31 Mar 2011

Equilíbrio

A resposta europeia à crise da dívida soberana tem, essencialmente, um problema: não é uma resposta. Para além dos avanços e recuos que têm existido, deixando os países mais frágeis a cozer em lume brando, olha apenas para o denominador do rácio dívida/pib. Os proponentes de medidas austeridade cada vez mais severas fingem ignorar os efeitos destas sobre a economia, podendo facilmente ser criado um ciclo vicioso em que, ficando todos mais pobres, continuamos exactamente com o mesmo nível de endividamento.

Claro que são precisas medidas de austeridade. Claro que há gastos públicos que não se justificam e são essencialmente desperdício. Mas moralismos e comparações simplistas à parte (a tal ideia de que o Estado deve ser gerido como se fossem as finanças de uma casa), um plano de redução de dívida tem de ser equilibrado o suficiente para evitar anos e anos de uma contraproducente depressão económica.

Existe ainda o risco de demasiada austeridade ser recusada pela maioria de nós, naquela coisa incomodativa que se chama eleições. Acho que nos esquecemos disto mais vezes do que devíamos.

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