27 Sept 2004
Confesso
Estou sem paciência para me aturar. Já tiveram dias assim, em que a vossa voz vos irrita e incomoda?
24 Sept 2004
Polivalência
A sede com que os militantes do PP estão a ir ao pote, em termos de agarrar tachos, tem tanta intensidade quanto o discurso pseudo-moralista que protagonizavam na oposição. Mas a polivalência da nossa extrema-direita não se manifesta apenas no plano moral. Também nos aspectos profissionais ela é visível. A Teresa Caeiro tanto dava para a Defesa como para a Cultura. A Celeste tanto sabe de Justiça como de administração bancária.
23 Sept 2004
Causa e efeito
Primeira consequência de nos últimos dois dias ter realizado uma acção de formação sobre gestão do tempo?
Hoje quase não conseguir blogar.
22 Sept 2004
Declaração
A próxima pessoa que me falar na necessidade de ser assertivo entenderá, mais rapidamente do que pensa, o significado de ser "claro e objectivo".
21 Sept 2004
Maldade
É o que fizeram a José Sócrates no debate entre os três candidatos à liderança do PS hoje na SIC Notícias. É que só filmaram o homem de perfil, caramba. Sempre de perfil. E o nariz ainda se nota mais no vazio de ideias políticas.
Outra dúvida
Não tinhamos despedido o Fernando Santos na época passada?
PS: não, para além da chalaça, não vou comentar mais nada sobre o "momento" do Sporting. Há assuntos e problemas assim, incompreensíveis para quem está de fora e, às vezes, para quem está dentro. Apenas digo, ou repito, que o Sporting não é um clube de futebol. É um drama.
20 Sept 2004
Dúvida
Ontem, na Sic Notícias:
"O jovem pertencia a um grupo semi-anarquista (...)"
Alguém me quer explicar o que é um grupo semi-anarquista? Estilo no rules mas sem exageros, é?
17 Sept 2004
Take off with us
Acordo, estremunhado, no avião. Ouço uma voz, melodiosa, que pergunta: "sex on board?". Por um instante penso que estou a sonhar com o filme All That Jazz, naquela cena fantástica em que os bailarinos, na pele de uma tripulação demasiado amigável, cantam e dançam o "Take off with us". Mas a pergunta seguinte esclarece: "ventas a bordo?". "No, gracias". A pronúncia, ou a falta dela, tem muito que se lhe diga.
15 Sept 2004
Ele merece
Parecem-me mal as críticas à nomeação de Luís Delgado para o Conselho de Administração da Lusomundo Media (dona, entre outros, do Diário de Notícias, TSF, Jornal de Notícias). Sendo eu um convicto defensor da meritocracia, tenho de admitir que Luís Delgado tinha de ser recompensado. Tais doses de sabujice, sempre raiando a histeria (lembrem-se, por exemplo do modo como este cronista defendia que o nosso actual Primeiro-ministro indigitado era o melhor candidato possível à Presidência da República), não são comuns e têm de ser tomadas em conta.
Caixa Geral de Depósitos
Face às demissões de Mira Amaral e António de Sousa é altura de repetir a pergunta de jmf no Terras do Nunca:
"Manuela Ferreira Leite alguma vez existiu?"
"Quem?" responderão os membros do governo que não mudou.
14 Sept 2004
A Obra no poder
Sinistro o tom e a pose do nosso Ministro das Finanças ontem na comunicação ao país. Fiquei tão pasmado com a conversa que nem entendi bem o conteúdo. Parece que os senhores que estiveram lá antes eram uns pessimistas e que agora é que a coisa vai começar a aquecer. E que precisamos é de trabalhar mais. Que dos preguiçosos, já se sabe, não reza a história. Pax.
13 Sept 2004
Santanaportices (4)
Esta manhã ouvia uma jornalista da SIC Notícias dizer (cito de memória): "o Serviço Nacional de Saúde representa um prejuízo anual superior a mil milhões de €". Juro que não sei que números são estes. Mas mais uma vez vêm reforçar o que já tinha escrito aqui. Existe cada vez mais esta tendência para ver tudo o que é financiado pelos nossos impostos como simplesmente um custo, sem considerar o outro lado da medalha. O tal de que é importante assegurar cuidados de saúde de qualidade a todas as pessoas que necessitarem deles.
Esta proposta do nosso Primeiro-Ministro indigitado, de criar diferenciação nas taxas moderadoras, não é apenas mais um exemplo de populismo, embora lhe permita dizer frases idiotas mas vistosas.
É também o assumir que o Estado não tem, nem vai conseguir ter tão cedo, mão nos gastos com a saúde. E quando falo de mão, estou obviamente a referir-me ao desperdício de dinheiros públicos que se pratica em muitas unidades de saúde deste país. Se não queremos realizar reformas estruturais na Saúde, fazemos o quê então? Fácil. Introduzimos diferenciação nas taxas moderadoras, adoptamos o discurso de Robin dos Bosques, e se alguém levantar alguma objecção pomos ar de virgens ofendidas e replicamos "Como? Então não são a favor de quem pode mais paga mais?"
Sou. Mas é exactamente por isso que existem impostos progressivos. E, para além disso, basear diferenciação de pagamentos num sistema fiscal injusto em que, de uma forma generalizada, quem pode mais não paga impostos, significa apenas aumentar e perpetuar uma situação injusta.
Ou seja, importante mesmo era introduzir alguma justiça fiscal e apostar no combate à fuga aos impostos em Portugal. É que não sei se repararam mas os que pagam são sempre os trabalhadores por conta de outrem, ou se quiserem, generalizando outra vez, a classe média. Empresários, profissionais liberais, etc. declaram (coitados!) pouco mais que o salário mínimo.
Probabilidade de vermos Santana Lopes a iniciar um combate à evasão fiscal? Zero. É que depois (cá vem a piada fácil) as festas na Casa do Castelo ficavam tão vazias...
Minuto 34
José Peseiro começa a dar sinais preocupantes à frente da equipa do Sporting. Perder com o Vitória de Setúbal acontece a qualquer um e não é daí que vem mal ao mundo. Agora fazer entrar o Custódio, ao minuto 34, para substituir quem quer que seja do plantel revela muito. E nada de bom.
12 Sept 2004
Demasiadas
Estas maratonas de comida a que vocês chamam casamentos, duram quantas horas? Esta era a pergunta feita este fim-de-semana por um espanhol, estupefacto perante a capacidade estomacal exibida pelos convidados de uma dessas maratonas.
10 Sept 2004
10 de Setembro
Amanhã, há três anos atrás, vão ser gravadas as imagens que não mais nos sairão da cabeça.
Amanhã, há três anos atrás, o mundo vai descobrir que se transformou um sítio bem pior do que pensava até então.
Amanhã, há três anos atrás, vou estar pequeno, muito pequeno. Vou sentir que estou a ser atacado por gente insana, louca, que não entendo nem compreendo.
E pensar, obsessivamente, que aquelas pessoas que saltam da morte para a morte à frente dos meus olhos são eu.
A ideia é uma boa ideia
Ontem, enquanto circulava de carro entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia, pensava na excelente ideia que a CML teve para aquele troço de estrada. De facto, nada como realçar a proximidade daquela zona com o Tejo, fazendo com que, através dos solavancos e saltos proporcionados pelos buracos no asfalto, pareça estarmos a viajar num cacilheiro. Em dia de tempestade, é certo, mas também era pedir demais ser em dia de calmaria.
9 Sept 2004
Os especialistas da treta
Assistir a jogos de futebol na RTP1 é um sofrimento. Os comentadores de serviço são dramáticos, em todos os sentidos do termo. Sim, eu sei, que tenho a opção de desligar o som e limitar-me a ver o jogo de futebol. Mas o que é que querem? A curiosidade de saber até onde é que aquelas aventesmas conseguem ir é mais forte.
Ontem, no jogo Portugal-Estónia, cerca de 3 minutos antes de Portugal marcar o primeiro golo através de um cruzamento para a grande área (já agora, dos 4 golos que marcámos 3 foram através deste tipo de cruzamentos), um dos comentadores vaticinava que com esse tipo de jogadas não íamos a lado nenhum. Claro que 3 minutos depois, em vez de ter uma atitude honrada e dizer "peço desculpa aos senhores telespectadores por ser uma besta quadrada, em função da minha incomensurável estupidez ficarei calado até ao final do desafio, altura em que irei directamente à administração pedir a demissão", exultava com a capacidade táctica e a visão de jogo dos jogadores portugueses.
A especialistas de futebol, que é o que é suposto os comentadores serem, pede-se uma análise séria ao jogo. É que, para dizer mal da equipa quando esta está a perder ou empatada, para a seguir os declarar os melhores do mundo assim que marcam um golo, qualquer um serve.
8 Sept 2004
O barulho é de ouro
Confesso que não sou especialmente fã do barulho que foi criado à volta da entrada do Borndiep em território nacional. Entristece-me o aproveitamento eleitoral e político - à esquerda e à direita - desta questão da legalização do aborto.
Mas o silêncio aqui só serve à causa de quem pensa que as suas crenças são as certas e que todos temos de viver e pensar pela mesma bitola. Ou seja, o silêncio sobre este assunto apenas ajuda a perpetuar o escândalo do aborto clandestino em Portugal. Neste caso o barulho é de ouro.
7 Sept 2004
Aborto
Poucos temas me tiram tanto do sério como o da despenalização do aborto. Muito por culpa destas perguntas que não me saem da cabeça:
Que terá passado pela cabeça de António Guterres quando, indo claramente contra a vontade da maioria da Assembleia da República (que votou favoravelmente a despenalização do aborto, lembram-se?) e do seu próprio partido, decidiu convocar um referendo para decidir sobre um assunto que era (quase unanimemente) considerado da esfera pessoal de cada um?
Quantas mulheres morreram por falta de condições sanitárias desde então? Quanta vergonha e medo se juntou à angústia, ao desespero da tomada de uma decisão que, acredito, muita das vezes raia o insuportável?
Que terá passado pela cabeça das pessoas para não irem votar, deixando que o referendo fosse decidido pelo Portugal dos campanários?
Mais que não seja, toda esta questão à volta do borndiep teve o mérito de nos relembrar o calibre da extrema direita que está no governo. A tal que prefere mandar fragatas, perdão, corvetas para mostrar o músculo "aquelas senhoras" (na deselegantíssima expressão do nosso Primeiro-ministro indigitado). A tal que, de lágrima no olho da emoção patriota, diz frases do género "o mar português tem princípios". A tal que conhece o caminho certo, que sabe como é que as pessoas se devem comportar, que é dona da moral, dos bons costumes, da tradição. E não contente com ser dona, exige que todos se comportem e pensem pela mesma bitola. Senão, não entram.
Saco de gatos
Sim, é verdade, a democracia é uma coisa muito bonita. E também é óptimo que exista debate de ideias e confronto de soluções alternativas, etc., etc..
Claro que quando a "democracia acontece" no saco de gatos que o PS sempre foi, quem fica a ganhar são os adversários. Todo o verão choveram, nos jornais e televisões, insultos entre os três candidatos à liderança de um partido cada vez mais esquizofrénico.
Convinha que os três candidatos se começassem a esforçar um bocadinho menos. É que, a continuar assim, ainda dão a Santana Lopes a honra de ser eleito Primeiro-ministro de da República Portuguesa.
6 Sept 2004
Não quero ser mal-agradecido...
A propósito deste post de Rui Tavares, no Barnabé, dei-me ao trabalho (custoso, confesso) de ir ler o acceptance speech de George W. Bush à procura de uma passagem que me tinha chamado a atenção num telejornal. Cá está ela:
(...) freedom is not America's gift to the world; it is the almighty God's gift to every man and woman in this world.
Um dia destes tenho de me lembrar de ir agradecer o presente. Demorou foi uns quantos milénios a chegar e, ainda por cima, a poucas pessoas, mas como diz o provérbio "a cavalo dado,..."
5 Sept 2004
Em Roma sê romano
Em zapping, ouço a actriz brasileira Cláudia Raia proferir a seguinte frase: " a arte não tem nada a ver com política".
Mas também, convenhamos. Ela estava num programa do Herman José.
3 Sept 2004
Santanaportices (3)
Santana confirma manutenção da lei até final da legislatura
A lei do aborto não vai sofrer alterações até final da legislatura. A garantia foi dada pelo primeiro-ministro que, no entanto, mantém a porta aberta para o debate sobre o tema durante o novo ano parlamentar que agora se inicia.
in TSF. Resto da notícia aqui.
Santana Lopes, primeiro-ministro (não eleito) de Portugal, decidiu que os portugueses podiam conversar sobre a despenalização do aborto. Não podem é alterar a lei. Mas também isso já era abusar... É que vai-se abrindo a porta, abrindo a porta e qualquer dia ainda querem escolher o primeiro-ministo. Era só o que faltava.
2 Sept 2004
Da racionalidade rasteira
O meu optimismo, ou "este meu jeito leve de andar pela vida" como diz a minha mana, tem vindo a ser posto à prova com uma regularidade que me atreveria a chamar de insolente. Ainda assim, continuo a ser (fora de moda, é verdade) um crente profundo na natureza humana. Acho, aliás, que o egoísmo é uma forma de racionalidade rasteira, rasteirinha, que não tem em conta nem horizontes mais longos nem as componentes de felicidade que não são directa e facilmente expressas em cifrões.
Respeito, embora combata, o "sempre foi assim". Irrita-me, de uma forma pouco comum, as ladaínhas auto-justificativas de comportamentos incorrectos, de comportamentos maus, com argumentos de os outros (sempre os outros) fazem ainda pior, ou porque é que eu me hei de preocupar se mais ninguém o faz, ou se não for eu a fazer alguém o vai fazer a seguir?
Acho mesmo, a sério, que tenho a responsabilidade (humana) de ser ético, de ser solidário, de me continuar a chocar com a filha-da-putice glorificada pela sociedade com nomes pomposos do estilo "eficiência, downsizing, outsourcing". Enoja-me a chantagem permanente, a ideia fácil, de que proteger quem precisa (sim, que isto de viver em sociedade é um bocadinho mais do que encontrar os amigos na Casa do Castelo) é equivalente, apenas e só a aumentar impostos. De reduzir tudo a óptimos de Pareto sem levar em conta (porque é difícil mas também ideologicamente inconveniente) o que não conseguimos quantificar.
Isto da natureza humana é, acho eu, bem mais complexo do que assumirmos simplesmente que não vamos nunca passar de seres egoístas interessados apenas no nosso umbigo ou, quando nos dá para sermos generosos, em mais quatro ou cinco à nossa volta. Além disso (e lá vem o tal optimismo referenciado no início), há sempre a esperança de evoluírmos.
1 Sept 2004
Origens
Vi ontem (e aconselho vivamente), o filme The Shipping News, de 2001. A sinopse fala da história de um "emotionally-beaten man with his young daughter that moves to his ancestral home in Newfoundland to reclaim his life."
Esta questão da volta às origens tem mexido muito comigo nas útimas semanas. Estive imerso, por necessidades de arrumação, principalmente mental, em objectos do passado da minha família. Passado muitas vezes tão recente, mas que parece distante, já que é conhecida a tendência que temos para medir o tempo não em anos, que passam iguais com a monotonia que apenas os números conseguem ter, mas dividi-lo em acontecimentos "Isso foi antes de..." ou "Mas nessa altura ainda estavas em...".
As fotografias e, principalmente, os livros, evocam memórias de cheiros, de conversas, de momentos guardados. Ver, tocar, sentir o pó que os cobre e, finalmente, arrumar esses objectos é, penso, um exercício de respeito por aqueles que me fizeram (num sentido bem mais abrangente do que o apenas biológico) e que estão aqui, sempre, comigo. E claro, de saudade. Que, por esta altura, já enternece mais do que revolta. O que é, quero crer, um bom sinal.
31 Aug 2004
Não vai parar, pois não?
fotogafia da Reuters
JERUSALEM (Reuters) - Bomb blasts ripped through two buses in the southern Israeli city of Beersheba on Tuesday, killing at least 12 people in an attack carried out by Palestinian suicide bombers, Israeli radio and medics said.
30 Aug 2004
Problema do aborto? Qual problema?
Isso é uma "mania de alguma esquerda blogueira"... Num post sobre manifestações falhadas convocadas por SMS, podemos ler que PPM do blogue O Acidental até acha graça "a esta mania que alguma esquerda blogueira tem de encher a boca com os "milhares de portuguesas" que fazem aborto, que atravessam a fronteira e vão a Badajoz fazer aborto, que defendem a liberalização do aborto - e por aí adiante - numa espiral de milhares de mulheres que só eles é que conhecem e contabilizam. (...)"
Está então explicado porque é que Paulo Portas impediu a entrada do barco. Afinal, ele não vinha cá fazer nada. O problema não existe. É só uma mania.
Não deviam, no entanto, estar a falar de perus (2)
Estranho, estranho é quando a pessoa mais citada pela direita blogosférica para defender a posição de Portas em relação ao barco da organização Women on Waves é, nem mais nem menos que....... Zita Seabra!!!
Extrema
Acho que é bom que Paulo Portas e sus muchachos proíbam a entrada do barco da orgnização Women on Waves em águas territoriais portuguesas, exercendo a tacanhez e hipocrisia que os caracteriza. Pode ser que, assim, as pessoas se apercebam do tipo de direita que está presente no nosso Governo. Extrema.
26 Aug 2004
25 Aug 2004
A direita arejada - parte 2
Escrevi aqui que este post de FMS No Quinto dos Impérios não tem graça e é de mau gosto ao associar realidades que nada têm a ver uma com a outra. Na resposta (escrita, desta vez, com piada e que desde já agradeço) fiquei a saber que afinal o post Chicks on Waves era uma peça para (deixa lá ir ver como é que se escreve...) "épater la bourgeoisie" e de "machismo irónico reactivo". Ah, está bem. Agora percebi.
E já agora, embora menos importante, que eu sou um "lunático", um "cérebro corroído" e (gosto especialmente desta) um "moralistóide sem sentido de humor e cuja relação mais próxima que algum dia teve com a decadência deve muito bem ter sido a leitura do Dorian Gray em cuecas".
Não estava à espera, confesso, de reacção mais tolerante (o fraco arejamento não o permitiria, certamente) perante o meu delito de opinião. Só me perturba uma coisa... Como é que FMS soube da história da leitura do Dorian Gray em cuecas??
24 Aug 2004
A direita arejada
É esta a direita arejada? Não sei se a ideia era ter piada... Se era, parece-me que falhou redondamente. Já no mau gosto acertou em cheio. Sei, aliás, de quem concordará de certeza com este tipo de comparações e associação de ideias, a mistura da temática do aborto com a da prostituição: João César das Neves, pois então. A luxúria, ezzzz, essa grande culpada de todos os males modernos....
Agosto
Ainda um bocado fora, Agosto é mesmo mês de só olharmos uns quantos metros à volta, sem vontade ou paciência para estender esse olhar para o que se passa no mundo. Isto para além, claro, das Olimpíadas que continuam, apesar de cada vez mais serem essencialmente uma competição de substâncias ainda não detectadas, a representar um momento de exaltação de alguns dos melhores dos ideais humanos. Claro que, pelo meio, vão aumentando as saudades dos anos em que podia ver, em directo, as competições de que mais gostava, fosse qual fosse o meridiano em que estas se situavam.
O que eu queria mesmo dizer é que não apetece olhar à volta. Quando o que podemos almejar ver, por exemplo e para não ser acusado de estar obcecado com o facto de estarmos a ser governados por um primeiro-ministro não eleito, é isto.
23 Aug 2004
Momento (também) olímpico
Diálogo entre Manuel Silva (atleta olímpico português) e jornalista, ontem nos telejornais:
Jornalista: Está a fazer um mea culpa?
Manuel Silva: Não, não! Culpa total. A culpa é toda minha.
Tabuleta
A caminho do trabalho vejo uma tabuleta num poste de semáforo. Tem a palavra "mudanças" e, por baixo, um número de telemóvel. Mas mudar implica mais do que só um telefonema. Muito mais.
22 Aug 2004
Regresso...
19 Aug 2004
18 Aug 2004
Boas-vindas
Mais um blogue para fazer companhia ao Burro Amarrado na secção Amigos. Chama-se MédioDireito e tem óptimo toque de bola e grande visão de jogo. Ainda lhe falta, no entanto, capacidade para jogar noutras zonas do terreno. Mas tenho a certeza que vai evoluir ;-).
Bem-vindo à blogosfera, puto.
17 Aug 2004
Pó
Sempre, sempre subestimado. Desfeito para limpar. Ou melhor, sacudir apenas para voltar, para voltar sempre a onde pertence.
O pó que cobre os objectos que um dia nos disseram alguma coisa, que hoje nos dizem tanto, ainda mais do que nos diziam antes porque vêm com a saudade junta, a saudade da pessoa associada a esse objecto também nesse pó. Mesmo, ou se calhar principalmente, quando essa pessoa somos nós.
Como estes versos de uma música dos Trovante:
"As memórias são como livros escondidos no pó
As lembranças são os sorrisos que queremos rever... Devagar"
16 Aug 2004
Distância
Agora que até na santa terrinha para onde venho desde menino disponho de internet, entendo que isto de postar depende de mais do que de apenas a mera capacidade de colocar os posts online. E que estar fora do mundo não é uma questão das coordenadas geográficas em que me encontro, mas sim da distância que corre entre as minhas e as tuas.
O último dos inte
É, afinal, o início do meu trigésimo ano de vida. É tão bom ter amigos que nos lembram estes pormenores.
13 Aug 2004
Tomar o mundo feito Coca-Cola*
Morning meeting, hoje como todos os dias, passando em revista o que se passou nesse sempre fascinante mundo dos mercados financeiros. A superstição domina as conversas. Sexta-feira 13. Véspera do início dos Jogos Olímpicos. Conjugado com a situação em Najaf. O preço do barril de petróleo nos USD46. E com os rumores de ataques terroristas iminentes da Al-qaeda.
Não fosse o facto de amanhã, dia 14 de Agosto, ser a data de um acontecimento de inquestionável relevância mundial (relevância essa apenas conhecida, diga-se, por alguns privilegiados) e eu estaria preocupado.
*verso da letra "O último romântico", de Lulu Santos, cantada por Caetano Veloso.
12 Aug 2004
Santanaportices (2)
Será que a ideia de um pacto para a justiça, vinda do nosso Primeiro-ministro não eleito, decorre da (não assumida mas evidente) falta de legitimidade política?
Confissão de infância
Quem nunca pôs todos os cães das redondezas a uivar às tantas da manhã, não sabe o que perdeu. Mas nunca é tarde. Ou quase nunca.
PS: post em pré-delírio pré-último dos intes.
11 Aug 2004
Tempo (4)
E para variar uma coisinha, chove em Lisboa. Não sei se já referi mas estamos em Agosto.
Actualização: "chove" é um eufemismo. Dilúvio seria mais apropriado.
10 Aug 2004
Yeah well, that's just, ya know, like, your opinion, man
Através do Macguffin (mas também se fala disto aqui e aqui, pelo menos), chego a uma página onde se podem encontrar todos os diálogos do filme The Big Lebowski. Deixo aqui um dos meus favoritos:
QUINTANA: Are you ready to be fucked, man? I see you rolled your way into the semis. Deos mio, man. Seamus and me, we're gonna fuck you up.
DUDE: Yeah well, that's just, ya know, like, your opinion, man.
QUINTANA: Let me tell you something, bendeco. You pull any your crazy shit with us, you flash a piece out on the lanes, I'll take it away from you and stick it up your ass and pull the fucking trigger til it goes "click".
DUDE: Jesus.
QUINTANA: You said it, man. Nobody fucks with the Jesus.
Sticking feathers up your ass does not make you a chicken*
É assim a chuva, ou o fim dela, a água lava deixando esperança, pelo menos durante um instante, normalmente só por um instante, muitas vezes apenas o suficiente. Mesmo não resolvendo, alivia.
* Outra frase de Tyler Durden, no filme Fight Club, lembrada pelo Burro. Obrigado.
Tempo (3)
Sim, o tema é recorrente. Ou, pensando melhor, o título é recorrente. Mas sinto que seria uma pena não aproveitar o meu privilegiado ponto de observação sobre Lisboa.
Hoje, o tempo e eu estamos instáveis. Não nos deixamos influenciar pelo que esperam de nós - Sol e calor para o tempo, tranquilidade para mim. Não. Hoje tanto chovemos como fazemos sol e, não raras vezes, em simultâneo. A temperatura continua, no entanto, amena. O que, peço-vos que acreditem, não é de desprezar.
9 Aug 2004
Número mágico
Prenda em forma de post
Perante tal falta de talento para a poesia, resta-me recorrer aos mestres, e utilizar (com a devida vénia) estes versos de Luís Vaz de Camões nas suas "Endechas a Bárbara escrava".
"(...)
Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.
Ũa graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.
(...)"
Sugestão
Não é só (nem principalmente) por o assunto ser particularmente relevante para mim. Ler o post "Dois sprintes por cada hora de jogo" do maradona (com minúscula) é mais do que importante. É essencial.
Actualização: não vale a pena seguirem o link. O maradona (com minúscula), numa jogada surpreendente (afinal só já aconteceu para aí umas cinco vezes) apagou a quase totalidade do blog. É pena.
6 Aug 2004
Hora de almoço
Isto da aparência tem muito que se lhe diga, mas não estarão certamente à espera que eu discorra demoradamente sobre o assunto. Quero apenas afirmar que, já que não possuo as qualidades intrínsecas que permitiriam equivaler a minha imagem à de um Adónis, podia pelo menos possuir a coragem para me deixar degradar num aceleradamente lento inchar, ingerindo todo o tipo de alimentos que me apetece, e evitar a todo custo qualquer tipo de exercício físico, sem me preocupar de, cada vez mais em sentido literal, não ter ponta por onde se me pegue.
Ou seja, o que tem mesmo muito que se lhe diga, mas não vou repetir a advertência inicial, é que isto de um gajo conscientemente se auto-destruir exige muito mais coragem, egoísmo e estupidez do que o que se pode encontrar na minha pessoa. Lembram-se da frase de Tyler Durden no filme Fight Club?
"Self improvement? Self improvement is masturbation. Now, self destruction..."
Dito isto, vou para o ginásio.
Não deviam, no entanto, estar a falar de perus (1)
No Blasfémias, leio mais esta pérola vinda do outro lado do Atlântico. Continuo a não perceber como é possível sequer pensar em votar (ou apoiar) este homem. E, no entanto, está à frente das sondagens. Quem sabe se, desta vez, ganha as eleições.
New 'Bushism' Born at Bill Signing
WASHINGTON - President Bush offered up a new entry for his catalog of "Bushisms" on Thursday, declaring that his administration will "never stop thinking about new ways to harm our country and our people."
Bush misspoke as he delivered a speech at the signing ceremony for a $417 billion defense spending bill. "Our enemies are innovative and resourceful, and so are we," Bush said. "They never stop thinking about new ways to harm our country and our people, and neither do we."
No one in Bush's audience of military brass or Pentagon chiefs reacted.
5 Aug 2004
Onde mais?
(...)
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
(...)
excerto do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos
Lembrei-me onde é que tinha lido sobre a lucidez antes de morrer: no "Tabacaria" de Álvaro de Campos. Podem ler a totalidade do poema aqui.
Não deviam, no entanto, estar a falar de perus
É o nome de uma nova rubrica, aqui, no Serras. Só não sei do que vai tratar ou quando vai começar. Mas gosto tanto do nome que seria uma pena desperdiçá-lo.
4 Aug 2004
Não perguntem
E enquanto a crise de inspiração, notória e sentida pelos meus 3,5 leitores, não passa, o que é que podemos fazer com este blog? Há um ano atrás, quando apenas lia blogs, não tive a oportunidade de sentir os efeitos que Agosto tem sobre a escrita , é inevitável, lá diria o outro, se estivesse aqui outro, mas não é o caso. Não, quem está mesmo aqui sou eu. Eu, não tão chateado como um peru em véspera de Natal, convenhamos que não deve ser agradável, se bem que, pelo menos os que são mortos em casa dos meus avós sempre batem as botas com uma bela de uma tosga que não lembra. Lembrei-me agora de ter lido em algum lado que o máximo da lucidez é atingido nos momentos anteriores a morrer. Não deviam, no entanto, estar a falar de perus.
Onde é que eu ia? Ah, razoavelmente aborrecido por não existir uma alma (no sentido figurado) caridosa (no sentido literal)que patrocine a minha (ou deveria dizer a nossa, mas está implícito na minha e como tal não é necessário) felicidade, permitindo-me assim esse momento de rara beleza que seria mandar os rácios de Sharpe e outros quejandos igualmente desinteressantes para a puta que os pariu.
Relembrando-me, em tom de mantra, que a esperança é a última a morrer (não se sabe se sóbria) vou gozar o fim-de-tarde e esta luz espantosa que banha a minha cidade. Melhores dias virão. Estou certo que sim.
Tempo (2)
Lisboa acordou hoje cheia de sol, coberta por uma luz lindíssima, impressionante. Sei que são apenas condições climatéricas usuais para Agosto. E se assim é, porque é que insisto em ler mais do que apenas isso?
3 Aug 2004
Tempo
Lisboa acordou hoje enevoada, coberta por um manto cinzento, de aspecto sujo. Sei que são apenas condições climatéricas pouco usuais para Agosto. E se assim é, porque é que insisto em ler mais do que apenas isso?
2 Aug 2004
Entretanto
Estes versos da música Wish You Were Here, dos Pink Floyd, não me saem da cabeça. Por enquanto tenho a desculpa do calor. Por enquanto.
"And did they get you to trade
Your heros for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?"
30 Jul 2004
Serras light
Comentário fútil e dispensável mas o que é que querem está mais calor outra vez:
Não acham que Branquinho Lobo é um nome completamente irreal?
Até fazia sentido
Leio no Público que Alberto João Jardim afastou a possibilidade de se candidatar à Presidência da República. Eu cá acho que até fazia sentido. Porque se nivelava o Governo (não eleito, convém não esquecer) e a Presidência da República o que, estou certo, melhoraria imenso a comunicação institucional e a capacidade de construir um Portugal melhor.
E daí, pensando bem, se calhar a mudança para o Alberto João como PR não mudaria assim tanta coisa, pelo menos substancial. Mas era capaz de dar mais dores de cabeça ao Santana.
29 Jul 2004
Skating on thin ice
É como me sinto às vezes, nomeadamente aqui, no Serras. Não deixa, no entanto, de ser divertido.
28 Jul 2004
Frases (III)
"Tudo é mais belo porque estamos condenados. Cada momento pode ser o teu último."
Aquiles, no filme Tróia (2004)
Darfur
Transcrevo do Rua da Judiaria, em resposta ao seu apelo:
"Ao anunciar a solução final aos seus oficiais, assegurando que no futuro ninguém se recordaria dos judeus, Hitler terá dito: “Quem se lembra hoje do que aconteceu aos arménios?”. A memória colectiva tende a ser demasiado curta em alturas cruciais. Já depois da ONU ter reconhecido oficialmente o genocídio como crime contra a Humanidade, o mundo voltou a repetir o colectivo encolher de ombros face ao Camboja – onde os Khmer Vermelhos de Pol Pot mataram mais de dois milhões de pessoas em dois anos –, a Timor Leste, à Bósnia e ao Ruanda. Agora, a História volta a repetir-se em África com a tragédia de Darfur. Sobre Darfur, Samantha Power escreveu no início de Junho: “Cerca de 30 mil pessoas foram já assassinadas, e perto de milhão e meio foram vítimas de limpeza étnica, afastados das suas aldeias e terras de cultivo. Centenas de milhar foram encurraladas em campos de concentração, patrulhados por milícias janjaweed, apoiadas pelo governo, que violam mulheres e matam os homens que tentam sair em busca de comida para as suas famílias. Outros vagueiam pela região sem alimentos nem água. Entretanto, Khartoum tem bloqueado e manipulado a ajuda alimentar internacional.” "
Não era esta a intenção quando coloquei no blog a tira do Calvin&Hobbes do post anterior. Mas agora estou aqui a pensar que não existem muitos limites à selvajaria humana. Que somos sempre capazes do pior. A nossa voz, o não pararmos de falar no assunto, pode bem vir a funcionar como um limite ao horror que se repete no Sudão.
27 Jul 2004
Late night blogging
Fim-de-semana no meio de um calor sufocante, que domina tudo e condena ao torpor, a estar na vida de olhos abertos, sim, mas quase, apenas quase. Como se estivesse apenas a assistir, sem participar, o corpo não reage mas a cabeça menos ainda. E de repente estou a pensar em porque é que haveríamos de ser resistentes se mais nada, ou quase mais nada, ver os cactos a crescer cada vez mais, é. Temperatura máxima de funcionamento. Ultrapassada, espezinhada nestes dias. Apenas a estas horas, agora invulgarmente tardias para mim, consigo escrever alguma coisa. Infelizmente a qualidade não acompanha a capacidade.
Boa noite.
24 Jul 2004
O calor não faz bem à cabeça das pessoas
- Então, vamos ter com eles à Expo?, pergunto
- Vamos. Se o mundo não acabar...
Tens a mesma sensação do que eu perante a opressão deste calor, perante esta falta de ar. A sensação de que, mais do que ser um fenómeno climatérico relativamente raro, é um prenúncio de mudança, de que alguma está para acontecer. Mas está sempre, não é?
O fim do mundo é apenas o teu pessimismo a falar. Espero.
23 Jul 2004
22 Jul 2004
Ficção
Cheira-me a novo volume das memórias de Jorge Sampaio enquanto Presidente da República. E embora possa parecer, isto não é uma crítica.
Get on board
Apetece-me esclarecer que considero a decisão de Jorge Sampaio legítima. Errada, mas legítima. O que isto quer dizer é que, embora eu tivesse decidido de outra forma (but who gives a fuck, right?) e a tomada de posse deste governo seja semelhante a um episódio particularmente estranho da Twilight Zone, estes senhores têm, inequivocamente, o direito de sentar os reais traseiros nas respectivas cadeiras.
Temos, portanto, Santana Lopes a primeiro-ministro (não eleito, é verdade) e Sócrates como o (apenas carente de ratificação) líder da oposição. No governo, uma direita populista e arrogante, de Assuntos do Mar e Secretárias de Estado polivalentes. Na oposição, um PS em contínua esquizofrenia, novamente deslocado ao centro.
A hipótese de luta armada, embora atraente nos momentos mais alucinados, pertence à dimensão da PlayStation2. Resta outra opção, a de não dar descanso a este governo. De continuar a falar das Santanaportices. E, claro, a blogosfera dá uma ajuda preciosa. Por exemplo aqui, aqui e aqui.
Portanto, já sabem (socorrendo-me outra vez do universo PS2): get on board. Não deixem uma santanaportice passar em claro. Vai haver tanto para dizer nos próximos meses.
21 Jul 2004
Santanaportices 1
"Há pela primeira vez uma mulher à frente da Secretaria de Estado da Defesa Nacional, Teresa Caeiro, anunciou esta tarde o ministro desta pasta, Paulo Portas, em Viana do Castelo. Mas pouco depois, adiantou que esta responsável será a nova secretária de Estado das Artes e Espectáculos, reforçando a equipa do Ministério da Cultura. «Teresa Caeiro revelou-se mais necessária na Cultura do que na Defesa», afirmou Paulo Portas, citado pela Agência Lusa."
in TSF. Resto do artigo aqui. Os bolds e itálicos são meus.
Que estão lá para a política-espetáculo, a malta já sabia. Que o espetáculo é um circo, desconfiávamos. Agora que começasse tão depressa e logo com um número de antologia é, claramente, exceder as expectativas.
20 Jul 2004
Tolerância zero
Bartoon, no Público.
Eu, que não sou religioso, tenho enormes dificuldades em dar tolerância à acção governativa de quem (e sim, vou continuar a falar deste assunto) não foi eleito. Particularmente quando a primeira medida oficial do Primeiro-ministro Pedro Santana Lopes é mandar rezar uma missa pela alma do seu guru, um antigo Primeiro-ministro. Deve ter sido para confirmar tudo o que se disse do acerca do populismo como forma de estar na política.
Com gelo e limão
"Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único"
"O útimo romântico", de Lulu Santos, no albúm Caetano Veloso - noites do norte ao vivo
17 Jul 2004
Ainda o governo
Deve ser raro quem passou pela Faculdade de Economia da Nova sem ter sido aluno de Maria do Carmo Seabra. Confesso que tenho boa impressão dela, a que não é alheia uma dose não negligenciável de charme. Só não compreendo o que vai fazer para um governo de Santana Lopes.
16 Jul 2004
Sinistro
Um elenco governamental que inclui nomes como Telmo Correia ou (pasme-se!) Luís Nobre Guedes. Por outro lado, qualquer governo sem Celeste Cardona é um governo mais razoável.
15 Jul 2004
Muito agradecido
14 Jul 2004
Spineless
"Questioned on Portugal's involvement in the US-led war coalition in Iraq, on the first day of hearings before the European parliament, Mr Barroso said that, while he was a long-standing admirer of the US, he also hated what he described as American "arrogance" and "unilateralism". He added: "I think there are magnificent things that exist in the US as well as some fairly horrific things."
Financial Times, 14 de Julho de 2004, relatando as audições do mordomo das Lajes com os principais partidos do Parlamento Europeu.
13 Jul 2004
O equilíbrio
Depois do fim Cruzes Canhoto!, temos uma excelente notícia: a promessa do Gato Fedorento em voltar a postar com mais frequência. Tenho dúvidas que a reacção mais razoável à indigitação de Santana Lopes como Primeiro-Ministro seja rir. Mas não estamos em tempos de razoabilidade.
Danos colaterais II
Leio, com pena, o anúncio do fim do Cruzes Canhoto!. A tentação de desviar os olhos do triste espetáculo que aí vem é, de facto, forte.
12 Jul 2004
100 anos de Pablo Neruda
Em ti a terra
"Pequena
rosa,
rosa pequena
às vezes,
diminuta e nua,
parece
que numa das minhas mãos
tu cabes,
que assim vou apertar-te
e levar-te à boca,
mas,
de repente,
os meus pés tocam os teus pés e a minha boca os teus lábios,
cresceste,
os teus ombros erguem-se como duas colinas,
os teus peitos passeiam pelo meu peito,
o meu braço mal consegue cingir a delgada
linha de lua nova que há na tua cintura:
derramaste-te no amor como água do mar:
meço apenas os olhos mais dilatados do céu
e inclino-me sobre a tua boca para beijar a terra."
Pablo Neruda, tradução de Albano Martins, Os Versos do Capitão, Campo das Letras
10 Jul 2004
A pergunta que se impõe
Depois de tanto futebol e depois de tanta política (ambos tão cheios de esperanças e ambos a terminar em baldes de água árticos devido a protagonistas menores) será que vem aí o Verão?
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