.

Eu nem quero pensar o que custou ao Ricardo deixar entrar aquela bola. Posso imaginar até a frase dita pelo companheiro de selecção, que se aproxima pouco depois: “Vá Ricardo, não te esqueças que é um frango por Portugal!”. Figo, no momento do remate, lágrima furtiva ao canto do olho, pensando: “Tens de acertar no guarda-redes, não podes falhar o guarda-redes!”. Já ao Rui Jorge não custou nada. Foi só seguir na maré de azar.

28 Apr 2004

Siga o blog


Escrever no Serras em Abril significou reencontrar-me com o pensar sobre política, tema afastado desde os tempos da Faculdade. Com tanto prazer no reencontro que as “postas” saíram em catadupa, quase sem interrupção. Com toda a emoção que o tema Abril sempre implicou para mim. Propositadamente com toda a emoção.

Hoje releio o blog e penso que é excessivo. Ainda bem. De moderação já estou bem servido, obrigado.

Quero, agora, que os temas se alarguem mas o sentimento continue. Bloguemos, então.

27 Apr 2004

Reflexões sem tempo


É o título de um texto que escrevi e redescobri agora. Foi escrito por ocasião do 25 de Abril de 1995 (há 9 longos anos portanto) e publicado num jornal universitário bastante sui generis, intitulado Nova Opinião.

Trancrevo-o aqui pela ligação feita entre evolução e revolução, mais actual agora do que então. E porque, perdoando alguma da exaltação, da má escrita e dos pormenores próprios da época, me revejo no texto que escrevi há 9 anos.

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Reflexões sem tempo

Revolução: transformação, mudança profunda, progresso intensivo segundo um dos muitos dicionários da língua portuguesa. Odiada por muitos, amada por poucos, acima de tudo, não deixa ninguém indiferente e nada incólume.
Foi e continuará a ser a única maneira de mudar, alterar, transformar e, muitas das vezes acabar, arrasar, destruir, tudo o que oprime o homem e a liberdade. Dir-me-ão que tudo isto envolve sangue, mortes e injustiças e que muitas vezes as revoluções tiram mais do que dão liberdade, a estabilidade económica e os climas de confiança e tudo isso. Tudo isso me lembra uma frase inicial de um discurso que li em quaquer lado: “A revolução não é um estado de coisas permanente e não podemos permitir-lhe que assim queira continuar. A corrente da revolução desencadeada deve ser conduzida pelo canal da evoluçao.” Politicamente correcta, não é? Foi dita a 6 de Julho de 1933 por Adolfo Hitler a filas de homens todos perfilados e impecavelmente fardados. Ficariam conhecidos na generalidade por NAZIS. E foi o que se viu.
Que dizer do espancamento de pessoas metódica e eficazmente, sejam estudantes ou operários, porque estão a exercer o seu direito constitucionalmente garantido de manifestação? Que dizer de um SIS que sem qualquer tipo de controlo, investiga dirigentes associativos e sindicais? Que dizer das pensões dadas a ex-PIDE’s (leia-se assassinos e torturadores) por valorosos serviços prestados à nação? Que dizer de uma lei de imprensa (recentemente aprovada na A.R.) cujo único propósito é defender os podres poderes estabelecidos? Que dizer da libertação de bombistas assassinos logo após a “normalização democrática”? Que dizer da fome e miséria que cada vez mais alastram nas ruas das nossas cidades?
Para mim, todas as estruturas da velha senhora continuam a existir ou estão em claro processo de branqueamento e reabilitação, embora com nomes diferentes. E isto, enquanto nós em democracia vamos dando maiorias absolutas a quem demonstra que nada mais sente do que um profundo desprezo por quem lhe deu esse poder. O que faz falta, meus amigos, é uma verdadeira revolução. De mentalidades.
Almada Negreiros disse uma vez: “Um povo perfeito tem todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades!”. Olhando para o estado das coisas, vejo-me obrigado a concordar. Somos uns boçais.
Mas e porque ainda há quem grite “revoltem-se, foda-se!” decidi não desistir. Nunca desistir.

Já somos três


26 Apr 2004

Nem só de liberdade se faz Abril


26 de Abril de 1937. A divisão Condor, da força aérea alemã, destruía Guernica, a pedido do General Franco. O génio de Picasso tornou impossível o esquecimento.

25 Apr 2004

Espaço de Sonho


No dia 25 de Abril de 1974 eu ainda não tinha nascido. O meu Abril, aquele
que me formou, foi criado pelos meus pais, pelos valores que me
transmitiram, pela festa que faziam sempre que se comemorava o Dia da
Liberdade.
Lembro, com demasiada saudade, os ramos de cravos vermelhos com que a minha
mãe enchia a casa, estivéssemos ou não, em Abril. Lembro quando me mostraram
a voz quente do Fernando Tordo a cantar a poesia de José Carlos Ary dos
Santos: “O povo não é livre em águas mornas / Não se abre a Liberdade com
gazuas”. Lembro-me de ouvir, com eles, vezes sem conta, Zeca Afonso, exemplo
máximo dos trovadores de Abril. Talvez por isso, ainda hoje me sinta um
“Filho da Madrugada”.
O 25 de Abril é, para mim, um espaço emocional, porque não o vivi. Um espaço
de sonho, de inocência, de acreditar que tudo é possível. O primeiro
momento, o momento fundador, de todos os ideais em que acredito. Liberdade.
Democracia. Solidariedade. Paz.
Neste dia, 25 de Abril de 2004, quero dizer obrigado e prestar homenagem aos
militares que souberam dizer basta. E aos meus pais por terem criado, para
mim que só nasci depois, esse espaço de sonho.

24 Apr 2004

Para não se apagar a chama


Hoje, dia 24 de Abril, deixo a letra da canção de Zeca Afonso de que mais gosto. Somos, de uma forma ou de outra, todos filhos da madrugada. Da madrugada que aí vem dentro de umas horas.

Canto Jovem

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegámos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa moira encantada
Vira a proa da minha barca

José Afonso

23 Apr 2004

Também para eles


Sim, o 25 de Abril também foi feito para que pessoas assim possam dizer à boca cheia alarvidades destas.

Segundo Luís Champalimaud, ex-presidente da Mundial Confiança e filho de António Champalimaud, agora em Portugal "vive-se à custa de Bruxelas e da venda de empresas 'roubadas'". Ficamos a saber ainda que "tudo foi feito de novo [a partir do 25 de Abril], mas o modelo não permite a criação de riqueza. Agora distribuem-se as reservas. E quando acabar, apaga-se a luz?". Podem encontrar estes e outros interessantes comentários no Jornal de Negócios de hoje (não encontrei um link para a notícia).

O sistema actual não permite a criação de riqueza.... É uma boa afirmação para quem vendeu, em 2000, e por 300 milhões de contos, o grupo financeiro Mundial Confiança, com uma mais-valia gigantesca.

And now for something completely different (II)


Ou Serras National Geographic. Obrigado Casper pelo link.

Rhino gets amorous with car

Thursday, April 22, 2004 Posted: 1316 GMT (2116 HKT)
LONDON, England (Reuters) -- A rampant rhinoceros gave a group of visitors a glimpse of nature in the raw at a British safari park when he tried to have sex with their car.
Sharka, a two-ton white rhino, got amorous with Dave Alsop's car when he stopped with three friends to take pictures of the animal mating with his partner Trixie at the West Midland Safari Park.
The 12-year-old rhino tried to mount the Renault Laguna from the side, denting the doors and ripping off the wing mirrors before Dave drove away with a puffing Sharka in pursuit.
"He was a big boy and obviously aroused," Alsop told the Sun newspaper on Thursday.
"He sidled up against us. The next thing I know he's banging away at the car and it's rocking like hell."
A spokeswoman for the park, which says "rhinos are not particularly intelligent animals" on its Web site, said Sharka was a hit with the female rhinos and had fathered two calves in the last five years.
"He's got a bit of a reputation this lad and he was obviously at it again," she added.


Mas pensando bem.... Um "not particularly intelligent animal" que fode o objectivo errado... Podia ser o George W!