15 Mar 2004
Preciso de sistematizar
Não vou na conversa de que os culpados dos ataques em Madrid são o grupo das Lages, mais propriamente José Maria Aznar, por invadir o Iraque ou apoiar os EUA. Os ataques em Madrid são obra de gente criminosa, de monstros. Se calhar, o maior desafio que vamos enfrentar nos próximos anos é combater esta ameaça (terrorismo/fundamentalismo islâmico).
Não me parece que a vitória do PSOE seja a vitória do Bin Laden. Porque não é a vitória do medo. Porque perante as 72 horas vergonhosas do governo PP, na forma como tentaram utilizar um acto terrorista para ganharem dividendos eleitorais (mesmo que estes viessem na forma de não perderem as eleições), tirá-los do poder era uma questão de dignidade. E aquilo que as pessoas não perdoam são as atitudes indignas.
Assusta-me (como a todos, suponho) a leitura que grupos terroristas possam ter deste acto (embora eu acredite que o lêem erradamente se pensarem que o voto dos espanhóis é de cedência).
Quer alguma blogosfera queira, quer não, é sempre bom ver mentirosos a serem punidos. Principalmente quando se arvoram a moralistas do sistema. Por isso, entendo algumas das reacções "começou a limpeza". Eu também ainda estou à espera que o Primeiro-Ministro do meu país venha mostrar as provas das WMD no Iraque. E não, desculpem lá, mas não é uma questão menor. E, desculpem lá outra vez, mas é um assunto diferente de se o Iraque está ou não melhor. Ou os fins justificam os meios? E já agora, eu acho que o Iraque (e principalmente os iraquianos) estão melhor na situação actual do que na anterior.
Gostei de ver, mas pode ser apenas uma esperança minha, que a ETA e o seu "terrorismo romântico" granjeia hoje bastante menos adeptos do que há uns anos atrás. Era horrível ter de assistir a argumentos do género, "eles são terroristas com responsabilidade", "avisam antes", "não matam as classes trabalhadoras", and so on, and so on.
Zapatero e a posição sobre as tropas no Iraque... admito que seja difícil dado a questão dos incentivos aos terroristas. Mas pensem. O PP foi derrotado por mentir e assumir comportamentos dúbios. O PSOE é eleito e a primeira medida que toma é revogar uma promessa eleitoral, ligada ao assunto terrorismo/apoio ao George W., e repetida vezes sem conta. Não faz sentido, pois não?
continua...
Aeroporto FSC
Forçado a deslocar-me ao Porto nestas últimas semanas em trabalho, tenho utilizado o Aeroporto Francisco Sá Carneiro (deve ser JFK versão tuga). Não há palavras para descrever o recinto... Com o devido respeito, parece que acabámos de aterrar na Twilight Zone e não num aeroporto internacional.... Na Quinta-feira, chovia a potes (o que não é acontecimento raro na Invicta). Difícil, difícil era não tropeçar nos inúmeros baldes que tentavam, de mau grado, colher a água das inúmeras goteiras!
12 Mar 2004
Obsceno
Leio, na blogosfera portuguesa, polémicas, comparações, escolhas selectivas para comparar isto ao que se passa em Israel ou na Palestina. O bom senso desaparece. Há pessoal tão imerso nas suas pequenas questiúnculas, tão absorvido a masturbar-se que não se apercebe do obsceno que é introduzir mas, encontrar culpados na administração Bush, ou aproveitar para cascar no Bloco de Esquerda.... Deviam ser apenas ridículos. Mas a capacidade de se odiarem num momento destes torna-os obscenos.
11 de Março
Mais um dia de formação no Porto. Às 7h50 já estou no aeroporto para apanhar o avião. O detector de metais está especialmente sensível hoje. Tenho de tirar o relógio. Depois o cinto. Depois os sapatos. Lá acabo por conseguir passar. Penso que é estranho, que não costuma estar tão sensível. Não me apercebo, ainda não sabia... Às 11 horas, no intervalo da formação ligo para o escritório. Todas as bolsas caem. É aí que o Rui me diz. Mais de 100 mortos. Comboios. Madrid. Passo o resto do dia a pensar, Madrid é tão minha cidade como o Porto, como Coimbra, pertence ao meu país. Só cheguei a Lisboa há pouco. Só vi as imagens agora. Porquê? Para quê? Choca-me a falta de humanidade, choca-me a irracionalidade, choca-me a injustiça, choca-me! Choca-me! Porra. Podia estar a escrever até amanhã. Os nomes dos mortos, o nome da família dos mortos, todos os nossos nomes, somos todos que estamos ali.
10 Mar 2004
Bem prega frei Tomás
É sempre um bom dia quando moralistas de alcova são expostos.
Abstinência Não Evita Doenças Sexualmente Transmissíveis
Por AP
Quarta-feira, 10 de Março de 2004
São adolescentes norte-americanos, defendem a abstinência sexual e a virgindade até ao casamento - uma teoria que o Presidente George W. Bush também apoia -, mas têm índices de contágio de doenças sexualmente transmissíveis (DST) muito semelhantes aos que têm vida sexual activa.
As conclusões foram ontem apresentadas, em Filadélfia, num congresso sobre DST. O estudo concentrou-se sobre a vida sexual de 12 mil adolescentes, entre os 12 e os 18 anos. Segundo os dados, os jovens que defendem a abstinência atrasam o início da sua vida sexual até ao momento em que contraem matrimónio, casam mais cedo, têm menos parceiros, mas nem por isso estão protegidos de uma infecção. Foi o que os autores confirmaram, seis anos depois, quando voltaram a inquirir os mesmos adolescentes.
As estatísticas de DST entre estes jovens e os que têm vida sexual activa são semelhantes, dizem os investigadores. O estudo refere que a taxa de infecção de DST entre adolescentes brancos abstinentes é de 2,8 por cento e de 3,5 para os sexualmente activos. Entre os hispânicos é de 6,7 para 8,6 por cento. Entre os jovens negros a taxa é de 18,1 para os abstinentes e 20,3 para os outros. E, por fim, entre os asiáticos, os defensores da virgindade têm uma média mais alta que os outros: 10,5 contra 5,6 por cento.
Do ponto de vista estatístico, os números são iguais para os dois grupos, defende Peter Bearman, da Universidade de Columbia, co-autor do inquérito com Hannah Bruckner, de Yale.
O problema, refere o estudo, é que os defensores da virgindade usam menos preservativos do que os outros. "A mensagem é simples: Dizer 'não' pode funcionar a curto prazo, mas não a longo", declara Peter Bearman.
Assim que as primeiras conclusões do estudo chegaram a público, os críticos à abstinência levantaram-se na defesa dos benefícios da educação sexual nas escolas. Afinal, os miúdos que têm vida sexual activa usam preservativo, argumentam. "É uma tragédia quando sonegamos informação aos jovens sobre como se pode apanhar uma DST ou engravidar", lamenta Dorothy Mann, directora executiva da associação de planeamento familiar norte-americana.
in Publico
9 Mar 2004
Não é a origem o importante
Bem sei que sou novinho - ó para mim a passar-me atestados desculpabilizantes - mas já cheguei à conclusão de que são raras as vezes em que encontramos a beleza. Sublime. O pormenor deslumbrante. Foi assim com os lábios da Scarlett Johansson. E agora o Glória Fácil revela-nos isto. Que aquela boca não é obra da grande pool genética, do acaso, da ínfima probabilidade (que gera tanta esperança, tanta!), mas sim de mãos habilidosas e silicone! Que, se querem que vos diga, me parecem tão meritórios quanto a tal pool genética. Em resumo, é pena, sim but who wants it to be perfect?
Ridículo!! E daí...
ABORTO
Taiwan quer pedido de desculpas da SOS Vida
Depois da divulgação de panfletos anti-aborto pela SOS Vida, o representante de Taiwan em Portugal exige um pedido de desculpas por parte da associação, além de uma declaração por parte do Governo português.
in TSF
Comecei por me rir.... É daquelas situações em que mais vale estar calado. Mas depois, pera aí..., de facto... ter o meu nome referenciado num panfleto de uma organização que produz coisas destas.... Dasse! Tem toda a razão!! Qual pedido de desculpas qual quê... Processo em cima já!
3 Feb 2004
Uma grande amiga minha conseguiu um emprego, depois de estar um ano e meio desempregada. Empreendedora, criativa e excelente profissional, criou uma empresa na tech bubble que, infelizemnte, não sobreviveu ao corte de investimento das empresas de telecomunicações portuguesas. Depois é a saga do costume em Portugal: tudo é brutalmente moroso, tudo é esmagadoramente ineficiente... Quando se viu livre dos trabalhos da empresa, estávamos mergulhados em plena recessão.
Agora, correndo o risco de soar a Luís Delgado, temos aí a luz ao fundo do túnel?
Agora, correndo o risco de soar a Luís Delgado, temos aí a luz ao fundo do túnel?
... so simple
Gostei. Aquele pedido final dela - "I'm just a girl, standing in front of a boy, asking him to love me..." - tão simples, tão directo. Às vezes, são as coisas mais simples que nos relembram o essencial.
30 Jan 2004
Cancro revisited
Morre o pai de um amigo do trabalho. Fígado. Cancro. Descobriu na Quinta-feira passada. Durou um pouco mais de uma semana, da descoberta, até à consequência da descoberta. Gelo só de relembrar o que ele está sentir, a injustiça, a impotência. Cancro. Fígado. Uma semana. É sempre perturbante olhar o destino nos olhos.
9 Dec 2003
Alma de Poeta
Anseio pelo regresso da tua escrita...
MEIO POETA
«No dia em que Mônica e Otávio voltaram da lua-de-mel, Mônica chegou na casa dos pais e se trancou no quarto com a mãe. Precisava contar uma coisa e não queria que o pai ouvisse.
- O Otávio é poeta, mamãe.
A mãe levou as mãos à boca.
- Minha Virgem Santíssima!
Depois perguntou:
- Como você descobriu?
- Na primeira noite. A lua estava cheia. Ele fez umas frases sobre a luz da lua no meu corpo.
- Mas você tem certeza que era poesia? Rimava?
- Não rimava, mas era poesia. Ele mesmo disse, mamãe! Eu perguntei “O que é isso?” e ele respondeu “Eu sou meio poeta”.
- Bem que seu pai desconfiou...
- Você acha que devemos contar ao papai?
- É claro. E agora.
O pai disse “Eu sabia” e determinou que chamassem Otávio para se explicar. Mônica disse que Otávio ficara de buscá-la ali depois do trabalho. Os três esperaram a chegada de Otávio. A mãe, temendo algum excesso do pai, tentou amenizar a situação:
- Ele disse que é só “meio” poeta...
O pai não disse nada. Quando soou a campainha da porta, mandou que a filha fosse para o quarto. Otávio cumprimentou os sogros efusivamente - era a primeira vez que os via depois da festa do casamento - , mas logo percebeu a frieza deles.
- O que foi? - perguntou.
- Você não nos contou que era poeta - disse o pai.
- Mas eu não...
- Não adianta negar. A Mônica nos contou. Você pensou que ela não nos contaria?
- Mas foi só um...
- Sei. Um poeminha. É assim que começa. Um versinho hoje, um versinho amanhã. Não demora você estará fazendo poemas épicos, odes a qualquer coisa, diariamente. Já vi acontecer. Acabará abandonando o emprego, roubando a mesada da minha filha, para sustentar o hábito.
- Mas eu...
- Você vai dizer que pode parar quando quiser. É o que todos dizem.
- Meu filho - interveio a mãe, aflita -, você não se dá conta do mal que a poesia pode fazer? Há quanto tempo você...
- Não interessa - interrompeu o pai - O que ele fez antes não nos interessa. Mas agora está casado. Tem responsabilidades, tem que trabalhar para manter a família. Está num ramo competitivo, não pode facilitar. Eu sei, eu sei. A poesia é tentadora. Eu mesmo, na mocidade, fiz meus sonetos...
- Eurico!
- Nunca lhe contei isto, Marta, mas fiz. Felizmente tive um pai que me orientou e parei a tempo. A Mônica foi criada sem qualquer poesia. Qualquer sugestão de métrica, nós reprimíamos. E sempre a alertamos contra os poetas.
- Será - sugeriu a mãe - que não existe um programa de reabilitação? Alguém com quem você possa se aconselhar... Mais uma vez o pai a interrompeu.
- A decisão tem que ser sua, Otávio. E tem que ser agora. Você compreende que não podemos deixar a Mônica sair desta casa, onde sempre teve toda a segurança, para viver com um poeta. Não nos dias de hoje. Faça a sua escolha. A Mônica, uma família, uma vida normal... ou a poesia.
Otávio jurou que abandonaria a poesia para sempre, a Mônica foi chamada, os dois foram para o apartamento novo, Mônica um pouco desconfiada. Otávio ouvindo a advertência, na saída: “Olhe lá, hein?”
Hoje, sempre que fala com Mônica pelo telefone, a mãe pergunta:
- E o Otávio?
- Está bem, mamãe.
- Nunca mais...
- Nunca.
Às vezes, quando a família está toda reunida, Otávio diz umas coisas que provocam troca de olhares entre os outros e a suspeita de uma recaída. Depois a Mônica assegura que aquilo não é poesia, é só o jeito dele. Mas seu Eurico e dona Marta vivem preocupados com a filha. Nas noites de lua cheia, então, dona Marta nem consegue dormir direito.»
[Luís Fernando Veríssimo, Revista de Domingo, Jornal do Brasil, 25/4/93
Obrigado ao Crónicas Matinais
MEIO POETA
«No dia em que Mônica e Otávio voltaram da lua-de-mel, Mônica chegou na casa dos pais e se trancou no quarto com a mãe. Precisava contar uma coisa e não queria que o pai ouvisse.
- O Otávio é poeta, mamãe.
A mãe levou as mãos à boca.
- Minha Virgem Santíssima!
Depois perguntou:
- Como você descobriu?
- Na primeira noite. A lua estava cheia. Ele fez umas frases sobre a luz da lua no meu corpo.
- Mas você tem certeza que era poesia? Rimava?
- Não rimava, mas era poesia. Ele mesmo disse, mamãe! Eu perguntei “O que é isso?” e ele respondeu “Eu sou meio poeta”.
- Bem que seu pai desconfiou...
- Você acha que devemos contar ao papai?
- É claro. E agora.
O pai disse “Eu sabia” e determinou que chamassem Otávio para se explicar. Mônica disse que Otávio ficara de buscá-la ali depois do trabalho. Os três esperaram a chegada de Otávio. A mãe, temendo algum excesso do pai, tentou amenizar a situação:
- Ele disse que é só “meio” poeta...
O pai não disse nada. Quando soou a campainha da porta, mandou que a filha fosse para o quarto. Otávio cumprimentou os sogros efusivamente - era a primeira vez que os via depois da festa do casamento - , mas logo percebeu a frieza deles.
- O que foi? - perguntou.
- Você não nos contou que era poeta - disse o pai.
- Mas eu não...
- Não adianta negar. A Mônica nos contou. Você pensou que ela não nos contaria?
- Mas foi só um...
- Sei. Um poeminha. É assim que começa. Um versinho hoje, um versinho amanhã. Não demora você estará fazendo poemas épicos, odes a qualquer coisa, diariamente. Já vi acontecer. Acabará abandonando o emprego, roubando a mesada da minha filha, para sustentar o hábito.
- Mas eu...
- Você vai dizer que pode parar quando quiser. É o que todos dizem.
- Meu filho - interveio a mãe, aflita -, você não se dá conta do mal que a poesia pode fazer? Há quanto tempo você...
- Não interessa - interrompeu o pai - O que ele fez antes não nos interessa. Mas agora está casado. Tem responsabilidades, tem que trabalhar para manter a família. Está num ramo competitivo, não pode facilitar. Eu sei, eu sei. A poesia é tentadora. Eu mesmo, na mocidade, fiz meus sonetos...
- Eurico!
- Nunca lhe contei isto, Marta, mas fiz. Felizmente tive um pai que me orientou e parei a tempo. A Mônica foi criada sem qualquer poesia. Qualquer sugestão de métrica, nós reprimíamos. E sempre a alertamos contra os poetas.
- Será - sugeriu a mãe - que não existe um programa de reabilitação? Alguém com quem você possa se aconselhar... Mais uma vez o pai a interrompeu.
- A decisão tem que ser sua, Otávio. E tem que ser agora. Você compreende que não podemos deixar a Mônica sair desta casa, onde sempre teve toda a segurança, para viver com um poeta. Não nos dias de hoje. Faça a sua escolha. A Mônica, uma família, uma vida normal... ou a poesia.
Otávio jurou que abandonaria a poesia para sempre, a Mônica foi chamada, os dois foram para o apartamento novo, Mônica um pouco desconfiada. Otávio ouvindo a advertência, na saída: “Olhe lá, hein?”
Hoje, sempre que fala com Mônica pelo telefone, a mãe pergunta:
- E o Otávio?
- Está bem, mamãe.
- Nunca mais...
- Nunca.
Às vezes, quando a família está toda reunida, Otávio diz umas coisas que provocam troca de olhares entre os outros e a suspeita de uma recaída. Depois a Mônica assegura que aquilo não é poesia, é só o jeito dele. Mas seu Eurico e dona Marta vivem preocupados com a filha. Nas noites de lua cheia, então, dona Marta nem consegue dormir direito.»
[Luís Fernando Veríssimo, Revista de Domingo, Jornal do Brasil, 25/4/93
Obrigado ao Crónicas Matinais
5 Dec 2003
Se estamos todos de acordo...
Mas se até o cromo do Telmo Correia é contra a condenação de mulheres que fazem abortos, porque é que não se despenaliza a IVG de uma vez por todas?
4 Dec 2003
Jingle Bells, Jingle Bells...
Pela primeira vez dou por mim a querer uma árvore de Natal lá em casa. E preocupado com os enfeites de Natal... Árvore artificial sim, mas simbólica ou o mais próxima possível da realidade? Bolas de que cor? Fitas como existiam quando era menino? Pinhas pintadas?
Não imaginava a complexidade e profundidade deste mundo dos enfeites de Natal...
Estou a começar a ficar preocupado com esta urgência em sentir-me outra vez um menino pequeno.
Não imaginava a complexidade e profundidade deste mundo dos enfeites de Natal...
Estou a começar a ficar preocupado com esta urgência em sentir-me outra vez um menino pequeno.
Uma carta por dia
Era o que ele escrevia para a mulher que amava. Internado no sanatório, cada vez mais débil por causa da doença, nunca deixou de escrever ao seu amor, todos os dias. Achei tão bonito quando me contaste essa história ontem. A paixão, misturada com a tragédia da tuberculose, seria uma espécie de cancro na altura, possibilidades de sobrevivência incertas. E como âncora, como ponto de referência o amor por uma mulher. O lembrar todos os dias qual era a razão para querer viver. Nunca estive perto de morrer, pelo menos conscientemente. O momento em que estás mais lúcido. O momento em que estás mais só. É bom aperceber-me que, mesmo em face da tragédia, não estaria só. Tenho sempre os teus braços quentes para me embalar em todas as viagens que empreendo.
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