Tenho com Portugal a relação que se esperaria por ser o país onde nasci e vivi até hoje. Gosto de muitas coisas, bastante menos de outras. Mas não consigo compreender o orgulho de ser português, como se isso fosse fundamentalmente diferente de ser espanhol, mexicano ou indiano. Como se todos os povos não tivessem coisas de que se orgulhar e de que se envergonhar.
Assumir que ser português é motivo de um qualquer orgulho especial implica, para mim, assumir uma superioridade que nunca senti. Ainda assim, sempre é um feriado.
10 Jun 2011
O sonso
Temos um PR que exerce cargos políticos desde o início da década de 80, ao mesmo tempo que critica a classe política em cada discurso que faz, como se não lhe pertencesse. Que considera estar acima de qualquer escrutínio, mesmo estando envolvido em negócios que levantam questões legítimas. Cuja concepção de democracia equivale à sua famosa frase: "duas pessoas de boa fé e com acesso aos mesmos dados chegam necessariamente à mesma conclusão" (cito de memória). Que faz um discurso pleno de ressentimento na exacta noite em que é reeleito presidente de todos os portugueses.
Sonso não é uma palavra meiga para mim, como é fácil de perceber.
Sonso não é uma palavra meiga para mim, como é fácil de perceber.
9 Jun 2011
Têm olhado para o comportamento dos mercados financeiros recentemente?
Agora que a campanha acabou, era bom que percebêssemos de vez que cumprirmos as medidas que nos são exigidas é condição necessária, mas não suficiente, para evitar uma reestruturação da dívida portuguesa.
É que o facto de passarmos a ter uma maioria política, mais do que comprometida com as medidas do MoU, não parece ter alterado grande coisa na percepção do risco de credito português.
O maior risco é bastante maior que nós próprios. Chama-se Europa.
É que o facto de passarmos a ter uma maioria política, mais do que comprometida com as medidas do MoU, não parece ter alterado grande coisa na percepção do risco de credito português.
O maior risco é bastante maior que nós próprios. Chama-se Europa.
8 Jun 2011
Coisas parvas
Lembro-me, nos tempos de dirigente associativo na faculdade, de dizer, entre outras coisas parvas, que os jotinhas deviam ser proibidos de exercer qualquer actividade política no futuro. Mal sabia eu.
Desilusão
Há uma maioria clara de direita para os próximos quatro anos, embora estes estejam longe de ser quatro anos típicos. Só António Costa conhece as razões de não assumir agora o desafio de se candidatar à liderança do PS, mas esse (não) gesto tem uma leitura de calculismo político.
E isso chateia-me. O PS deve estar orgulhoso de tudo o que foi feito nos últimos seis anos, que foi muito mais do que os erros que foram cometidos. António Costa era um rosto de continuidade, sim, mas diferente o suficiente para criar a distância necessária a um novo líder.
Ficamos assim com António José Seguro, que espera há muitos anos esta oportunidade. Mas, lamento, não me parece que mobilize ninguém fora das tais bases que supostamente o apoiam. E com Francisco Assis, que respeito e foi um líder parlamentar extraordinário, mas que não deverá ser capaz de contrariar o momento de António José Seguro.
A sensação de que o melhor PS - na minha opinião, claro - se vai guardar para tempos mais auspiciosos é uma desilusão. Porque o que foi feito nos últimos 6 anos merece ser realçado e porque os próximos dois anos exigem uma oposição particularmente eficaz às tentações de uma direita reforçada pela maioria confortável que obtiveram e pelo momento peculiar que vivemos.
E isso chateia-me. O PS deve estar orgulhoso de tudo o que foi feito nos últimos seis anos, que foi muito mais do que os erros que foram cometidos. António Costa era um rosto de continuidade, sim, mas diferente o suficiente para criar a distância necessária a um novo líder.
Ficamos assim com António José Seguro, que espera há muitos anos esta oportunidade. Mas, lamento, não me parece que mobilize ninguém fora das tais bases que supostamente o apoiam. E com Francisco Assis, que respeito e foi um líder parlamentar extraordinário, mas que não deverá ser capaz de contrariar o momento de António José Seguro.
A sensação de que o melhor PS - na minha opinião, claro - se vai guardar para tempos mais auspiciosos é uma desilusão. Porque o que foi feito nos últimos 6 anos merece ser realçado e porque os próximos dois anos exigem uma oposição particularmente eficaz às tentações de uma direita reforçada pela maioria confortável que obtiveram e pelo momento peculiar que vivemos.
7 Jun 2011
Do silêncio
A evolução dos juros da dívida portuguesa tem muito mais a ver com o que se passa na Europa - em especial na Grécia - do que com o governo português. Isto, que é claro desde o início da crise da dívida soberana, foi durante toda a campanha e pré-campanha desmentido por inúmeros blogs e comentadores afectos à agora nova maioria saída das eleições.
Ora, a pergunta é: se o culpado era o Sócrates, como explicar isto: Juros da dívida sobem para máximo histórico no prazo a 10 anos?
Ora, a pergunta é: se o culpado era o Sócrates, como explicar isto: Juros da dívida sobem para máximo histórico no prazo a 10 anos?
Corporações
Ontem assisti apenas ao início do Prós&Contras - um programa entre o alucinado e o mortalmente aborrecido. Deu para ver, no entanto, aquilo que é claro para quem queira ver. Cada vez que se falava numa área ou num sector da economia que vai ser afectado pelas medidas do memorando de entendimento, lá surgia a corporação respectiva a dizer "não, aqui não é preciso fazer nada, nós somos muito eficientes/importantes/...".
Há quem esteja muito preocupado com o aumento da contestação de rua que, provavelmente, vai acontecer. Eu, confesso que estou mais preocupado com a contestação das diversas corporações que, se calhar também por ser bem menos visível, tende a ser terrivelmente mais eficaz.
Há quem esteja muito preocupado com o aumento da contestação de rua que, provavelmente, vai acontecer. Eu, confesso que estou mais preocupado com a contestação das diversas corporações que, se calhar também por ser bem menos visível, tende a ser terrivelmente mais eficaz.
6 Jun 2011
Umbiguismo reloaded
Como à espera do comboio, na paragem do autocarro. Esta frase, de uma letra de Sérgio Godinho, volta a estar no cabeçalho deste blog. Porque me sinto assim às vezes, de forma consciente no sítio errado aguardando o que sei que não vai acontecer.
6 de Junho
Nunca fico triste com eleições. Estes resultados dão um mandato claro à direita, através de uma maioria absoluta confortável, para formar governo e implementar o seu programa. Espero, sinceramente, que tenham consigo próprios a mesma tolerância que demonstraram com o anterior governo eleito. Sem desculpas, portanto.
4 Jun 2011
Dia estranho
3 Jun 2011
Herança
A pior herança dos últimos anos da política portuguesa é o clima de suspeição, insinuações e ódio destilado, diariamente, pela oposição, corporações e alguns órgãos de comunicação social. E é a pior, não pelos efeitos negativos que teve sobre um partido específico, mas porque corre o risco de deixar escola, mesmo que ocorra uma mudança política nas eleições de domingo.
2 Jun 2011
5 de Junho (2)
Em verdade nada tenho a acrescentar em relação ao que escrevi aqui. A campanha serviu-me apenas para reforçar duas ideias: 1) os partidos à esquerda do PS mantém-se no seu próprio mundo, sem capacidade e vontade de fazer parte de uma solução realizável para o país; 2) a possível maioria absoluta de direita (a acreditar nas sondagens) representa a ameaça de um retrocesso significativo em muito do que bom foi construído nos últimos anos, por exemplo na educação, na saúde e nos mecanismos de mobilidade social.
Assim, votar no domingo conta cada vez mais.
Assim, votar no domingo conta cada vez mais.
1 Jun 2011
E se fizéssemos alguma coisa sobre o assunto?
As campanhas isto, as campanhas aquilo. Somos todos críticos e ainda bem. Convinha, de qualquer forma, pensar um bocado (pode ser depois de 5 de Junho) no que cada um de nós pode fazer para tornar as campanhas e, já agora, a vida política - a coisa pública - num espaço melhor. Dá mais trabalho, é certo. Também é capaz de ser mais útil.
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