9 Aug 2004
Número mágico
Caro FJV: Se esta é a razão para recomendar Vitor Fernandez como técnico do FCP, então o Manuel José também serve.
Prenda em forma de post
Perante tal falta de talento para a poesia, resta-me recorrer aos mestres, e utilizar (com a devida vénia) estes versos de Luís Vaz de Camões nas suas "Endechas a Bárbara escrava".
"(...)
Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.
Ũa graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.
(...)"
Sugestão
Não é só (nem principalmente) por o assunto ser particularmente relevante para mim. Ler o post "Dois sprintes por cada hora de jogo" do maradona (com minúscula) é mais do que importante. É essencial.
Actualização: não vale a pena seguirem o link. O maradona (com minúscula), numa jogada surpreendente (afinal só já aconteceu para aí umas cinco vezes) apagou a quase totalidade do blog. É pena.
6 Aug 2004
Hora de almoço
Isto da aparência tem muito que se lhe diga, mas não estarão certamente à espera que eu discorra demoradamente sobre o assunto. Quero apenas afirmar que, já que não possuo as qualidades intrínsecas que permitiriam equivaler a minha imagem à de um Adónis, podia pelo menos possuir a coragem para me deixar degradar num aceleradamente lento inchar, ingerindo todo o tipo de alimentos que me apetece, e evitar a todo custo qualquer tipo de exercício físico, sem me preocupar de, cada vez mais em sentido literal, não ter ponta por onde se me pegue.
Ou seja, o que tem mesmo muito que se lhe diga, mas não vou repetir a advertência inicial, é que isto de um gajo conscientemente se auto-destruir exige muito mais coragem, egoísmo e estupidez do que o que se pode encontrar na minha pessoa. Lembram-se da frase de Tyler Durden no filme Fight Club?
"Self improvement? Self improvement is masturbation. Now, self destruction..."
Dito isto, vou para o ginásio.
Não deviam, no entanto, estar a falar de perus (1)
No Blasfémias, leio mais esta pérola vinda do outro lado do Atlântico. Continuo a não perceber como é possível sequer pensar em votar (ou apoiar) este homem. E, no entanto, está à frente das sondagens. Quem sabe se, desta vez, ganha as eleições.
New 'Bushism' Born at Bill Signing
WASHINGTON - President Bush offered up a new entry for his catalog of "Bushisms" on Thursday, declaring that his administration will "never stop thinking about new ways to harm our country and our people."
Bush misspoke as he delivered a speech at the signing ceremony for a $417 billion defense spending bill. "Our enemies are innovative and resourceful, and so are we," Bush said. "They never stop thinking about new ways to harm our country and our people, and neither do we."
No one in Bush's audience of military brass or Pentagon chiefs reacted.
5 Aug 2004
Onde mais?
(...)
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
(...)
excerto do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos
Lembrei-me onde é que tinha lido sobre a lucidez antes de morrer: no "Tabacaria" de Álvaro de Campos. Podem ler a totalidade do poema aqui.
Não deviam, no entanto, estar a falar de perus
É o nome de uma nova rubrica, aqui, no Serras. Só não sei do que vai tratar ou quando vai começar. Mas gosto tanto do nome que seria uma pena desperdiçá-lo.
4 Aug 2004
Não perguntem
E enquanto a crise de inspiração, notória e sentida pelos meus 3,5 leitores, não passa, o que é que podemos fazer com este blog? Há um ano atrás, quando apenas lia blogs, não tive a oportunidade de sentir os efeitos que Agosto tem sobre a escrita , é inevitável, lá diria o outro, se estivesse aqui outro, mas não é o caso. Não, quem está mesmo aqui sou eu. Eu, não tão chateado como um peru em véspera de Natal, convenhamos que não deve ser agradável, se bem que, pelo menos os que são mortos em casa dos meus avós sempre batem as botas com uma bela de uma tosga que não lembra. Lembrei-me agora de ter lido em algum lado que o máximo da lucidez é atingido nos momentos anteriores a morrer. Não deviam, no entanto, estar a falar de perus.
Onde é que eu ia? Ah, razoavelmente aborrecido por não existir uma alma (no sentido figurado) caridosa (no sentido literal)que patrocine a minha (ou deveria dizer a nossa, mas está implícito na minha e como tal não é necessário) felicidade, permitindo-me assim esse momento de rara beleza que seria mandar os rácios de Sharpe e outros quejandos igualmente desinteressantes para a puta que os pariu.
Relembrando-me, em tom de mantra, que a esperança é a última a morrer (não se sabe se sóbria) vou gozar o fim-de-tarde e esta luz espantosa que banha a minha cidade. Melhores dias virão. Estou certo que sim.
Tempo (2)
Lisboa acordou hoje cheia de sol, coberta por uma luz lindíssima, impressionante. Sei que são apenas condições climatéricas usuais para Agosto. E se assim é, porque é que insisto em ler mais do que apenas isso?
3 Aug 2004
Tempo
Lisboa acordou hoje enevoada, coberta por um manto cinzento, de aspecto sujo. Sei que são apenas condições climatéricas pouco usuais para Agosto. E se assim é, porque é que insisto em ler mais do que apenas isso?
2 Aug 2004
Entretanto
Estes versos da música Wish You Were Here, dos Pink Floyd, não me saem da cabeça. Por enquanto tenho a desculpa do calor. Por enquanto.
"And did they get you to trade
Your heros for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?"
30 Jul 2004
Serras light
Comentário fútil e dispensável mas o que é que querem está mais calor outra vez:
Não acham que Branquinho Lobo é um nome completamente irreal?
Até fazia sentido
Leio no Público que Alberto João Jardim afastou a possibilidade de se candidatar à Presidência da República. Eu cá acho que até fazia sentido. Porque se nivelava o Governo (não eleito, convém não esquecer) e a Presidência da República o que, estou certo, melhoraria imenso a comunicação institucional e a capacidade de construir um Portugal melhor.
E daí, pensando bem, se calhar a mudança para o Alberto João como PR não mudaria assim tanta coisa, pelo menos substancial. Mas era capaz de dar mais dores de cabeça ao Santana.
29 Jul 2004
Skating on thin ice
É como me sinto às vezes, nomeadamente aqui, no Serras. Não deixa, no entanto, de ser divertido.
28 Jul 2004
Frases (III)
"Tudo é mais belo porque estamos condenados. Cada momento pode ser o teu último."
Aquiles, no filme Tróia (2004)
Darfur
Transcrevo do Rua da Judiaria, em resposta ao seu apelo:
"Ao anunciar a solução final aos seus oficiais, assegurando que no futuro ninguém se recordaria dos judeus, Hitler terá dito: “Quem se lembra hoje do que aconteceu aos arménios?”. A memória colectiva tende a ser demasiado curta em alturas cruciais. Já depois da ONU ter reconhecido oficialmente o genocídio como crime contra a Humanidade, o mundo voltou a repetir o colectivo encolher de ombros face ao Camboja – onde os Khmer Vermelhos de Pol Pot mataram mais de dois milhões de pessoas em dois anos –, a Timor Leste, à Bósnia e ao Ruanda. Agora, a História volta a repetir-se em África com a tragédia de Darfur. Sobre Darfur, Samantha Power escreveu no início de Junho: “Cerca de 30 mil pessoas foram já assassinadas, e perto de milhão e meio foram vítimas de limpeza étnica, afastados das suas aldeias e terras de cultivo. Centenas de milhar foram encurraladas em campos de concentração, patrulhados por milícias janjaweed, apoiadas pelo governo, que violam mulheres e matam os homens que tentam sair em busca de comida para as suas famílias. Outros vagueiam pela região sem alimentos nem água. Entretanto, Khartoum tem bloqueado e manipulado a ajuda alimentar internacional.” "
Não era esta a intenção quando coloquei no blog a tira do Calvin&Hobbes do post anterior. Mas agora estou aqui a pensar que não existem muitos limites à selvajaria humana. Que somos sempre capazes do pior. A nossa voz, o não pararmos de falar no assunto, pode bem vir a funcionar como um limite ao horror que se repete no Sudão.
27 Jul 2004
Late night blogging
Fim-de-semana no meio de um calor sufocante, que domina tudo e condena ao torpor, a estar na vida de olhos abertos, sim, mas quase, apenas quase. Como se estivesse apenas a assistir, sem participar, o corpo não reage mas a cabeça menos ainda. E de repente estou a pensar em porque é que haveríamos de ser resistentes se mais nada, ou quase mais nada, ver os cactos a crescer cada vez mais, é. Temperatura máxima de funcionamento. Ultrapassada, espezinhada nestes dias. Apenas a estas horas, agora invulgarmente tardias para mim, consigo escrever alguma coisa. Infelizmente a qualidade não acompanha a capacidade.
Boa noite.
24 Jul 2004
O calor não faz bem à cabeça das pessoas
- Então, vamos ter com eles à Expo?, pergunto
- Vamos. Se o mundo não acabar...
Tens a mesma sensação do que eu perante a opressão deste calor, perante esta falta de ar. A sensação de que, mais do que ser um fenómeno climatérico relativamente raro, é um prenúncio de mudança, de que alguma está para acontecer. Mas está sempre, não é?
O fim do mundo é apenas o teu pessimismo a falar. Espero.
23 Jul 2004
22 Jul 2004
Ficção
Cheira-me a novo volume das memórias de Jorge Sampaio enquanto Presidente da República. E embora possa parecer, isto não é uma crítica.
Get on board
Apetece-me esclarecer que considero a decisão de Jorge Sampaio legítima. Errada, mas legítima. O que isto quer dizer é que, embora eu tivesse decidido de outra forma (but who gives a fuck, right?) e a tomada de posse deste governo seja semelhante a um episódio particularmente estranho da Twilight Zone, estes senhores têm, inequivocamente, o direito de sentar os reais traseiros nas respectivas cadeiras.
Temos, portanto, Santana Lopes a primeiro-ministro (não eleito, é verdade) e Sócrates como o (apenas carente de ratificação) líder da oposição. No governo, uma direita populista e arrogante, de Assuntos do Mar e Secretárias de Estado polivalentes. Na oposição, um PS em contínua esquizofrenia, novamente deslocado ao centro.
A hipótese de luta armada, embora atraente nos momentos mais alucinados, pertence à dimensão da PlayStation2. Resta outra opção, a de não dar descanso a este governo. De continuar a falar das Santanaportices. E, claro, a blogosfera dá uma ajuda preciosa. Por exemplo aqui, aqui e aqui.
Portanto, já sabem (socorrendo-me outra vez do universo PS2): get on board. Não deixem uma santanaportice passar em claro. Vai haver tanto para dizer nos próximos meses.
21 Jul 2004
Santanaportices 1
"Há pela primeira vez uma mulher à frente da Secretaria de Estado da Defesa Nacional, Teresa Caeiro, anunciou esta tarde o ministro desta pasta, Paulo Portas, em Viana do Castelo. Mas pouco depois, adiantou que esta responsável será a nova secretária de Estado das Artes e Espectáculos, reforçando a equipa do Ministério da Cultura. «Teresa Caeiro revelou-se mais necessária na Cultura do que na Defesa», afirmou Paulo Portas, citado pela Agência Lusa."
in TSF. Resto do artigo aqui. Os bolds e itálicos são meus.
Que estão lá para a política-espetáculo, a malta já sabia. Que o espetáculo é um circo, desconfiávamos. Agora que começasse tão depressa e logo com um número de antologia é, claramente, exceder as expectativas.
20 Jul 2004
Tolerância zero
Bartoon, no Público.
Eu, que não sou religioso, tenho enormes dificuldades em dar tolerância à acção governativa de quem (e sim, vou continuar a falar deste assunto) não foi eleito. Particularmente quando a primeira medida oficial do Primeiro-ministro Pedro Santana Lopes é mandar rezar uma missa pela alma do seu guru, um antigo Primeiro-ministro. Deve ter sido para confirmar tudo o que se disse do acerca do populismo como forma de estar na política.
Com gelo e limão
"Faltava abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único"
"O útimo romântico", de Lulu Santos, no albúm Caetano Veloso - noites do norte ao vivo
17 Jul 2004
Ainda o governo
Deve ser raro quem passou pela Faculdade de Economia da Nova sem ter sido aluno de Maria do Carmo Seabra. Confesso que tenho boa impressão dela, a que não é alheia uma dose não negligenciável de charme. Só não compreendo o que vai fazer para um governo de Santana Lopes.
16 Jul 2004
Sinistro
Um elenco governamental que inclui nomes como Telmo Correia ou (pasme-se!) Luís Nobre Guedes. Por outro lado, qualquer governo sem Celeste Cardona é um governo mais razoável.
15 Jul 2004
Muito agradecido
14 Jul 2004
Spineless
"Questioned on Portugal's involvement in the US-led war coalition in Iraq, on the first day of hearings before the European parliament, Mr Barroso said that, while he was a long-standing admirer of the US, he also hated what he described as American "arrogance" and "unilateralism". He added: "I think there are magnificent things that exist in the US as well as some fairly horrific things."
Financial Times, 14 de Julho de 2004, relatando as audições do mordomo das Lajes com os principais partidos do Parlamento Europeu.
13 Jul 2004
O equilíbrio
Depois do fim Cruzes Canhoto!, temos uma excelente notícia: a promessa do Gato Fedorento em voltar a postar com mais frequência. Tenho dúvidas que a reacção mais razoável à indigitação de Santana Lopes como Primeiro-Ministro seja rir. Mas não estamos em tempos de razoabilidade.
Danos colaterais II
Leio, com pena, o anúncio do fim do Cruzes Canhoto!. A tentação de desviar os olhos do triste espetáculo que aí vem é, de facto, forte.
12 Jul 2004
100 anos de Pablo Neruda
Em ti a terra
"Pequena
rosa,
rosa pequena
às vezes,
diminuta e nua,
parece
que numa das minhas mãos
tu cabes,
que assim vou apertar-te
e levar-te à boca,
mas,
de repente,
os meus pés tocam os teus pés e a minha boca os teus lábios,
cresceste,
os teus ombros erguem-se como duas colinas,
os teus peitos passeiam pelo meu peito,
o meu braço mal consegue cingir a delgada
linha de lua nova que há na tua cintura:
derramaste-te no amor como água do mar:
meço apenas os olhos mais dilatados do céu
e inclino-me sobre a tua boca para beijar a terra."
Pablo Neruda, tradução de Albano Martins, Os Versos do Capitão, Campo das Letras
10 Jul 2004
A pergunta que se impõe
Depois de tanto futebol e depois de tanta política (ambos tão cheios de esperanças e ambos a terminar em baldes de água árticos devido a protagonistas menores) será que vem aí o Verão?
Comentário
Oficial
Penso que Jorge Sampaio tomou a decisão errada por duas razões. 1) porque apesar de ser constitucional não me parece que Santana Lopes tenha legitimidade para governar. 2) porque eleições permitiriam clarificar águas que me parecem actualmente tudo menos claras.
Read between the lines
Parece-me que Sampaio terá, como se podia ler ontem no Inimigo Público, mudado de opinião mas apenas uma vez: quando Ferro Rodrigues lhe comunicou com uma lágrima no olho (e isto agora é a sério, com a sinceridade que temos de reconhecer que o caracteriza) que se demitia se Sampaio optasse por não convocar eleições.
Sportinguista ( = esperançoso, para os leigos)
A visão de longo-prazo de Jorge Sampaio é de louvar, ao permitir ao PS escolher um novo secretário-geral que nos permita dar (segue-se declaração ao estilo Ana Gomes) um valente chuto nesta corja que nos vai governar durante mais dois anos.
Cínico (outra vez Ana Gomes, que diabo!)
O grande sonho de Sá Carneiro (que apropriado) cumprido: "Uma maioria, um governo, um presidente"
9 Jul 2004
Serras Zandinga
O Enola Gay abortou a missão. Santana Lopes é o novo primeiro-ministro de Portugal (frase tenebrosa que só mesmo a democracia, através do voto, poderia algum dia legitimar). O anúncio segue em breve.
Podia ser bem pior... Yuppie, por exemplo!
Wackiness: 48/100
Rationality: 44/100
Constructiveness: 72/100
Leadership: 20/100
You are an SECF--Sober Emotional Constructive Follower. This makes you a hippie. You are passionate about your causes and steadfast in your commitments. Once you've made up your mind, no one can convince you otherwise. Your politics are left-leaning, and your lifestyle choices decidedly temperate and chaste.
You do tremendous work when focused, but usually you operate somewhat distracted. You blow hot and cold, and while you normally endeavor on the side of goodness and truth, you have a massive mean streak which is not to be taken lightly. You don't get mad, you get even.
Please don't get even with this web site.
Podem fazer o teste aqui (via Bomba Inteligente e Malícia-de-Mulher).
E não se esqueçam: I don't get mad, I get even. Even Steven.
8 Jul 2004
A ler
O post "Há uns anos, bastava um táxi para levar o grupo parlamentar do PP à Assembleia; agora são precisos dois para ir em “comitiva” à audiência com o Presidente" no What do you represent.
Momento
Peço desde já desculpa pelo momento umbiguista/intimista/... Mas tenho (mesmo) de escrever como é bom gostar tanto dos meus, das pessoas que amo. Obrigado.
Não sei se é razoável
... mas o que é certo é que me sinto ressacado. Demasiada emoção, excesso de excessos. Entre as emoções políticas e as emoções futebolísticas, sinto-me de rastos, cansado mesmo.
7 Jul 2004
Janelas
ESQUADROS (excerto)
de Adriana Calcanhoto
(...)
"Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados de um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(Quem é ela, quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle"
(...)
6 Jul 2004
5 Jul 2004
Mimos
Marcelo Rebelo de Sousa acaba de dizer, em directo na TVI, que Pedro Santana Lopes é "pouco coordenado".
Detalhes
Já escrevi, algures lá para baixo que o Calvin é o meu guru. Agora, de política..., de política sabe a Mafalda.
Quero eleições. Estarei, nessa altura, "Con una cara, pobre!" mas isso são detalhes.
A reacção
Afonso,7 anos, a ver os gregos levantar a taça:
"Próxima vez não convidamos estes gajos..."
4 Jul 2004
PORTUGAL!
Deixem-me repetir:
"Seja como for, deixem-me escrever que já ganhámos. Já fomos mais longe do que nunca. A partir daqui, venha a sorte. Que seja nossa."
Não foi. É pena.
2 Jul 2004
Lutar pela vidinha
Abro o DN e leio mais uma pérola do Delgado (artigo aqui). Afinal, quem Sampaio deve ouvir são as "personalidades dos maiores grupos (económicos) nacionais, que lidam directamente com o impacto positivo ou negativo do que vier a ser decidido em Belém.". Isto porque é "O mundo real, da economia em particular, que melhor pode avaliar as consequências do cenário de eleições antecipadas, (...)".
As eleições, o povo, a democracia, a legitimidade democrática não pertencem ao "mundo real" do cronista de serviço. Importante, importante é a economia.
Mas, também, convenhamos... Na situação dele eu também estaria verdadeiramente preocupado com a hipótese de o PSD sair do poder. Até porque é o tal "mundo real" que lhe paga os serviços que presta.
1 Jul 2004
Parabéns!
Hoje o meu clube faz 98 anos. E que melhor prenda do que a exibição da selecção portuguesa ontem no Estádio José de Alvalade?
Serras light
Ainda a propósito do último "É a cultura, Estúpido!", reparei num pormenor que achei interessante. No meio de uma assistência pouco numerosa eu era a única criatura de fato e gravata. Havia um senhor de laço, mas penso que trabalhava no S. Luiz. Isto é, claro, triste para mim. Como desculpa tenho o facto (com c) de ter, na altura, acabado de sair do emprego e achar horríveis uniformes desmazelados. Deve ser o resto da minha veia conservadora.
Além disso, hoje, pela minha caixa de comentários, soube que estava lá a Inês. Mas mais, se a memória não me falha, penso que reconheci o MacGuffin por uma fotografia que ele colocou nos tempos iniciais do Contra-a-Corrente. E, claro, não posso deixar de assinalar a presença da Charlotte.
Actualização: bom feeling, MacGuffin. Tinha-me esquecido do pormenor do capacete.
30 Jun 2004
There can be only one
Já não tenho imaginação. Penso, penso e não me sai frase nenhuma para retratar a vitória de hoje e a passagem à final do Euro2004.
Talvez porque me custa ter sido Portugal a eliminar a Holanda, país que admiro e me fascina. Não só, mas também, pela atitude dos jogadores e dos adeptos, eles mereciam perder apenas na final. Para nós, claro.
Seja como for, deixem-me escrever que já ganhámos. Já fomos mais longe do que nunca. A partir daqui, venha a sorte. Que seja nossa.
Near-miss
Quarta-feira, 30 de Junho, 15h. Finalmente a frase:
"Tenho aqui um bilhete a mais... Interessado?"
Ufa, estava a ver que não!!!!
FORÇA PORTUGAL!!
A Profecia
Ontem, Durão Barroso, em conferência de imprensa de apresentação aos jornalistas europeus, tem um momento de visão sobre o futuro. Antecipando aquela que será a reacção generalizada daqui a 6 meses quando se falar do Presidente da Comissão Europeia, diz a frase:
"Esqueçam o Durão"
Nós, por cá, vamos tentar.
29 Jun 2004
Efeitos colaterais
Hoje fui assistir ao último "É a cultura, estúpido!", no Teatro São Luiz. Para a ultima sessão prometia-se escolher e comentar os piores filmes, livros e discos dos primeiros seis meses de 2004. Com o elenco do costume (mesmo se este tem a pecha de incluir quem ja leu a Odisseia em grego sem saber grego) e com o interesse reforçado do programa das festas, não podia deixar de assistir, vendo-me obrigado a preterir a manifestação política em favor da manifestação cutural.
Bem arrependido estou. Com alguns, poucos, laivos de brilhantismo pelo meio (podem ler um deles aqui, da autoria do RAP), a sessão foi-se desenrolando, quase penosa. Claramente aquelas cabeças não estavam ali e o calor também não ajudava nada. Mesmo a capacidade de dizer mal do trabalho alheio parecia submetida às inquietações políticas e, provavelmente, também futebolísticas.
O fim do "É a cultura, estúpido!" merecia muito melhor. A culpa é, claro, do Baboso, perdão, do Barroso. Que lixe o país, ainda é como o outro. Agora que estrague uma das poucas manifestações culturais que vale a pena é que não se admite.
Generalizações
Hoje leio na capa do Jornal de Negócios:
"Economistas pedem manutenção de políticas"
Espera lá, deixa-me verificar... Não, a mim ninguém me pediu a opinião.
Mas já que estamos em maré de generalizações, lá estão os jornalistas a tomar a parte (e uma parte bem desagradável já que inclui aquela criatura que dá pelo nome de César das Neves) pelo todo.
Liberdade
No episódio de ontem de Anjos na América (2:, segundas, às 23h, imperdível), um dos personagens dizia qualquer coisa como isto (desculpem a citação de memória e a má tradução):
"O autor do hino dos EUA é que sabia. Colocou a palavra Liberdade numa nota tão alta que ninguém a consegue alcançar."
Mas tentamos. Tentamos sempre.
28 Jun 2004
A serenidade
A nervoseira que vai para ali... Até já escrevem a palavra povo entre aspas.
Actualização - a inquietação continua n'O Acidental. Agora podemos ler que "O povo de Direita nunca lhes perdoará a traição", referindo-se (suponho) às pessoas de direita (perdão, Direita) que não apoiam Santana Lopes. Traidores é sempre um bom epíteto para quem discorda de nós. Principalmente com tantas bandeiras por aí.
27 Jun 2004
E a alternativa?
Perguntam-me. Respondo que a última razão pela qual se pode justificar a não convocação de eleições antecipadas é pelo receio do que poderá sair dessas eleições, i.e., uma vitória do PS ou uma maior instabilidade devido a um maior equilíbrio das forças políticas. Os receios (de certa forma justificados, penso) do que for decidido em eleições livres não têm lugar na discussão sobre legitimidade política.
Continua a ser para mim evidente que a única forma do próximo Primeiro-Ministro da República Portuguesa ter a legitimidade necessária ao exercício da governação é ser escolhido em eleições legislativas (e sim, é para escolher um Primeiro-Ministro que servem eleições legislativas). É grave, demasiado grave, o governo do nosso país ver a sua legitimidade democrática contestada. É exactamente o que vai acontecer se a escolha de quem vai ser o novo Primeiro-Ministro de Portugal for feita pela comissão nacional de um partido político.
Não posso, assim, pedir outra coisa:
PS: mais uma vez obrigado ao Barnabé pela imagem.
26 Jun 2004
A cobardia
"Para certas pessoas, certamente mal-formadas, o primeiro-ministro devia ter publicado a semana passada o seguinte comunicado: «Não me ocorreu em momento algum abandonar as responsabilidades que livremente tomei. Por respeito pelos portugueses, pela democracia e por mim próprio."
Vasco Pulido Valente, no DN. Resto do artigo aqui.
É evidente a cobardia de Durão Barroso, fugindo de uma situação que o próprio criou e não sabe resolver. Maior ainda a cobardia de quem lhe suceder se não tiver a coragem de passar por eleições livres. Se bem que, a determinadas personagens como Santana Lopes (que se reclama herdeiro de Sá Carneiro por tudo e por nada), a nomeação como sucessor lhes assenta como uma luva
25 Jun 2004
Legitimidade política
É o que Santana Lopes (ou Dias Loureiro, ou...) não tem para ser Primeiro-Ministro da República Portuguesa. Até poderá ser o mais legal possível. Mas, considerações pessoais à parte (o que neste caso é particularmente difícil), é evidente que quando se vota em legislativas se vota na figura de um Primeiro-Ministro. Como também me parece evidente que a actual maioria parlamentar não reflecte a vontade dos portugueses, como se infere tanto da votação nas Europeias como das recentes sondagens que vieram a público.
Jorge Sampaio deverá convocar eleições antecipadas se Durão Barroso decidir ser candidato à Presidência da Comissão Europeia (será que o PPE não arranja nada melhor???). Isto para mim é claro como água.
Ligações reais
Através do Pastelinho (temos de pensar mais a sério nisso do lobbie do eixo Delfim-Fernão-Califa) descubro que a Inês é, como eu, uma ex-Delfim Santos. Quando lemos regularmente e gostamos tanto de um blog como eu gosto do My Moleskine é bom descobrir que existe uma ligação real, não apenas electrónica.
Mas há mais. Alguém (presumo que não são todos)do Ilhas é também um ex-Delfim Santos. E temos ainda o Miguel d'O Sítio do Pica-Pau Roxo. Quantos mais andarão por aí?
Baía? Quem?
Grande, grande Ricardo.
PS: sim, este post é injusto. Mas quem é que resiste depois do "drama Baía" durante meses?
Gastronomia e futebol (II)
Depois das tapas e dos bifes... O que acham de laranjas para a sobremesa?
Alguém conhece uma sobremesa sueca? Just in case...
24 Jun 2004
HOJE FOMOS AINDA MAIORES!
Frases para o anúncio da Nike:
"You're going home, you're going home!"
"Beautiful! Just fucking beautiful!"
"Thank you for coming"
"Enjoy the trip back home"
Actualização: a frase na torre é
"There's always rugby"
Muito boa!
Da forma
"Só escreves sobre futebol", dizes-me. Verdade. Mas há que aproveitar a óptima desculpa... Para além disso, como não estar imerso neste "mundo", que nos vai alimentando e consumindo emoções? Já expremi, algures lá para baixo, a inquietude que vou sentindo nestes dias. Dividido entre a adoração pura e simples à selecção (a tal das frases "Eu acredito" e "Sintam a nossa fé") e o receio que me inspiram estes momentos de unanimismo, de delírio, de... adoração. Assusta-me a intensidade das emoções, a intensidade das reacções, a fronteira clara entre "nós" e "eles", o exacerbar dessa mesma fronteira. Assusta-me ainda mais a crítica, velada ou nem por isso, a quem não participa na "onda de apoio".
Mas isto sou eu, quadrado na forma e conteúdo, incapaz de largar as amarras que me prendem à racionalidade. E, na maior parte do tempo, feliz com esta forma geométrica como representação. Forma que é abandonada, claro, durante curtos períodos de tempo. Por exemplo, para festejar os golos, incluindo os do Nuno Gomes (a ex-amélia), logo à noite.
23 Jun 2004
22 Jun 2004
21 Jun 2004
Chico
Fala-se um pouco por toda a blogosfera (com especial destaque para o Blog de Esquerda) na obra de Chico Buarque por ocasião do seu 60º aniversário.
Chico Buarque é das minhas maiores referências desde miúdo. Penso que, principalmente, por cantar tão bem coisas de amor e coisas políticas, com o mesmo sentimento, a mesma emoção, com uma proximidade enorme (sentida por mim) de qualquer pessoa, do comum dos mortais.
Aqui fica um excerto da letra de Cálice, uma das minhas músicas favoritas, parceria entre Chico Buarque e Gilberto Gil. Podem encontrar o resto da letra aqui.
"Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno"
20 Jun 2004
A frase...
...só pode ser:
Hasta la vista, baby!
Fomos grandes hoje!
PS: prometi hoje, em pleno estádio, não voltar a dizer mal da "amélia" depois de esta ter marcado aquele golo sublime. Para marcar esta nova fase espeto com a fotografia do dito no Serras pensando que também já chega de homenagem.
Quando o futebol faz sentido
Vou sair agora para o grande Estádio José de Alvalade. E vou pensando como faz sentido jogar um "mata-mata" com Espanha. Tinha que ser assim. Esta nossa tendência para o drama tem sempre que vir ao de cima.
FORÇA PORTUGAL!
18 Jun 2004
Demolidor
"Levar a coligação até 2006 parece um suicídio; e não a levar é um suicídio. No meio deste patético labirinto o dr. Barroso espera com certeza um milagre. Espera mal. A trapalhada que armou, com irresponsabilidade e presunção, já não se conserta. O país manifestamente não confia nele."
Vasco Pulido Valente, sobre Durão Barrosso, hoje no DN. Podem ler o resto aqui.
E ainda há quem queira mandá-lo para a Europa? E que mal é que a Europa nos fez?
Curiosidade (2)
A frase colocada no anúncio foi de inspiração Bondiana. James Bondiana.
"De Portugal, com amor"
Sempre é melhor do que a colocada por causa do jogo com a Grécia. Mas as sugestões aqui em baixo eram muito melhores.
17 Jun 2004
Curiosidade
Qual será o comentário do anúncio do Figo na torre das Amoreiras (aquele referido aqui) depois da vitória frente à Rússia? Sugestões:
"Vá, voltem lá para o frio"
"Da próxima vez bebam menos vodka"
"Quando eram comunistas jogavam melhor"
Confesso que a curiosidade me está a deixar ansioso.
Actualização: o Pedro deixou mais umas sugestões nos comentários. Aqui estão elas:
"Foi de gelar os tomates, não foi?"
"Onde quiseres, quando quiseres, com o Deco estou safo!!"
"Acabou-se a patinagem no gelo, Domingo vamos a Tango!!"
Efemérides (2)
Parabéns ao Aviz e ao Comprometido Espectador pelo ano de blogosfera. E, claro, obrigado ao FJV por não acabar com o blogue.
16 Jun 2004
Grego
Alguns de vocês já deverão ter tido oportunidade de ver o anúncio colossal que cobre a torre 1 das Amoreiras em que aparece Luís Figo e onde, até ao jogo com a Grécia, estava a frase "Onde quiseres, quando quiseres" numa clara atitude de desafio às restantes equipas de futebol presentes no Euro 2004.
Ora, a frase foi substituída. Agora tem uns caracteres gregos e por baixo a tradução "Sorte de principiante", numa alusão (suponho) à derrota com a Grécia.
Chamar principiante aos gregos não é só ofensivo, é estúpido (como aliás já foi escrito aqui e aqui). Mas há outra coisa que me preocupa. A tradução, no anúncio, está bem feita, Charlotte?
Baralhado
Ontem no Cabaret da Coxa, um jovem defendia entusiasticamente a legalização da Cannabis (legalização essa que apoio também, diga-se). A certa altura, argumentava "o problema é que as pessoas vêm a árvore mas não vêm a montanha".
A montanha? Não é a floresta??
Devia estar, naturalmente, um bocado queimadinho.
Lost in translation
Ontem, na conferência de imprensa antes do Portugal-Rússia, o seleccionador russo, Georgy Yartsev, terá estado cerca de 4 minutos (4!) a responder de uma forma extremamente irritada (quer dizer aos berros) a uma pergunta sobre o afastamento de Mostovoi da selecção russa.
No fim desses 4 minutos a vociferar em russo, a tradução oferecida aos jornalistas foi: "Georgy Yartsev pede para não falarem mais do jogador Mostovoi".
É o que se chama poder de síntese por parte do tradutor. Deve ter-se inspirado no Lost in translation.
15 Jun 2004
Mundo paralelo
E se António Guterres tivesse interpretado os resultados das Autárquicas de 2001 como um "estímulo"?
14 Jun 2004
Feitos (1)
Manuel Monteiro e a sua Nova Democracia conseguiram ter menos votos que o PCTP/MRPP. O que, convenhamos, não é fácil.
13 Jun 2004
Esquizofrenia
Perante estes resultados, Durão Barroso afirma que a mensagem que os portugueses lhe quiseram passar foi de "incentivo". Pois.
Bandeiras (3)
1. Tive o prazer de assistir ao vivo ao França 2 - Inglaterra 1. Se calhar é sensato Portugal ficar pela fase de grupos. Para não correr o risco de ser humilhado por qualquer uma destas equipas nos quartos-de-final.
2. Zinedine Zidane. Nem é preciso mais nada.
3. A selecção de Inglaterra faz lembrar em muitas coisas a portuguesa. Tem bons jogadores, fazem uns jogos bonitos... mas os momentos decisivos são uma chatice.
4. Só para esclarecer que não acredito no que escrevi no ponto 1. FORÇA PORTUGAL! Porra, finalmente posso escrever isto!
12 Jun 2004
Bandeiras (2)
Portugal perdeu hoje com a Grécia no jogo de abertura do Euro 2004. Lamento, mas não há muito mais a dizer. Perdemos porque acontece, porque a Grécia foi mais forte, porque o jogo nos correu mal. Porque é um de três resultados possíveis.
A prudência, a razoabilidade, aconselhava a não entrar em histerias de proliferação de bandeiras como se estivéssemos a celebrar a conquista do Euro 2004 e não da organização do Euro 2004. Para um sportinguista, como eu, este comportamento da selecção é mais fácil de compreender. Se o meu clube é um drama, porque é que a minha selecção havia de ser diferente? No entanto, é sempre nestes momentos, nos difíceis, que o meu fervor clubístico vem ao de cima.
A bandeira de Portugal já está desfraldada na janela.
Cenas de um casamento
A cena passa-se hoje, durante a celebração de um casamento, na Fonte da Telha. A dada altura o padre decide perguntar aos padrinhos e aos pais dos noivos se concordam com o casamento. Estes respondem que sim, concordam. Não contente, o padre pergunta ainda à assistência (na qual me encontro) se também concorda. O sim é, mais uma vez, entusiástico.
As tendências esquerdistas da Margem Sul estão-se a reflectir na celebração de matrimónios... Viva a Democracia Popular!
11 Jun 2004
Uma boa notícia
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