9 Feb 2012

O tema


Somos a Grécia, somos

A tragédia grega - impossível fugir aos lugares-comuns - podia, ainda assim, ter uma vantagem para Portugal. Mostrar-nos que o caminho imposto pela troika se esquece de manter o paciente vivo enquanto lhe administra a suposta terapia que o irá curar.

Uma economia a entrar no 5º ano de recessão, a taxa de desemprego que duplicou para mais de 20% entre Novembro de 2010 e Novembro de 2011, receitas fiscais que colapsam apesar do aumento de impostos. Há diferenças grandes entre a economia grega e portuguesa? Sim. Mas a terapia é a mesma. E os efeitos, mesmo sendo menores, impedirão que consigamos reduzir o nosso nível de endividamento sobre o PIB. Que deveria ser o nosso objectivo final.

Entretanto, o nosso governo não só ignora o exemplo grego, como insiste em alardear que pretende ir além da troika. Há qualquer coisa de infantil nesta vontade cega de agradar, de pedir ainda mais castigo por um suposto mau comportamento anterior. O bom senso necessário para olhar em volta e perceber que a realidade indicia de forma clara que esta política está destinada a ser um desastre desapareceu em combate. Freud explica, provavelmente.

Vão caindo as máscaras

"Não se pode fazer política com coisas tão sérias", terá dito Miguel Relvas.

Isto podia ser apenas populismo. Uma tentativa de capitalizar, de forma irresponsável, no ressentimento do povo face aos "políticos", essa classe responsável por todos os nossos males. Mas é pior. Acho mesmo que um ministro do nosso governo acredita de facto que as "coisas sérias" devem estar fora da política, do processo democrático de decisão em que ainda vivemos. Ainda.

Isto podia ser um tweet

O twitter quase acabou com este blog. Tenho pouca coisa a dizer que exceda os 140 caracteres. Ainda assim, tenho saudades disto.

14 Oct 2011

Memória

Perante um cenário que era óbvio para todos, Passos Coelho escolheu, durante a recente campanha eleitoral, mentir aos portugueses relativamente ao que teria de ser feito para emagrecer a estrutura do Estado. Um excelente resumo disto mesmo pode ser lido aqui.

Convém não esquecer isto sempre que somos confrontados com o agora unânime discurso do "é inevitável".

11 Oct 2011

Mistério

O modo como Cavaco Silva é bajulado neste país é algo para o qual não encontro explicação. São tantas as incoerências e mentiras, conjugadas numa sonsice sem paralelo ao longo de tanto tempo, que o facto de ainda lhe restar o que quer que seja de credibilidade junto da opinião pública e comunicação social só pode reflectir o quão atrasados estamos em termos de escrutínio público.

7 Oct 2011

Da força da grana que ergue e destrói coisas belas*

Não me lembro de termos tomado, como sociedade, a decisão de ficarmos reféns do actual sistema financeiro. Não deixa de ser, no entanto, onde nos encontramos. Depois de em 2008, na sequência da crise financeira global, os governos - todos nós, melhor dizendo - de quase todos os países terem intervido para salvar o sistema financeiro, encontramo-nos à beira de termos de o fazer outra vez. Numa posição mais frágil em termos de contas públicas, também por ser a segunda vez que os contribuintes são chamados a fazê-lo.

Acho, sinceramente, que é inevitável. As consequências imediatas de um colapso do sector financeiro são demasiado graves. Mas, já que não o fizemos depois de 2008, é crucial que discutamos agora, todos, o que temos de fazer para parar esta lógica de nos vermos obrigados a salvar um sector cujas decisões, em termos dos riscos que correm, não se regem pelo interesse público mas por um sistema de incentivos que premeia o imediatismo de curto prazo focado no lucro trimestral ou anual.

A mão invisível, a tal em que nos ensinam que a procura de interesses privados gera o melhor resultado para a sociedade, é em muitos casos uma falácia, como temos vindo dolorosamente a descobrir. Regulamos de uma forma clara várias indústrias que são essenciais para a vida em sociedade como a conhecemos. A electricidade, por exemplo. Consideramos, e bem, intolerável que erros de gestão, ou o assumir de maiores riscos para obter maiores lucros, signifique um aumento de probabilidade de ficarmos um tempo longo sem acesso a electricidade. O sector financeiro não é, neste sentido, assim tão diferente. Os balanços das instituições financeiras representam hoje, em muito países, várias vezes o PIB anual desse país. O grau de alavancagem, isto é, o tamanho do balanço face aos capitais próprios, mantém-se, mesmo depois da crise de 2008, em níveis historicamente altos. As diversas fusões e aquisições que foram ocorrendo nas últimas décadas criaram instituições cada vez maiores e, como tal, cada vez mais too big to fail. Para os nossos bolsos, entenda-se.

Se é verdade que o crescimento económico global das últimas décadas foi conseguido, em muito, devido ao crédito disponibilizado pela cada vez maior sofisticação do sistema financeiro, também é verdade que somos hoje confrontados com o preço a pagar. A nossa sociedade está, mais uma vez e apenas 3 anos depois, refém de um sistema financeiro que deixámos crescer desordenadamente para lá do que é razoável.

*Verso do poema Sampa, de Caetano Veloso

22 Sept 2011

Desesperança

Sem respostas para além das de circunstância - o euro é vital para todos os europeus, não deixaremos cair um dos nossos membros - os líderes europeus enfrentam agora o que andaram a adiar nos últimos dois anos.

É penoso ver a Grécia anunciar novas medidas de austeridade semana após semana, cada vez mais contraproducentes, cruéis e irrealizáveis. Medidas impossíveis de implementar, seja quem for que esteja à frente da democracia grega. Todos sabemos isto.

A nova recessão que se desenha no horizonte faz com que não tenhamos o tempo necessário para criar os mecanismos de defesa da zona euro (os tais que descobrimos que faltavam com esta crise). Provavelmente, apenas nos restam medidas de emergência, plenas de incerteza, e todos os custos sociais, políticos e económicos que daí decorrerão.

É esta desesperança que se sente nas tais, cada vez mais frequentes (e isso também é significativo), declarações de circunstância.

21 Sept 2011

Vergonha

Cavaco, que fala do sorriso das vacas e não de um dos maiores escândalos da política portuguesa. Passos que coloca, em público e explicitamente, o futuro do país dependente de um acontecimento que todos sabemos que vai acontecer (incumprimento da Grécia).

Um governo. Um presidente. Uma merda.

16 Sept 2011

Nota mental

Nunca subestimes o poder de um vício. Mas também não te esqueças que podes ser (e já foste) feliz não lhe cedendo.

14 Sept 2011

Os sem-noção

Se alguma coisa puder ser explicada por estupidez, não procures outra explicação. Esta frase, que ouvi há muitos anos, tem uma actualidade particular quando se olha para os vários governos da Europa, a tentarem lidar com uma crise que, para ser sincero, nos ultrapassa a todos.

Mas, no fundo, a explicação da crise europeia é simples. Chama-se falta de confiança. Mesmo na ausência dos mecanismos necessários para enfrentar uma crise numa união monetária, creio que bastaria que os mercados (os investidores) acreditassem que os diversos membros da Zona Euro estariam inequivocamente na disposição de fazer o que fosse necessário para ajudar qualquer país membro que enfrentasse dificuldades conjunturais (como Portugal), ou mesmo estruturais (como a Grécia).

O que se passou, e continua a passar, foi exactamente o contrário. Se alguém se der ao trabalho de recolher as diversas declarações dos n responsáveis políticos desde o início da crise de dívida soberana, o que vai encontrar são acima de tudo recriminações e hesitações, numa confrangedora falta de capacidade de entender o ideal de construção europeia e escapar à mera gestão dos respectivos calendários eleitorais. E, já agora, de conceber e explicar os custos incalculáveis do fim da moeda única. 

Aparentemente sem noção dos riscos que estão presentes e de como se torna cada vez mais difícil recuperar uma confiança que se andou a destruir no último ano e meio, a atitude da Europa tem sido, como dizer... Isso, estúpida. 

Para a Mê

Há cinco anos atrás ainda não te conhecia, Mê. Daqui a umas horas, quando amanhã já tiver começado, faz então cinco anos que nasceste. De olhos pretos, enormes, abertos para o mundo.

Que a vida te seja leve, filha, escrevi aqui nesse dia. Hoje quero acrescentar: que te saibas manter assim, como és. Feliz, curiosa, determinada, justa, preocupada com os outros, sem medo de fazer perguntas. Amo-te.

13 Sept 2011

Sonsos ou pior

Começam a surgir as expectáveis declarações, por parte de membros do governo, da dimensão da crise internacional e do impacto negativo que esta pode ter no esforço de consolidação das contas públicas portuguesas.

Toda a campanha do psd (e cds) para as legislativas foi construída com base numa única narrativa. Os problemas de Portugal eram da exclusiva responsabilidade de Sócrates e (ainda assim, em menor escala, dada a dimensão do ódio personalizado) do ps.

Qualquer pessoa minimamente informada e que não estivesse cega por fanatismo sabia que não é assim. Claro que existe responsabilidade do governo anterior em não ter sido capaz de fazer um maior controlo sobre as contas públicas. Mas a dinâmica iniciada com a crise financeira global de 2008, criando uma recessão profunda que só não se transformou num episódio de depressão económica através da substituição do investimento e consumo privado (que desapareceu) por um aumento dos gastos públicos, reclamaria sempre vítimas. É natural que essas vítimas fossem os estados mais frágeis (porque mais endividados ou com uma estrutura de gastos públicos mais rígida), como a Grécia ou Portugal.

Deitar abaixo um governo e ganhar eleições é mais fácil do que governar um país. A situação actual torna ainda mais fáceis as duas primeiras e mais difícil a última. Quando chega a altura de lidar com a realidade, é necessário mudar o discurso e admitir finalmente que consolidarmos as contas públicas é condição necessária, mas está longe de ser condição suficiente para não entrarmos em incumprimento. Acabou, assim, o tempo da sonsice e de toda a desonestidade intelectual que esta acarretou.

Claro que há uma hipótese alternativa. A de estarmos a ser governados por pessoas que só agora entenderam uma conjuntura internacional que era óbvia. Para bem de todos nós, é melhor pensarmos que são mais sonsos que estúpidos.

Quanto ao mundo, não sei

Relvas dizia hoje, na TSF, que o mundo olha para Portugal de maneira diferente desde há 2 meses. Quanto ao mundo, não sei, mas eu olho, sim. Com a tristeza profunda de saber que, corra bem ou mal, seremos um país pior nos próximos anos.

Da complacência

A Europa - o projecto de construção de uma união europeia - faz parte das nossas vidas. Mesmo os nascidos na década de 60, passaram já a maior parte da sua vida inseridos neste projecto. Ainda mais para as populações dos países fundadores da (então) CEE.

Sabemos que a habituação gera complacência. Os perus, alimentados todos os dias até chegar o Natal, ficam certamente surpreendidos no dia em que a mesma mão que lhes trazia a comida se apresenta agora com uma faca. A complacência gera riscos, quando o facto de não conseguirmos imaginar que podia ser de outra maneira, nos faz deixar de dar valor ao que temos actualmente. Quando apenas vemos os custos que determinada situação traz, sem olharmos sequer uma vez para todos os benefícios - os tais que damos por adquiridos.

Parece-me impossível, num debate racional, defender que uma dissolução da zona euro, e o enorme passo atrás que significaria para a integração europeia, seja a melhor solução. Já escrevi aqui que a "solução" encontrada na cimeira europeia de final de Julho poderia, na melhor das hipóteses, comprar tempo à União Europeia para iniciar as reformas, no seu desenho institucional, que nos protegessem a todos desta e de futuras crises económicas e financeiras. A melhor das hipóteses, como seria de esperar, não se concretizou. Nem uma discussão profunda do que é preciso mudar foi iniciada, nem os mercados financeiros - também assustados por uma forte desaceleração sentida no crescimento económico global - têm tempo para nos dar.

Quando chegar o momento em que não é possível adiar mais os problemas, teremos de fazer uma escolha, se calhar das mais importantes em que participaremos na nossa vida. Queremos estar juntos, mais fortes, mais prósperos, em paz. Ou não.

Esse momento, que parece estar cada dia mais próximo, vai exigir líderes fortes. Ou, se calhar, apenas pessoas que entendem o quanto todos temos a perder quando deixamos os nossos parceiros cair.

11 Sept 2011

Nós e os outros

Os gregos não prestam, toda a gente sabe isso. Era óbvio que isto ia acontecer. Ajudar a Grécia é apenas deitar dinheiro à rua, eles não querem trabalhar.

Tudo frases que ouvi, na última semana, a diferentes pessoas em Portugal. Tudo pessoas supostamente informadas que têm o dever de não ceder a preconceitos, que não passam disso mesmo, formas simplistas e, por isso, estúpidas de ver o mundo. Claro que é preciosa a ajuda da irresponsabilidade de tantos responsáveis políticos europeus que insistem em ver a União Europeia como "nós, os virtuosos" e os "outros, os malandros".

Os gregos. Os pretos. Os ciganos. Os judeus. Os portugueses. Os alemães. Como é que estamos ainda aqui, nesta concepção de que um povo, um país, tem características universais que tornam o seu destino, cedo ou tarde, imutável? Se me preocupam as consequências sociais e económicas de um potencial desmembramento da Zona Euro, aterroriza-me que, tantos séculos de atrocidades depois, ainda aceitemos como explicação para o que quer que seja o abjecto "está-lhes na massa do sangue".

26 Aug 2011

Bom senso

O discurso de Ben Bernanke hoje em Jackson Hole tem o condão de lançar definitivamente para a agenda política a necessidade de evitar que uma política fiscal altamente contraccionista (nos EUA e na Europa) ajude a provocar uma nova recessão global. A resolução do problema do excesso de dívida (que será sempre um tema de médio/longo prazo) será muito mais difícil, se não impossível, num cenário de crescimento nulo ou negativo.

Alvalade

Ontem foi o regresso a Alvalade, na esperança de que o nível de sofrimento pudesse ser inferior ao dos dois últimos anos. Foi. Embora, a espaços, desse a sensação de que continuamos sem treinador (como nos últimos dois anos), já deu para voltar a ver - de vez em quando - o Sporting a jogar futebol. Capel tem jeito para jogar e para criar empatia com as bancadas (o que não deve, de maneira nenhuma, ser menosprezado). Izmailov é, sem surpresa, o melhor reforço da época.

Mas era bom que aumentássemos o nível de tolerância para com a equipa. Os assobios foram mais que muitos e isso tem de nos envergonhar, enquanto sócios e adeptos. Se é certo que foram dois anos desesperantes, é preciso dar tempo quando se está a construir uma equipa quase de raiz. É verdade que a insistência em Djaló e Postiga desafia a compreensão humana. Mas, se não há nunca justificação para assobiar aquelas camisolas, ainda menos quando é claro que o que é preciso é tempo e apoio incondicional.

25 Aug 2011

2 lições da semana

1) Nunca deixes que o ressentimento perdure e te domine.
2) Evita que a natural presunção da boa-fé alheia resulte em que te apanhem desprevenido.

24 Aug 2011

Confusos?

Sim, é preciso reduzir o nível de endividamento. E sim, austeridade em excesso é a melhor maneira de garantir que os níveis de endividamento não serão reduzidos. Confusos? Não se preocupem, os líderes europeus também.

23 Aug 2011

Desta para melhor

"com esta da austeridade, meu senhor, nem sequer dá para ir desta pra melhor", cantava Sérgio Godinho há uns anos, e cheio de razão. Ignorando o significado corrente da expressão, é difícil perceber como é que medidas de austeridade de toda a gente ao mesmo tempo nos levarão, literalmente, desta para melhor.

Sem crescimento ou inflação, por todo o mundo desenvolvido estar a contrair simultaneamente a política fiscal, vamos todos ficar (muito) mais pobres e tão (ou mais) endividados do que no início desta crise. E, mais grave, colocamos o processo de integração europeia cada vez mais em risco. É que casa onde não há pão, e tal.

20 Aug 2011

Fim de férias (III)

E para fechar a estadia no Algarve, uma tempestade das antigas: vento, chuva, relâmpagos e trovões. É para eu não notar a diferença quando os mercados abrirem na 2ª feira, aposto.

19 Aug 2011

Fim de férias (II)

Ver o ouro em máximos históricos ao mesmo tempo que as taxas de juro de países considerados refúgio (EUA, Alemanha) atingem mínimos é o pior sinal que poderíamos ver. Receios de recessão global e de saúde do sistema financeiro. Vai ser um regresso interessante. No sentido da maldição chinesa, claro.

Fim de férias

Tudo parece mais simples frente ao mar, talvez por que sei ser apenas um momento de pausa.

2 Aug 2011

Álvaro

Quando o Álvaro aceitou ser ministro da economia e de mais uma data de coisas, escrevi que ia ser engraçado ver o choque entre tudo o que andou a defender na campanha e a realidade do que é ser responsável pela governação de uma área fulcral para o nosso país. Enganei-me.

Não tem nada de engraçado ver um rol de soundbites - como a reforma ao Sol, a Flórida da Europa ou as exportações representarem 50% do PIB - serem apresentadas como algumas das pedras-chave da política do governo para esta área. Ainda menos, acompanhadas da deselegância profunda de mandar umas bocas sobre a "opulência" encontrada, ao mesmo tempo que tenta justificar o salário de uma nova "super" chefe de gabinete. Se já estávamos conversados sobre as políticas, ficámos agora conversados sobre o estilo que podemos esperar.

Entre a frigideira e o fogo

Temos um número crescente de países a ter de diminuir o nível de dívida utilizado (pública e privada, embora esta última nunca esteja nos radares políticos e noticiosos), depois de décadas de excessos e da necessidade de conter a crise financeira global de 2008. O "bom caminho", elogiado por quem insiste numa concepção mesquinha da economia, é representado pela austeridade - diminuir a dívida através de cortes na despesa do estado e das famílias e as comparações com um orçamento familiar pululam por aí, sempre num tom muito educativo. De facto, se o nível de receita e despesa no meu orçamento familiar estiver desequilibrado, eu posso cortar a despesa até chegar ao equilíbrio, sem levar em conta o impacto que esse corte terá na parte da receita. Já quando temos uma contracção simultânea na despesa de todos os agentes (estado incluído), não é difícil perceber que isso tem um impacto na economia, isto é, nos rendimentos de toda a gente. Daí o paradoxo que se verifica quando todos os agentes aumentam simultaneamente a sua taxa de poupança: a taxa de poupança sobre o rendimento, de facto, diminui. Ou seja, a austeridade, quando aplicada de uma forma cega e moralista, corre o sério risco de nos tornar a todos mais pobres e tão ou mais endividados do que estávamos quando iniciámos o processo.

Temos, assim, uma dívida insustentável e uma solução que, pelo seu radicalismo, tende a piorar o problema. Deixarmos que surjam taxas de inflação mais altas (uma heresia só comparável a defender que o estado tem um papel a desempenhar na economia), pode bem vir a ser a única solução que nos resta. Mas isso implicaria uma reformulação total das actuais instituições europeias.

22 Jul 2011

Tempus fugit, no entanto

Morgan Stanley strategists led by Hans Redeker, head of foreign- exchange strategy in London: ‘‘What we did hear out of Brussels does not convince us that euro markets can remain stable for long. While the EFSF now has the flexibility required to deal with the challenges of protesting credit markets, the size of the EFSF has not been increased, leaving markets guessing how long it may take before this market-calming instrument may run out of funds’’

Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ Ltd.’s Lee Hardman, a currency strategist in London: ‘‘The plan falls short of achieving debt sustainability with debt to gross domestic product ratios for Greece, Portugal and Ireland still likely to remain comfortably above 100 percent. A continuation of solvency concerns will leave the door open for contagion fears to rebuild. Beyond the new bailout euphoria, relative economic fundamentals are turning against the euro with growth in the euro-zone slowing sharply’’

E agora, Europa?

A União Europeia poderá ter comprado algum tempo com a cimeira de ontem. A demonstração de unidade e de vontade em enfrentar o problema é, por incrível que pareça, uma novidade. O facto de vir tarde, e desse atraso ter custos muito significativos (entre os quais a necessidade de realizar uma intervenção externa em Portugal), não faz com que esta resposta deixe de ser uma boa notícia.

No entanto, e muito ao jeito destas cimeiras, há respostas fundamentais que não foram dadas. Para que o fundo europeu funcione como uma barreira de protecção a países como Espanha e Itália, vai precisar de bolsos bem fundos, à semelhança do que aconteceu com o TARP. Estão os países europeus (com a Alemanha à cabeça) na disposição de desembolsar os fundos necessários? O ignorar do impacto de uma potencial declaração de um evento de crédito na Grécia (bem como a promessa de este ser o último pacote de ajuda) também parecem ser consequência do wishful thinking que muitas vezes domina os corredores de Bruxelas.

Ainda assim, os mercados parecem estar, para já, a dar o beneficio da dúvida à solução apresentada. Convinha que este fosse usado para tentarmos resolver alguns dos problemas de arquitectura institucional que são causa, tanto do problema, como da incapacidade de resposta até agora. A redefinição do papel do BCE, passos progressivos de harmonização fiscal e uma visão global, e não país a país, dos desequilíbrios existentes, são essenciais para que o tempo da União Europeia não venha a ter um fim abrupto.

14 Jul 2011

Era bom

O impasse domina a actualidade, tanto na resolução da crise de dívida soberana na União Europeia, como no aumento do tecto de dívida nos EUA. Qualquer um destes problemas tem consequências sistémicas que, honestamente, ninguém pode prever.

Era bom que não estivéssemos todos, dentro de poucos meses, a perguntar como foi possível tamanha irresponsabilidade de tantos ao mesmo tempo. Até porque, mesmo não sendo politicamente fáceis, as soluções existem. Manter o impasse é o que menos interessa a todos.

13 Jul 2011

Risco alto

Todos sabemos que, mais cedo ou mais tarde, a União Europeia vai ter de fazer uma escolha. As não-soluções que foram sendo apresentadas desde o início da crise grega foram sempre entendidas, por todos, como um sucessivo adiar do problema, até serem reunidas umas "fantasiosas" condições que nunca ninguém explicou quais seriam.

O tempo para continuar a adiar chegou ao fim. A mensagem que os investidores em dívida pública de países europeus fizeram passar durante as últimas duas semanas foi clara: a inacção europeia faz com que cada país da zona euro seja avaliado exclusivamente pela sua capacidade em cumprir o pagamento da respectiva dívida, ainda para mais num contexto de sinais visíveis de recuo no processo de integração a que assistimos nas últimas décadas.

No entanto, entre o desejo por uma solução e a capacidade de a realizar, há um bom número de obstáculos. O acordo de um número grande de países, com calendários eleitorais diversos, obriga a uma gestão para a qual já não existe tempo. Acresce que em parte desses países, a opinião pública foi bombardeada com a demagogia da dicotomia moral entre os virtuosos do Norte e os preguiçosos do Sul. Agora o discurso vai ter de ser totalmente invertido, alertando finalmente os eleitores para o facto de os custos de uma solução serem muito inferiores aos catastróficos custos de um desmantelar da zona euro (sim, é isso que está em causa). Só podemos esperar que não seja tarde demais.

11 Jul 2011

Assis e a afectividade

«Repugna-me a ideia de que é possível transformar a vida política num imenso magma de afectividade, porque isso é a redução e a destruição da política. A política não é a dimensão do afectivo, isso é outra dimensão das nossas vidas. A política é a dimensão da discussão das ideias, do debate, da contraposição, das convergências e divergências em torno de projectos, de ideias e propostas»

Concordo muito com estas palavras de Francisco Assis, que fui buscar à notícia da TSF. E, já agora, outra coisa que me repugna é o aproveitamento que está a ser feito através de títulos enganadores, próprios de quem apenas vive do (e no) soundbite.

7 Jul 2011

É pena

Pensar dá imenso trabalho. Mais ainda quando corremos o risco de chegar à conclusão que estamos errados.

6 Jul 2011

Moody's

A Moody's diz, resumidamente, três coisas:

1) A deterioração da situação na Grécia pode vir a ter consequências graves para Portugal e continua a não existir uma solução sistémica por parte da Europa para o problema da crise de dívida soberana.
2) As medidas contidas no memorando de entendimento têm um elevado risco de execução e não é claro que tentem resolver no longo-prazo o principal problema da economia portuguesa: o fraco crescimento económico (no curto prazo, estas medidas são obviamente recessivas).
3) O grau de alavancagem do sistema financeiro português é uma potencial preocupação acrescida para as contas públicas portuguesas.

Tenho as maiores reservas relativamente ao actual papel das agências de rating no sistema económico global, nomeadamente em relação às profecias auto-realizáveis. Mas dizer que não existem argumentos para um corte de rating (a dimensão do corte é outra discussão) pertence à já típica estratégia do pensamento mágico.

Coisas que deviam ser simples

Quando estamos anos a afirmar que a acção concreta de um governo (e em especial de uma pessoa) é a única causa de todos os males, não nos podemos depois queixar de sermos avaliados pela mesma bitola.

Sim

Nove anos depois, continuas a salvar-me todos os dias.

4 Jul 2011

Política

O tom de governo de salvação nacional a que assistimos no final da semana passada, durante o debate parlamentar sobre o programa do governo, era de esperar. Assenta particularmente bem às bancadas que formam a actual maioria, de repente imbuídas de um espírito de apelo à responsabilidade que, curiosamente, descobriram agora ser importante para o destino do país.

Mal estaria a oposição, e aqui refiro-me ao PS, se decidisse usar o mesmo tipo de tácticas (criadas pelo PSD, PR e outras forças vivas da nação) que levaram à queda do anterior governo e ao agravar significativo da crise em que estamos mergulhados.

No entanto, não faltava mais nada que se equivalesse a legitimidade para governar ao pedido de um comportamento por parte da oposição que, sob a capa de uma "posição responsável", significasse a anuência a todas as medidas que este governo pretenda implementar. Não só porque nem tudo foi sufragado em eleições - qual o custo eleitoral do corte do subsídio de Natal? -, como também porque se não existem grandes dúvidas sobre a necessidade de reduzir a despesa pública, a forma como esta redução será feita é tudo menos irrelevante. A unanimidade desejada por alguns é, cedo ou tarde, o pesadelo de todos. A "salvação nacional" só pode vir do confronto de ideias. Da Política, portanto.

29 Jun 2011

Tacanho, sim, mas what else is new?

O presidente da república portuguesa, uma pequena economia aberta, apela a todos que consumamos apenas produtos portugueses, incluindo férias. Dado que as exportações (isto é, o consumo dos outros países) representam a única saída para uma economia em contracção devido aos cortes orçamentais, não sei bem o que diga disto. Estúpido, embora não surpreendente.

21 Jun 2011

Custo de oportunidade

O custo de oportunidade é uma noção que escapa demasiadas vezes à discussão política. Quando se fazem as contas ao custo da ajuda à Grécia, repetindo-se até à exaustão que serão os países "ricos" da Europa a suportá-lo, poucas pessoas têm em conta qual é o custo, para esses mesmos países, de deixar a Grécia entrar em incumprimento. Resolver a situação grega (e a irlandesa, a portuguesa, a espanhola e o que mais virá) só acontecerá de vez quando os políticos europeus se aperceberem finalmente do desastre que aconteceria, essencialmente via sistema financeiro, ao actual nível de vida de todos os países europeus.

Podíamos ter evitado chegar aqui? Sim, se o optimismo típico de quem acha que os desequilíbrios macro-económicos se podem manter eternamente não tivesse vencido na altura da criação da zona euro. Ou então, numa sugestão verdadeiramente peregrina, se as regras sobre défices orçamentais e dívida/PIB que existem desde o início, tivessem alguma vez passado de boas intenções.

A zona euro, junto com os seus problemas, foi criada por todos os países envolvidos. Agora não vale assobiar para o lado.

20 Jun 2011

Falhar

“There are few things more liberating in this life than having your worst fear realized. Whether you fear it or not, true disappointment will come but with disappointment comes clarity, conviction and true originality.”

Do discurso de Conan O'Brien à classe de 2011 de Dartmouth. Vale muito a pena ver.

17 Jun 2011

A crise que não existia mas agora existe

Fantástica a mudança de tom a que temos assistido na explicação dos problemas que Portugal enfrenta. Foi preciso mudar de governo para a nossa comunicação social e maioria dos comentadores políticos e económicos adquirir, finalmente, o bom-senso de entender que a crise em Portugal tem tudo a ver com a crise financeira global de 2008, as medidas tomadas por todos os países para a combater e com a crise de divida soberana daí resultante. É bom ver que o estado de negação, agora que o objectivo foi conseguido, está a desaparecer.

16 Jun 2011

Independentes

Fico um bocado confuso com esta coisa dos independentes. Aparentemente aplica-se a qualquer um que não seja de facto militante de um partido. Se não percebo o que estar filiado num partido tem a ver com independência, ainda me espanta mais que este estatuto, da superioridade do independente, seja usado pelos próprios partidos, desqualificando de forma automática todos os respectivos militantes para dependentes, ou assim.

Gostamos demasiado de usar rótulos. É pena.

Bright vs Dark

Uma vez que já tudo se perdeu

Que o medo não te tolha a tua mão
Nenhuma ocasião vale o temor
Ergue a cabeça dignamente irmão
Falo-te em nome seja de quem for

No princípio de tudo o coração
Como o fogo alastrava em redor
Uma nuvem qualquer toldou então
Céus de canção promessa e amor

Mas tudo é apenas o que é
Levanta-te do chão põe-te de pé
Lembro-te apenas o que te esqueceu

Não temas porque tudo recomeça
Nada se perde por mais que aconteça
Uma vez que já tudo se perdeu

Ruy Belo

Num fabuloso espectáculo dedicado aos poetas, esta foi a segunda música ouvida ontem. Um dos meus poemas preferidos.

15 Jun 2011

Logo à noite


Música de Palavra(s), no cinema S. Jorge

Da resposta da Europa à crise grega

"Something will turn up". Charles Dickens, the Victorian novelist, made the expression famous 160 years ago when he put it in the mouth of Wilkins Micawber, the perennial optimist of David Copperfield.

Início do editorial do FT de hoje, ainda não disponível online

14 Jun 2011

Tempo

Mais tarde ou mais cedo, algum dos países periféricos vai mandar, via eleições, os planos de austeridade às urtigas. Não é uma questão de um default ter menos impacto na vida das pessoas do que os planos de austeridade. Não tem. A acontecer, será bem mais violento. Mas os planos feitos pelas autoridades internacionais têm o tempo a correr contra eles. Demoram anos a fazer efeito, algumas das medidas não são nada lineares em termos de sucesso, é tudo para o longo prazo.

No curto-prazo temos a diminuição do rendimento disponível, economias em recessão imediata e o desemprego a subir ou manter-se em níveis altos. Um ano disto, dois anos disto, e depois? O argumento "tem que ficar pior antes de melhorar" só funciona no curto-prazo.

Na falta de uma solidariedade europeia, que cada vez mais se verifica não existir, vamos ficar surpreendidos quando estivermos a olhar para o colapso da UE?

Notícias em estado de graça

Vou lendo em todos os jornais que ainda não há nomes para o governo, porque Passos Coelho só fará convites depois de ser formalmente indigitado como PM.

Bem sei que o homem também tem direito a um estado de graça, mas caramba... É preciso ser mesmo ingénuo para acreditar e reproduzir alegremente que ninguém foi convidado ainda.

No bright side

Sinto-me a medinacarreirar na questão da crise de dívida soberana europeia. Não consigo encontrar um cenário de solução que não implique custos entre o incalculável (desmembramento da zona euro) e o inaceitável (anos de recessão prolongada nas economias periféricas, sem benefícios visíveis para estas).

10 Jun 2011

Dia de Portugal, e tal

Tenho com Portugal a relação que se esperaria por ser o país onde nasci e vivi até hoje. Gosto de muitas coisas, bastante menos de outras. Mas não consigo compreender o orgulho de ser português, como se isso fosse fundamentalmente diferente de ser espanhol, mexicano ou indiano. Como se todos os povos não tivessem coisas de que se orgulhar e de que se envergonhar.

Assumir que ser português é motivo de um qualquer orgulho especial implica, para mim, assumir uma superioridade que nunca senti. Ainda assim, sempre é um feriado.

O sonso

Temos um PR que exerce cargos políticos desde o início da década de 80, ao mesmo tempo que critica a classe política em cada discurso que faz, como se não lhe pertencesse. Que considera estar acima de qualquer escrutínio, mesmo estando envolvido em negócios que levantam questões legítimas. Cuja concepção de democracia equivale à sua famosa frase: "duas pessoas de boa fé e com acesso aos mesmos dados chegam necessariamente à mesma conclusão" (cito de memória). Que faz um discurso pleno de ressentimento na exacta noite em que é reeleito presidente de todos os portugueses.

Sonso não é uma palavra meiga para mim, como é fácil de perceber.

Coisas que deviam ser simples

É assim tão difícil perceber a diferença entre normal e comum?

9 Jun 2011

80 anos

Têm olhado para o comportamento dos mercados financeiros recentemente?

Agora que a campanha acabou, era bom que percebêssemos de vez que cumprirmos as medidas que nos são exigidas é condição necessária, mas não suficiente, para evitar uma reestruturação da dívida portuguesa.

É que o facto de passarmos a ter uma maioria política, mais do que comprometida com as medidas do MoU, não parece ter alterado grande coisa na percepção do risco de credito português.

O maior risco é bastante maior que nós próprios. Chama-se Europa.

8 Jun 2011

Coisas parvas

Lembro-me, nos tempos de dirigente associativo na faculdade, de dizer, entre outras coisas parvas, que os jotinhas deviam ser proibidos de exercer qualquer actividade política no futuro. Mal sabia eu.

Desilusão

Há uma maioria clara de direita para os próximos quatro anos, embora estes estejam longe de ser quatro anos típicos. Só António Costa conhece as razões de não assumir agora o desafio de se candidatar à liderança do PS, mas esse (não) gesto tem uma leitura de calculismo político.

E isso chateia-me. O PS deve estar orgulhoso de tudo o que foi feito nos últimos seis anos, que foi muito mais do que os erros que foram cometidos. António Costa era um rosto de continuidade, sim, mas diferente o suficiente para criar a distância necessária a um novo líder.

Ficamos assim com António José Seguro, que espera há muitos anos esta oportunidade. Mas, lamento, não me parece que mobilize ninguém fora das tais bases que supostamente o apoiam. E com Francisco Assis, que respeito e foi um líder parlamentar extraordinário, mas que não deverá ser capaz de contrariar o momento de António José Seguro.

A sensação de que o melhor PS - na minha opinião, claro - se vai guardar para tempos mais auspiciosos é uma desilusão. Porque o que foi feito nos últimos 6 anos merece ser realçado e porque os próximos dois anos exigem uma oposição particularmente eficaz às tentações de uma direita reforçada pela maioria confortável que obtiveram e pelo momento peculiar que vivemos.

7 Jun 2011

Às vezes encontram-se coisas assim

Um espanto.

Do silêncio

A evolução dos juros da dívida portuguesa tem muito mais a ver com o que se passa na Europa - em especial na Grécia - do que com o governo português. Isto, que é claro desde o início da crise da dívida soberana, foi durante toda a campanha e pré-campanha desmentido por inúmeros blogs e comentadores afectos à agora nova maioria saída das eleições.

Ora, a pergunta é: se o culpado era o Sócrates, como explicar isto: Juros da dívida sobem para máximo histórico no prazo a 10 anos?

Corporações

Ontem assisti apenas ao início do Prós&Contras - um programa entre o alucinado e o mortalmente aborrecido. Deu para ver, no entanto, aquilo que é claro para quem queira ver. Cada vez que se falava numa área ou num sector da economia que vai ser afectado pelas medidas do memorando de entendimento, lá surgia a corporação respectiva a dizer "não, aqui não é preciso fazer nada, nós somos muito eficientes/importantes/...".

Há quem esteja muito preocupado com o aumento da contestação de rua que, provavelmente, vai acontecer. Eu, confesso que estou mais preocupado com a contestação das diversas corporações que, se calhar também por ser bem menos visível, tende a ser terrivelmente mais eficaz.

6 Jun 2011

Umbiguismo reloaded

Como à espera do comboio, na paragem do autocarro. Esta frase, de uma letra de Sérgio Godinho, volta a estar no cabeçalho deste blog. Porque me sinto assim às vezes, de forma consciente no sítio errado aguardando o que sei que não vai acontecer.

Leitura

"E o PS? Dinamitadas as pontes por onde poderiam atravessar as caravanas do consenso, não se lhe peça que dobre a cerviz. Impossibilidade genética, a que se junta a tentação de ser oposição sem culpa. Sem culpa mas com honra, cumprirá aquilo a que se obrigou, nem menos nem mais. Não lhe peçam para segurar no estribo de cavaleiros de reformas de vingança e ódio, revisões constitucionais aventureiras, e destruições daquilo por que sempre se bateu, ainda mais agora."
António Correia de Campos, no DE

6 de Junho

Nunca fico triste com eleições. Estes resultados dão um mandato claro à direita, através de uma maioria absoluta confortável, para formar governo e implementar o seu programa. Espero, sinceramente, que tenham consigo próprios a mesma tolerância que demonstraram com o anterior governo eleito. Sem desculpas, portanto.

4 Jun 2011

Dia estranho

Este dia de reflexão, em que os órgãos de comunicação social fingem que não escolhemos o nosso futuro amanhã, custa-me sempre um bocado.



3 Jun 2011

Herança

A pior herança dos últimos anos da política portuguesa é o clima de suspeição, insinuações e ódio destilado, diariamente, pela oposição, corporações e alguns órgãos de comunicação social. E é a pior, não pelos efeitos negativos que teve sobre um partido específico, mas porque corre o risco de deixar escola, mesmo que ocorra uma mudança política nas eleições de domingo.

So true





2 Jun 2011

5 de Junho (2)

Em verdade nada tenho a acrescentar em relação ao que escrevi aqui. A campanha serviu-me apenas para reforçar duas ideias: 1) os partidos à esquerda do PS mantém-se no seu próprio mundo, sem capacidade e vontade de fazer parte de uma solução realizável para o país; 2) a possível maioria absoluta de direita (a acreditar nas sondagens) representa a ameaça de um retrocesso significativo em muito do que bom foi construído nos últimos anos, por exemplo na educação, na saúde e nos mecanismos de mobilidade social.

Assim, votar no domingo conta cada vez mais.