30 Mar 2011

Escolhas

Isto não vai ser bonito, já todos percebemos. A discussão sobre a culpa da situação actual das finanças públicas é interessante, mas inútil dado o clima de campanha eleitoral, em que estamos a viver já há algum tempo.

O pedido de ajuda externa, que era evitável se estivéssemos todos focados nos objectivos que precisamos de cumprir, é agora mais do que certo. Apenas resta a dúvida de quem o vai fazer, o governo de gestão nos próximos dois meses ou o que sair das eleições que aí vêm.

O principal problema prende-se com a perda de margem de manobra para fazermos escolhas políticas que são importantes. Os técnicos que nos vão governar nos próximos tempos, fruto das contrapartidas que teremos de oferecer para receber financiamento, não são muito imaginativos: a receita que nos será aplicada será a mesma de sempre. Vamos cortar onde devíamos e onde não devíamos, retirando protecção às camadas mais frágeis da nossa população. É que, por mais difícil que seja de entender, a parte de leão da despesa pública são transferências de rendimento para pessoas - nas quais se incluem pensionistas, desempregados e uma franja de pessoas abaixo de um limiar de pobreza que, como sociedade, não devíamos tolerar.

"O que tem de ser, tem muita força", costumava dizer a minha mãe. Verdade, mas não precisava de ser à maneira do FMI.

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