7 Dec 2004
3 Dec 2004
Ground control to Major Tom*
Os efeitos perniciosos de acontecimentos catalogados como bons pela generalidade das pessoas não são, muitas vezes, denunciados e (ainda mais raro) dissecados como mereceriam. Tudo isto é, claro, sobre o radio silence do Burro Amarrado. Ainda mais porque dá a ideia (errada, tão errada) que ficou traumatizado com as diligências fiscais inerentes à compra de uma casa.
*da música Space Oddity, de David Bowie
*da música Space Oddity, de David Bowie
1 Dec 2004
Hoje é dia de festa
Não só, não só... mas também porque é o 1º aniversário do blogue rosa cueca. Obrigado (muito obrigado!) pela dose díaria de boa-disposição.
A iniciação
Levei hoje o meu sobrinho pela primeira vez ao Estádio José Alvalade. Tudo correu de feição, perfeito, para iniciar alguém nesse estado de alma que é ser sportinguista.
30 Nov 2004
Última hora
Pedro Santana Lopes vai juntar-se a Cinha Jardim na Quinta das Celebridades. Não perca, emissão especial na TVI.
29 Nov 2004
Imperdível
As pessoas são como os planetas, precisam de uma crosta rija.
Harper em Angels in America, em repetição, esta semana na 2:
Dia da Restauração
Jorge Sampaio e Santana Lopes reúnem-se novamente depois de amanhã.
Não fosse o presidente este, e Quarta-feira poderia ser o dia da restauração da normalidade. Sempre tornava o feriado mais actual... Mas pensando bem, se o presidente não fosse este, também não estávamos com este problema.
Perder a noção
Miguel Veiga, figura emblemática do PSD, afirmou, durante o fim-de-semana, que o problema não estava na existência de políticos incompetentes, como escreveu Cavaco Silva no Expresso. Estava no facto de esses políticos incompetentes terem poder.
Eu cá continuo a dizer que a incompetência não é o principal problema aqui. O mais grave é ser incompetente, irremediavelmente mentecapto, e ter orgulho nisso. O problema é vir falar de bébés em incubadoras que são agredidos pelos irmãos mais velhos. O problema é não ter a noção do ridículo.
Confesso: poucas coisas me assustam mais do que perder a noção do ridículo. Meu e dos outros. Porque não tem só a ver com os sinais precoces de que este receio se vai materializar. Basta, por exemplo, ler o que aqui escrevo para ser claro que já desenhei bem melhor a fronteira entre o razoável e o ridículo. Mas. quando somos bombardeados diariamente por cretinices do género da comparação do governo com um bébé numa incubadora, acabamos também por ficar cada vez mais insensíveis às bojardas. A não ficar chocados. E isso é mau.
É urgente tirar estes senhores do governo da República Portuguesa. Acho eu.
28 Nov 2004
De um leitor
Henrique Chaves demitiu-se. Acusa Santana Lopes de falta de solidariedade e de faltar à verdade!! Ah... O ex-ministro tomou posse há três dias.
ADP
26 Nov 2004
Pelo menos é Sexta-feira :-)
Ring! ring! it’s 7:00 a.m.!
Move y’self to go again
Cold water in the face
Brings you back to this awful place
Knuckle merchants and you bankers, too
Must get up an’ learn those rules
Weather man and the crazy chief
One says sun and one says sleet
[Magnificent Seven, The Clash]
25 Nov 2004
Zzzzztt*
*fundiu-se o último fusível
Arrogantemente, acho que me falta sempre aquela pontinha de arrogância para caracterizar, com carácter definitivo, os adversários de estúpidos. Sou, sempre fui, demasiado sensível aos argumentos dos outros. Percebo as suas razões. Entendo as angústias. Recebo, claramente, demasiada informação.
Para além de fanatismos comprovados ou incapacidades intelectuais atestadas e retestadas, tudo o resto eu ouço.
O que gera, no mínimo, dois efeitos perversos. O primeiro é dotar-me de uma razoabilidade que tiraria a paciência a qualquer um. O famoso "sim, mas...". Ou o "compreendo muito bem". O segundo é de mais longo-prazo mas, ainda assim, não menos destruidor. O excesso de informação acaba por me alhear da maior parte dos assuntos. Isto é, não reconhecendo uma base de ideias pré-definidas suficientemente forte para me permitir catalogar de forma rápida e eficiente as várias coisas com que me vou deparando, desisto dessa catologação. Desligo,simplesmente, o receptor.
Ridículos e ridículos
O novo ministro do Desporto e Juventude, Henrique Chaves, teceu - ainda como ministro adjunto do primeiro-ministro - comentários pouco agradáveis sobre o encontro que na passada segunda-feira manteve com os dirigentes do Benfica Luis Filipe Vieira e Tinoco Faria, a propósito da polémica arbitragem do Benfica-FC Porto.
Segundo Henrique Chaves, não está nos seus planos ver o DVD do jogo que lhe foi entregue pelos responsáveis benfiquistas, o qual "só não foi pela janela fora por delicadeza.
no Público
Apesar de demonstrar uma falta de respeito quase criminosa por essa instituição que congrega(mais de) 6 milhões de portugueses, a reacção do ministro é, mais do que compreensível, óbvia. Só fico sem perceber quem o obrigou a receber os dirigentes benfiquistas.
Afinal, é a altura dele
SIC Notícias, 8 da manhã. O circo instalado à porta do Tribunal da Boa-Hora, onde se vai iniciar o julgamento do caso Casa Pia. Um "jornalista" (e sim, as aspas são intencionais) diz (esperançoso note-se), que devido a serem esperadas centenas de "populares" nas imediações do edifício as medidas de segurança foram reforçadas.
24 Nov 2004
23 Nov 2004
22 Nov 2004
Apelo
Que se acabe, por favor, e de uma vez por todas, com concertos intimistas no Pavilhão Atlântico. Que, diga-se, deve ser um óptimo espaço para Anastasia, Shakira, etc. Agora, para Caetano ou Maria Rita é nada menos que criminoso. O que aconteceu ao Coliseu dos Recreios?
18 Nov 2004
O descaramento
"O PSD considera as conclusões da AACS «altamente confusas e pouco sustentadas» e chega, inclusive, a pedir a criação de um novo organismo."
O problema destes senhores que nos governam não é só a falta de cultura democrática que, dia a dia, vão demonstrando à saciedade. Há também a falta de vergonha com que sugerem alegremente a substituição ou o fim de quem se atreve a criticá-los.
17 Nov 2004
16 Nov 2004
Ai do ovo
Se a pedra cai no ovo,
ai do ovo.
Se o ovo cai na pedra,
ai do ovo.
Cresci no meio de ditados, provérbios e outros ditos populares. Com excepções, claro, considero-os, em si mesmos, uma verdadeira escola de vida. Ou, como era dito no filme "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain", uma pessoa que sabe provérbios não pode ser má de todo. O que transcrevi em cima é um dos meus favoritos. Fala-me como os resultados finais dependem mais de quem somos do que de onde partimos.
15 Nov 2004
O elogio da competência
Adelino Salvado é o melhor amigo de Durão Barroso. José Barroso devia oferecer-lhe um lugar na Comissão Europeia. Era uma forma bonita de reconhecer tudo o que Adelino Salvado fez por ele.
Como Director da PJ, não só dirigiu, da forma terrivelmente eficaz que conhecemos, a luta contra a oposição (lembram-se de Ferro Rodrigues?) como ainda salvou Durão Barroso (mais tarde José Barroso) de um atentado terrorista em Junho.
É obra.
14 Nov 2004
12 Nov 2004
Da felicidade
"Happiness is good health and a bad memory."
Ingrid Bergman
Só falta perder uns quilinhos.
11 Nov 2004
Espanto
...perante as violentas reacções à morte de Arafat. Figura difícil de catalogar, acho eu. Deve ser por isso que os comentários vão desde "a morte de um herói" a "finalmente desaparece um carniceiro". De qualquer maneira, parece-me que para o ambiente melhorar (nem que seja uma coisinha) é necessária a mudança de líderes de ambos os lados da guerra.
10 Nov 2004
Não sou esquisito...
...em relação a muros. Não gosto de nenhum. Acho-os reflexos, a maior parte das vezes, de paranóias securitárias. Por isso qualquer dia é bom para celebrar a queda de muros. Mas nenhum é tão bom como o dia seguinte.
9 Nov 2004
Alguém tem de...
...explicar ao Liedson o conceito de fora-de-jogo. E, já agora, dizer ao Peseiro para tirar aquele sorriso estúpido das trombas quando está a falar de uma derrota do Sporting.
Em 1999, com este resultado, com este árbitro, nesta jornada e com esta classificação, o Sporting foi campeão. Mas na altura Fernando Santos era treinador do Porto. O que era uma vantagem inquestionável e que não se repete.
8 Nov 2004
"O que é que tens de urgente para me dizer?"
Era o mote da peça de teatro Urgências, que esteve em cena no Teatro Maria Matos em Outubro. Na altura, pediam ao público para, du escrever em post-its as suas urgências. Desde a peça que tenho estado, de forma intermitente, a pensar no que escreveria. No que vou escrever. No que tenho, preciso de escrever. Cá vão as primeiras:
- É urgente continuar a amar assim. Sempre.
- É urgente gritar que sou abençoado por a minha família ser tão amável. É urgente explicar-lhes que sem eles já teria sucumbido. É urgente tê-los perto de mim.
- É urgente vencer no que faço para continuar a alimentar o sonho de mandar tudo isto às urtigas.
- É urgente ler.
- É urgente o Sporting ganhar.
5 Nov 2004
3 Nov 2004
Bush vs Somebody/Anybody
Estava, de facto, convencido que a vitória seria de Kerry. Ou, melhor, de Somebody/ Anybody. Mas consigo entender a resposta à pergunta (embora não entenda a pergunta): "quem nos pode proteger melhor da ameaça terrorista nos próximos quatro anos?"
E, desta vez, Bush ganha as eleições. O que não é de desprezar.
2 Nov 2004
1 Nov 2004
Excepções
Já há uns tempos que me andava a incomodar a improbalidade estatística de nunca ter tido um furo num pneu. Agora já não. Mas para além de repor a minha crença na ciência probabilística, o evento teve ainda outra vantagem. Na mudança do dito fui auxiliado por 2 GNR's de uma simpatia e civismo muito acima do normal. No entanto, dada a minha formação (que não é coisa que se despreze facilmente), vou catalogar estes dois simpáticos senhores como a excepção e não como a regra.
29 Oct 2004
Run
You have the right to free
Speech as long as you're not
Dumb enough to actually try it.
(...)
Finally then I will read you your rights
You have the right to remain silent
You are warned that anything you say
Can and will be taken down
And used as evidence against you
Listen to this
Run
[Know your rights], The Clash (versão completa aqui)
Retrato da realidade actual? Não, manifestamente não. Então porque é que me apetece tanto seguir o conselho da última linha?
Da credibilidade externa
LONDON (Standard & Poor's) Oct. 29, 2004--Standard & Poor's Ratings Services said today that it revised its outlook on the Republic of Portugal to negative from stable due to budgetary weaknesses. At the same time, Standard & Poor's ffirmed its 'AA' long-term and 'A-1+' short-term sovereign credit ratings on the Republic.
"Our concern centers on the Republic's continued real increase of primary expenditures in the past two years," said Standard & Poor's credit analyst Trevor Cullinan. "These show that the government's reform program has yet to deliver any appreciable improvements in control over spending in key are as such as health care and the compensation of public sector employees.
"In addition, the authorities continue to rely on one-off measures to meet Portugal's obligations under the Maastricht Treaty, rather than pursue further structural reforms. At the same time, credible peer pressure from European partners through the Stability and Growth Pact procedures has weakened significantly. Moreover, there is a risk of further slippage as the election cycle gets underway."
Via Bloomberg
Da credibilidade interna deste governo já estávamos conversados. Podemos agora conversar da externa?
27 Oct 2004
E agora?
Precisavam da confirmação? Aqui está ela. Se isto fosse uma República decente, estavamos neste momento numa crise política sem precedentes. Assim, aposto singelo contra dobrado que o governo e a maioria vão continuar a assobiar para o lado. Quanto a Sampaio, há hipóteses de passar de "preocupado" para "moderadamente preocupado".
PS: E se Durão Barroso decidisse voltar? É que parece que na Europa as coisas não lhe estão a correr de feição.
Tempos modernos
"O director do "Diário de Notícias", Fernando Lima, apresentou a demissão do cargo ontem à noite, depois de um dia agitado no jornal da Lusomundo."
Esta malta não consegue trabalhar sob pressão.
Normal
Apenas tenho ouvido (e lido) sound-bites sobre a polémica à volta da escolha de Rocco Buttiglione para Comissário Europeu da Justiça, Liberdade e Segurança. E embora não costume ser o caso, não me apetece atirar uma opinião sem ter fundamentos mais sólidos (como por exemplo saber escrever o nome do senhor).
Quero evitar, para já, o pantanoso terreno configurado pelas alegações de que se trata de uma perseguição aos católicos. Agora se o Parlamento Europeu (o único orgão político europeu eleito directamente), tem o direito de, através de uma votação democrática, chumbar a equipa escolhida por José Barroso e decide exercer esse direito, qual é a questão? Ou era suposto ser apenas um formalismo?
26 Oct 2004
A falta de noção
ou Ego Trip
"Creio que o 'Diário de Notícias' perde mais do que eu perco com esta decisão", afirmou Clara Ferreira Alves, depois de ter recusado o convite que lhe foi endereçado para dirigir o jornal.
Segundo as últimas notícias, apesar dos esforços dos amigos mais próximos, o DN continua inconsolável.
"Creio que o 'Diário de Notícias' perde mais do que eu perco com esta decisão", afirmou Clara Ferreira Alves, depois de ter recusado o convite que lhe foi endereçado para dirigir o jornal.
Segundo as últimas notícias, apesar dos esforços dos amigos mais próximos, o DN continua inconsolável.
25 Oct 2004
Lapsus
«Há momentos em que as democracias funcionam muito mal e outras funcionam melhor. Temos o dever de fazer com que esta em que estamos funcione mal. É isso onde eu, esforçadamente, com gosto, me tenho dedicado», explicou.
Jorge Sampaio, o indigitador, na TSF Online.
Há quem diga que é gralha da TSF. Há quem diga que é gaffe de Sampaio. Eu cá, depois do comportamento do Presidente da República neste Verão, acho que lhe fugiu a boca para a verdade.
Privilégios
Só Caetano Veloso pode terminar um concerto cantando o "Mamãe eu quero". E isto porque quando, como Rui Tavares explica no Barnabé, já apenas se espera o perfeito e se é atingido (sim, atingido) com uma interpretação do Cucurrucucu Paloma, cantado de forma a deixar-nos em lágrimas, se ganha esse direito.
23 Oct 2004
Aniversário
366 dias passaram desde que foram aqui escritas as primeiras letras. Continuo sem saber muito "bem o que sairá daqui". Espero que a continuação do prazer de conversar. Obrigado.
21 Oct 2004
Também não é agora
Depois de anos de crescimento económico fulgurante, o mercado está preocupado com o sobreaquecimento da economia chinesa. O governo chinês afirma, a pés juntos, que consegue arrefecer progressivamente a economia, evitando que esta entre em recessão. O pensamento económico único professa a religião da economia de mercado e considera que qualquer intervenção do Estado no ciclo económico é ou inútil ou catastrófica. O pensamento económico único, a julgar pelo comportamento dos mercados, também acredita nas capacidades do governo chinês, que conseguirá, aparentemente, por a economia a crescer à taxa que quer. Quanto a mim, nunca percebi nada disto. Também não é agora.
20 Oct 2004
Perverso
Deste modo, o ministro defendeu a necessidade de «haver limites à independência» dos operadores públicos sob pena de ser adoptado «um modelo perverso», que exige responsabilidades a quem não toma as decisões.
E eu que achava que a responsabilidade do governo era não limitar a independência dos orgãos de comunicação social. Viver e aprender. Sempre.
19 Oct 2004
Chuva
Do meu privilegiado posto de observação vejo Lisboa debaixo de chuva. Ininterrupta. A tal que volta com Outubro. Mesmo que tenha chovido em Agosto, como aconteceu, e em Setembro, a chuva de Outubro tem sempre um sabor diferente.
18 Oct 2004
Já vos disse que não gosto de Outubro?
Everytime we say goodbye, I die a little.
Everytime we say goodbye, I wonder why a little.
Why the gods above me, who must be in the know,
think so little of me they allow you to go.
Everytime we say goodbye, Cole Porter.
17 Oct 2004
Bom negócio - parte 2
Os tais 4€ ainda dão para, de quando em vez, ler pérolas destas de Vasco Pulido Valente:
"A política acabou por se tornar um divertimento exótico para aficionados com tanta relação com a realidade como a "Quinta" da TVI. E como a "Quinta" da TVI, exige o mesmo género de virtudes: descaramento, frivolidade e uma absoluta falta de bom senso e de bom gosto."
16 Oct 2004
Bom negócio
Todos os fins-de-semana 4€ por uma crónica de Pedro Mexia e outra de Luís Fernando Veríssimo.
15 Oct 2004
Exclusivo Serras
Pressões de Santana atingem Scolari
Depois do escândalo do caso Marcelo Rebelo de Sousa, as pressões do governo chegam ao seleccionador da equipa das quinas, Luiz Filipe Scolari. Segundo o que foi reportado por numerosos orgãos da comunicação social, Scolari ter-se-á despedido dos jornalistas na conferência de imprensa depois do jogo com a Rússia com um sonoro "vão-se foder!". A única explicação razoável para tal comportamento é este cumprimento final ser afinal não mais do que um recado de Pedro Santana Lopes (o indigitado) para a classe jornalística em geral, por insistirem em publicar notícias que não agradam ao governo da República. Scolari terá, entretanto, aceite um lugar na administração do novo casino de Lisboa.
14 Oct 2004
Não pode ser fácil
Quase, quase, quase. Quase sinto pena de quem, sentindo-se ideologicamente mais deslocado à direita, se vê constrangido (mesmo que involuntariamente) a defender não só as políticas mas, principalmente, as capacidades de personagens como George W. Bush. Ou, pior ainda, como Pedro Santana Lopes (o indigitado).
13 Oct 2004
12 Oct 2004
Santanaportices (7)
Fui só eu que achei que Pedro Santana Lopes (o indigitado) estava desconfortável na comunicação ao país? Nervoso, as palavras atropelavam-se, não sabia o que fazer à mão, os papéis também não pareciam estar lá a fazer nada. Depois, os adereços, deslocados. A secretária demasiado alta, a gravata desmaiada, os óculos a tentar dar um ar sério... E claro, a jóia da coroa: à direita a fotografia com o papa.
Santanaportices (6)
Ontem, o Primeiro-ministro indigitado por Jorge Sampaio falou ao país. Pelo que consegui captar não me devo preocupar com coisas menores, como tentativas de calar vozes incómodas, porque vou pagar menos IRS para o ano. Ah, e além disso, também não devo criticar o governo porque é novinho, coitadinho.
Estranho..., não me lembro de eleições este ano.
11 Oct 2004
A piada é uma boa piada
P: O que é que há de comum entre a equipa do Sporting e a Quinta das Celebridades?
R: São um grupo de pessoas que não sabem o que hão de fazer no campo.
8 Oct 2004
Repost
A propósito desta polémica à volta da demissão de Marcelo Rebelo de Sousa, parece-me apropriado republicar um post que escrevi aqui em Abril deste ano.
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How things work
Ou, será que podemos generalizar?
Excerto de reunião (imaginária, claro) entre investidor e dono de grupo de media
Investidor (I): este contrato para utilizarem os espaços da empresa X para publicidade é renovável de um em um ano. Ou seja, podem perder este contrato facilmente, não é?
Dono (D): não, não acreditamos que esse risco exista... É a vantagem de sermos um grupo integrado.
I: como assim?D: Repare, se a empresa X decidir rescindir o contracto connosco, podemos sempre “arranjar” uma notícia sobre essa empresa para passar nos telejornais. Não me parece que a empresa X queira correr esse risco.
I: Ah, OK. Já percebi…
7 Oct 2004
Cómico
Mais engraçado do que Jerónimo de Sousa ser o nome mais falado para suceder a Carlos Carvalhas como Secretário-Geral do PCP só mesmo Carvalho da Silva ser a hipótese mais falada para representar a face dos renovadores.
6 Oct 2004
Santanaportices (5)
Depois da nomeação de Luís Delgado para chefiar o grupo Lusomundo Media, Santana Lopes consegue agora calar uma das vozes mais incómodas para o seu governo (até porque tinha a autoridade de ser um ex-presidente do PSD). Eu não tinha dúvidas que Santana e Portas iam governar para os media. Agora governar os media, confesso que estou surpreendido. E assustado.
Disclaimer: há sempre a hipótese, que me parece remota, de Marcelo Rebelo de Sousa aparecer noutro canal de televisão e continuar a expressar, semanalmente, a sua opinião. Lá ficaria eu surpreendido outra vez.
5 Oct 2004
Viva a República!
Porque me parece bem que não consagremos, através do nosso sistema político, direitos adquiridos apenas por se ser filho de alguém.
4 Oct 2004
Moderado
Não me diz muito a vitória da ala moderada no PS. Como qualquer partido de poder, o PS é calculista, sabe que tem maiores probabilidades de vitória com Sócrates, até porque o centrão foi abandonado pela deriva do actual governo para os lados do Largo das Caldas.
Um PS moderado, sem algumas características dos seus membros mais anquilosados (mental e/ou fisicamente), não me parece mal. O que me pareceria mal, mas mesmo mal, era se juntassem ao PS moderado a influência da ala católica - lembram-se de Guterres e do referendo sobre a IVG?
3 Oct 2004
Com dedicatória
The Final Frontier (Anita Baker)
Tell me why
I love you like I do,
Tell me who
can stop my heart
as much as you,
Tell me all your secrets, and I'll
tell you most of mine,
They say nobody's perfect,
well, thats really true this time
I dont have the answers,
I dont have a plan
All I have is you,
So darling, help me understand
(What we do) - you can whisper in my ear
(Where we go) - who knows what happens after here
Let's take each other's hand as we jump
in to the Final Frontier
I'm mad about you baby,
Mad About You...
Chão real
Caetano Veloso, no seu Verdade Tropical, fala "da ilha Brasil pairando eternamente a meio milímetro do chão real da América". Raras vezes me vi tão bem descrito.
1 Oct 2004
30 Sept 2004
Curiosidade
Quanto tempo até o erro de casting que o meu trabalho representa se tornar insustentável? E o que acontece nesse momento? Mudo de emprego ou mudo eu?
28 Sept 2004
Comentário motivado pelo post anterior
Estou preocupado à séria com o facto de ter transportado para este blogue os raciocínios que infestam o dia-a-dia do meu trabalho. Diversificação de risco. Que merda. Estou, de facto, farto de me aturar. Aos leitores (sim, há esperança que seja mais do que um) peço desculpa.
Riscos
E a diversificação do risco, Inês? Que o "solteira, maior" esbarra em preconceitos não tenho dúvidas. E, no entanto, existe um risco diferente (e menor) em serem dois a ganhar metade de x em vez de um a ganhar x.
27 Sept 2004
Confesso
Estou sem paciência para me aturar. Já tiveram dias assim, em que a vossa voz vos irrita e incomoda?
24 Sept 2004
Polivalência
A sede com que os militantes do PP estão a ir ao pote, em termos de agarrar tachos, tem tanta intensidade quanto o discurso pseudo-moralista que protagonizavam na oposição. Mas a polivalência da nossa extrema-direita não se manifesta apenas no plano moral. Também nos aspectos profissionais ela é visível. A Teresa Caeiro tanto dava para a Defesa como para a Cultura. A Celeste tanto sabe de Justiça como de administração bancária.
23 Sept 2004
Causa e efeito
Primeira consequência de nos últimos dois dias ter realizado uma acção de formação sobre gestão do tempo?
Hoje quase não conseguir blogar.
22 Sept 2004
Declaração
A próxima pessoa que me falar na necessidade de ser assertivo entenderá, mais rapidamente do que pensa, o significado de ser "claro e objectivo".
21 Sept 2004
Maldade
É o que fizeram a José Sócrates no debate entre os três candidatos à liderança do PS hoje na SIC Notícias. É que só filmaram o homem de perfil, caramba. Sempre de perfil. E o nariz ainda se nota mais no vazio de ideias políticas.
Outra dúvida
Não tinhamos despedido o Fernando Santos na época passada?
PS: não, para além da chalaça, não vou comentar mais nada sobre o "momento" do Sporting. Há assuntos e problemas assim, incompreensíveis para quem está de fora e, às vezes, para quem está dentro. Apenas digo, ou repito, que o Sporting não é um clube de futebol. É um drama.
20 Sept 2004
Dúvida
Ontem, na Sic Notícias:
"O jovem pertencia a um grupo semi-anarquista (...)"
Alguém me quer explicar o que é um grupo semi-anarquista? Estilo no rules mas sem exageros, é?
17 Sept 2004
Take off with us
Acordo, estremunhado, no avião. Ouço uma voz, melodiosa, que pergunta: "sex on board?". Por um instante penso que estou a sonhar com o filme All That Jazz, naquela cena fantástica em que os bailarinos, na pele de uma tripulação demasiado amigável, cantam e dançam o "Take off with us". Mas a pergunta seguinte esclarece: "ventas a bordo?". "No, gracias". A pronúncia, ou a falta dela, tem muito que se lhe diga.
15 Sept 2004
Ele merece
Parecem-me mal as críticas à nomeação de Luís Delgado para o Conselho de Administração da Lusomundo Media (dona, entre outros, do Diário de Notícias, TSF, Jornal de Notícias). Sendo eu um convicto defensor da meritocracia, tenho de admitir que Luís Delgado tinha de ser recompensado. Tais doses de sabujice, sempre raiando a histeria (lembrem-se, por exemplo do modo como este cronista defendia que o nosso actual Primeiro-ministro indigitado era o melhor candidato possível à Presidência da República), não são comuns e têm de ser tomadas em conta.
Caixa Geral de Depósitos
Face às demissões de Mira Amaral e António de Sousa é altura de repetir a pergunta de jmf no Terras do Nunca:
"Manuela Ferreira Leite alguma vez existiu?"
"Quem?" responderão os membros do governo que não mudou.
14 Sept 2004
A Obra no poder
Sinistro o tom e a pose do nosso Ministro das Finanças ontem na comunicação ao país. Fiquei tão pasmado com a conversa que nem entendi bem o conteúdo. Parece que os senhores que estiveram lá antes eram uns pessimistas e que agora é que a coisa vai começar a aquecer. E que precisamos é de trabalhar mais. Que dos preguiçosos, já se sabe, não reza a história. Pax.
13 Sept 2004
Santanaportices (4)
Esta manhã ouvia uma jornalista da SIC Notícias dizer (cito de memória): "o Serviço Nacional de Saúde representa um prejuízo anual superior a mil milhões de €". Juro que não sei que números são estes. Mas mais uma vez vêm reforçar o que já tinha escrito aqui. Existe cada vez mais esta tendência para ver tudo o que é financiado pelos nossos impostos como simplesmente um custo, sem considerar o outro lado da medalha. O tal de que é importante assegurar cuidados de saúde de qualidade a todas as pessoas que necessitarem deles.
Esta proposta do nosso Primeiro-Ministro indigitado, de criar diferenciação nas taxas moderadoras, não é apenas mais um exemplo de populismo, embora lhe permita dizer frases idiotas mas vistosas.
É também o assumir que o Estado não tem, nem vai conseguir ter tão cedo, mão nos gastos com a saúde. E quando falo de mão, estou obviamente a referir-me ao desperdício de dinheiros públicos que se pratica em muitas unidades de saúde deste país. Se não queremos realizar reformas estruturais na Saúde, fazemos o quê então? Fácil. Introduzimos diferenciação nas taxas moderadoras, adoptamos o discurso de Robin dos Bosques, e se alguém levantar alguma objecção pomos ar de virgens ofendidas e replicamos "Como? Então não são a favor de quem pode mais paga mais?"
Sou. Mas é exactamente por isso que existem impostos progressivos. E, para além disso, basear diferenciação de pagamentos num sistema fiscal injusto em que, de uma forma generalizada, quem pode mais não paga impostos, significa apenas aumentar e perpetuar uma situação injusta.
Ou seja, importante mesmo era introduzir alguma justiça fiscal e apostar no combate à fuga aos impostos em Portugal. É que não sei se repararam mas os que pagam são sempre os trabalhadores por conta de outrem, ou se quiserem, generalizando outra vez, a classe média. Empresários, profissionais liberais, etc. declaram (coitados!) pouco mais que o salário mínimo.
Probabilidade de vermos Santana Lopes a iniciar um combate à evasão fiscal? Zero. É que depois (cá vem a piada fácil) as festas na Casa do Castelo ficavam tão vazias...
Minuto 34
José Peseiro começa a dar sinais preocupantes à frente da equipa do Sporting. Perder com o Vitória de Setúbal acontece a qualquer um e não é daí que vem mal ao mundo. Agora fazer entrar o Custódio, ao minuto 34, para substituir quem quer que seja do plantel revela muito. E nada de bom.
12 Sept 2004
Demasiadas
Estas maratonas de comida a que vocês chamam casamentos, duram quantas horas? Esta era a pergunta feita este fim-de-semana por um espanhol, estupefacto perante a capacidade estomacal exibida pelos convidados de uma dessas maratonas.
10 Sept 2004
10 de Setembro
Amanhã, há três anos atrás, vão ser gravadas as imagens que não mais nos sairão da cabeça.
Amanhã, há três anos atrás, o mundo vai descobrir que se transformou um sítio bem pior do que pensava até então.
Amanhã, há três anos atrás, vou estar pequeno, muito pequeno. Vou sentir que estou a ser atacado por gente insana, louca, que não entendo nem compreendo.
E pensar, obsessivamente, que aquelas pessoas que saltam da morte para a morte à frente dos meus olhos são eu.
A ideia é uma boa ideia
Ontem, enquanto circulava de carro entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia, pensava na excelente ideia que a CML teve para aquele troço de estrada. De facto, nada como realçar a proximidade daquela zona com o Tejo, fazendo com que, através dos solavancos e saltos proporcionados pelos buracos no asfalto, pareça estarmos a viajar num cacilheiro. Em dia de tempestade, é certo, mas também era pedir demais ser em dia de calmaria.
9 Sept 2004
Os especialistas da treta
Assistir a jogos de futebol na RTP1 é um sofrimento. Os comentadores de serviço são dramáticos, em todos os sentidos do termo. Sim, eu sei, que tenho a opção de desligar o som e limitar-me a ver o jogo de futebol. Mas o que é que querem? A curiosidade de saber até onde é que aquelas aventesmas conseguem ir é mais forte.
Ontem, no jogo Portugal-Estónia, cerca de 3 minutos antes de Portugal marcar o primeiro golo através de um cruzamento para a grande área (já agora, dos 4 golos que marcámos 3 foram através deste tipo de cruzamentos), um dos comentadores vaticinava que com esse tipo de jogadas não íamos a lado nenhum. Claro que 3 minutos depois, em vez de ter uma atitude honrada e dizer "peço desculpa aos senhores telespectadores por ser uma besta quadrada, em função da minha incomensurável estupidez ficarei calado até ao final do desafio, altura em que irei directamente à administração pedir a demissão", exultava com a capacidade táctica e a visão de jogo dos jogadores portugueses.
A especialistas de futebol, que é o que é suposto os comentadores serem, pede-se uma análise séria ao jogo. É que, para dizer mal da equipa quando esta está a perder ou empatada, para a seguir os declarar os melhores do mundo assim que marcam um golo, qualquer um serve.
8 Sept 2004
O barulho é de ouro
Confesso que não sou especialmente fã do barulho que foi criado à volta da entrada do Borndiep em território nacional. Entristece-me o aproveitamento eleitoral e político - à esquerda e à direita - desta questão da legalização do aborto.
Mas o silêncio aqui só serve à causa de quem pensa que as suas crenças são as certas e que todos temos de viver e pensar pela mesma bitola. Ou seja, o silêncio sobre este assunto apenas ajuda a perpetuar o escândalo do aborto clandestino em Portugal. Neste caso o barulho é de ouro.
7 Sept 2004
Aborto
Poucos temas me tiram tanto do sério como o da despenalização do aborto. Muito por culpa destas perguntas que não me saem da cabeça:
Que terá passado pela cabeça de António Guterres quando, indo claramente contra a vontade da maioria da Assembleia da República (que votou favoravelmente a despenalização do aborto, lembram-se?) e do seu próprio partido, decidiu convocar um referendo para decidir sobre um assunto que era (quase unanimemente) considerado da esfera pessoal de cada um?
Quantas mulheres morreram por falta de condições sanitárias desde então? Quanta vergonha e medo se juntou à angústia, ao desespero da tomada de uma decisão que, acredito, muita das vezes raia o insuportável?
Que terá passado pela cabeça das pessoas para não irem votar, deixando que o referendo fosse decidido pelo Portugal dos campanários?
Mais que não seja, toda esta questão à volta do borndiep teve o mérito de nos relembrar o calibre da extrema direita que está no governo. A tal que prefere mandar fragatas, perdão, corvetas para mostrar o músculo "aquelas senhoras" (na deselegantíssima expressão do nosso Primeiro-ministro indigitado). A tal que, de lágrima no olho da emoção patriota, diz frases do género "o mar português tem princípios". A tal que conhece o caminho certo, que sabe como é que as pessoas se devem comportar, que é dona da moral, dos bons costumes, da tradição. E não contente com ser dona, exige que todos se comportem e pensem pela mesma bitola. Senão, não entram.
Saco de gatos
Sim, é verdade, a democracia é uma coisa muito bonita. E também é óptimo que exista debate de ideias e confronto de soluções alternativas, etc., etc..
Claro que quando a "democracia acontece" no saco de gatos que o PS sempre foi, quem fica a ganhar são os adversários. Todo o verão choveram, nos jornais e televisões, insultos entre os três candidatos à liderança de um partido cada vez mais esquizofrénico.
Convinha que os três candidatos se começassem a esforçar um bocadinho menos. É que, a continuar assim, ainda dão a Santana Lopes a honra de ser eleito Primeiro-ministro de da República Portuguesa.
6 Sept 2004
Não quero ser mal-agradecido...
A propósito deste post de Rui Tavares, no Barnabé, dei-me ao trabalho (custoso, confesso) de ir ler o acceptance speech de George W. Bush à procura de uma passagem que me tinha chamado a atenção num telejornal. Cá está ela:
(...) freedom is not America's gift to the world; it is the almighty God's gift to every man and woman in this world.
Um dia destes tenho de me lembrar de ir agradecer o presente. Demorou foi uns quantos milénios a chegar e, ainda por cima, a poucas pessoas, mas como diz o provérbio "a cavalo dado,..."
5 Sept 2004
Em Roma sê romano
Em zapping, ouço a actriz brasileira Cláudia Raia proferir a seguinte frase: " a arte não tem nada a ver com política".
Mas também, convenhamos. Ela estava num programa do Herman José.
3 Sept 2004
Santanaportices (3)
Santana confirma manutenção da lei até final da legislatura
A lei do aborto não vai sofrer alterações até final da legislatura. A garantia foi dada pelo primeiro-ministro que, no entanto, mantém a porta aberta para o debate sobre o tema durante o novo ano parlamentar que agora se inicia.
in TSF. Resto da notícia aqui.
Santana Lopes, primeiro-ministro (não eleito) de Portugal, decidiu que os portugueses podiam conversar sobre a despenalização do aborto. Não podem é alterar a lei. Mas também isso já era abusar... É que vai-se abrindo a porta, abrindo a porta e qualquer dia ainda querem escolher o primeiro-ministo. Era só o que faltava.
2 Sept 2004
Da racionalidade rasteira
O meu optimismo, ou "este meu jeito leve de andar pela vida" como diz a minha mana, tem vindo a ser posto à prova com uma regularidade que me atreveria a chamar de insolente. Ainda assim, continuo a ser (fora de moda, é verdade) um crente profundo na natureza humana. Acho, aliás, que o egoísmo é uma forma de racionalidade rasteira, rasteirinha, que não tem em conta nem horizontes mais longos nem as componentes de felicidade que não são directa e facilmente expressas em cifrões.
Respeito, embora combata, o "sempre foi assim". Irrita-me, de uma forma pouco comum, as ladaínhas auto-justificativas de comportamentos incorrectos, de comportamentos maus, com argumentos de os outros (sempre os outros) fazem ainda pior, ou porque é que eu me hei de preocupar se mais ninguém o faz, ou se não for eu a fazer alguém o vai fazer a seguir?
Acho mesmo, a sério, que tenho a responsabilidade (humana) de ser ético, de ser solidário, de me continuar a chocar com a filha-da-putice glorificada pela sociedade com nomes pomposos do estilo "eficiência, downsizing, outsourcing". Enoja-me a chantagem permanente, a ideia fácil, de que proteger quem precisa (sim, que isto de viver em sociedade é um bocadinho mais do que encontrar os amigos na Casa do Castelo) é equivalente, apenas e só a aumentar impostos. De reduzir tudo a óptimos de Pareto sem levar em conta (porque é difícil mas também ideologicamente inconveniente) o que não conseguimos quantificar.
Isto da natureza humana é, acho eu, bem mais complexo do que assumirmos simplesmente que não vamos nunca passar de seres egoístas interessados apenas no nosso umbigo ou, quando nos dá para sermos generosos, em mais quatro ou cinco à nossa volta. Além disso (e lá vem o tal optimismo referenciado no início), há sempre a esperança de evoluírmos.
1 Sept 2004
Origens
Vi ontem (e aconselho vivamente), o filme The Shipping News, de 2001. A sinopse fala da história de um "emotionally-beaten man with his young daughter that moves to his ancestral home in Newfoundland to reclaim his life."
Esta questão da volta às origens tem mexido muito comigo nas útimas semanas. Estive imerso, por necessidades de arrumação, principalmente mental, em objectos do passado da minha família. Passado muitas vezes tão recente, mas que parece distante, já que é conhecida a tendência que temos para medir o tempo não em anos, que passam iguais com a monotonia que apenas os números conseguem ter, mas dividi-lo em acontecimentos "Isso foi antes de..." ou "Mas nessa altura ainda estavas em...".
As fotografias e, principalmente, os livros, evocam memórias de cheiros, de conversas, de momentos guardados. Ver, tocar, sentir o pó que os cobre e, finalmente, arrumar esses objectos é, penso, um exercício de respeito por aqueles que me fizeram (num sentido bem mais abrangente do que o apenas biológico) e que estão aqui, sempre, comigo. E claro, de saudade. Que, por esta altura, já enternece mais do que revolta. O que é, quero crer, um bom sinal.
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