11 Jun 2004

Bandeiras


Por todo o lado bandeiras de Portugal. Nas janelas, nos carros, nas caras, nas lapelas. Inquieta-me. O nacionalismo, como ideologia que é, preocupa-me imenso. Sou dos que pensam que nada trouxe de bom. Apenas sentimentos mesquinhos e concepções limitadas.

Dizes-me que estas bandeiras não têm nada a ver com isso. É só futebol.

Espero que tenhas razão.

O evento


Amanhã, dia 12 de Junho, algo de grandioso vai acontecer em Portugal:




É mesmo verdade. Portugal vai acolher o 1º Festival Internacional da Couve Chinesa.

Já não restam dúvidas. A retoma está aí. Orgulhemo-nos portugueses!

9 Jun 2004

Amanhã



Odeceixe, Julho 2003

António Sousa Franco (1943-2004)


Sousa Franco morreu. Em plena campanha política. A morte de figuras públicas, principalmente quando acontece assim, de surpresa, impressiona. Muito. Para a família e amigos as condolências. E, já agora, espero que os intervenientes (partidos políticos, comunicação social) se saibam comportar à altura.

Actualização: um dia depois de Sousa Franco, morre Lino de Carvalho, de cancro. Esta foi uma semana negra para a res publica.

7 Jun 2004

Ups! (1)


Não escrevi nada sobre os 60 anos do dia D ou sobre a morte de Ronald Reagan. Mas peço que compreendam. Afinal, agora já não tenho que estudar...

Efeméride


Faz hoje um ano que deixei de fumar. Ainda não consegui perceber como fui capaz. Mas suspeito que tem alguma coisa a ver com isto:

"Se tivesse coragem, digo-vos que fracassaria com afinco todos os dias. É muito mais saudável perder do que ganhar. Ganhar é um luxo, uma embriaguez fácil, uma descaracterização. Fracassar não é nada disso. Fracassar é muito mais difícil, muito mais exigente e muito mais conservador do que ganhar. É a única utopia conservadora em que eu acredito: a utopia do fracasso. Tenho há muito tempo esta certeza e não me peçam para explicar: o mundo será melhor no dia em que for universalmente feito de fracassados."
Pedro Lomba, 30.6.2003, no (extinto) Flor de Obsessão

4 Jun 2004

Tiananmen




Há 15 anos atrás o mundo era invadido por estas imagens da Praça da Paz Celestial, em Pequim. Alguns dos então manifestantes continuam hoje presos, como podem ler aqui.

Entretanto, e desculpem a simplificação, a China descobriu como fazer desaparecer praticamente todos os protestos do mundo ocidental. Abriu às empresas destes países o mercado com maior potencial de crescimento no mundo. Mais de mil milhões de pessoas. É, com certeza, uma estratégia de democratização a longo-prazo. Se calhar funciona.

Verão passado



Praia da Luz, Agosto 2003

O início de Agosto de 2003 foi assim, em quase todo o país. Céu negro de fumo a quilómetros de distância.

3 Jun 2004

Estes gajos...


A campanha eleitoral do PS acaba de arrasar qualquer hipótese de ser concedida tolerância de ponto no dia 11 de Junho. Fim-de-semana de quatro dias (ou de 3.5+0.5 para votar, claro!), sabem?

ANTÓNIO COSTA
«Tudo farão para ter abstenção»
O número dois da lista do PS às Europeias diz não se admirar se o governo der tolerância de ponto aos portugueses na sexta-feira antes das eleições porque a coligação de direita aposta na abstenção.

in TSF, resto do artigo aqui.

Alguém lhes explicou que este ano é particularmente parco em feriados? Combatam lá como quiserem a claque mas se puderem não nos lixar pelo caminho, muito agradecidos.

2 Jun 2004

"Só em 2006, só em 2006"


Através do Cruzes Canhoto! descubro mais um julgamento de mulheres acusadas de terem abortado. Desta vez em Setúbal. Podem ver a notícia aqui. Ninguém, excepto os fanáticos, defende estes julgamentos mas quando se fala em mudar a lei... A coisa complica-se. "Sabes como é. Só em 2006. Foi uma promessa."

E, claro, pior do que os julgamentos são as mortes e os danos físicos permanentes resultantes da falta de condições em que são realizadas a grande maioria das interrupções voluntárias da gravidez em Portugal.

"Mas só em 2006. Pois, pois, tens razão, mas só em 2006. Sabes como é, foi uma promessa. Isto do Portugal dos campanários, é um problema..."


Rene Magrite

1 Jun 2004

Finalmente "o óbvio ululante"


Sporting Clube de Portugal rescinde contrato de trabalho com Fernando Santos. Comunicado do clube aqui.

Já só falta dar um chuto no Toñito e começam a estar reunidas as condições para que a próxima época seja melhor. Sim, o resto é acessório. E sim, pior não era difícil. Bastava manterem lá o Engenheiro.

Nota para o maradona


Olha que não é grande elogio dizer "aprendi mais contigo neste anito que em dez anos de secção de economia do Expresso".

PS: O Liberdade de Expressão, sempre brutalmente bem escrito, tinha o mérito de me relembrar os discursos mais "puros e duros" de liberalismo económico que ouvia na faculdade. Tenho pena que termine. As boas notícias são para o Blasfémias que adquire um outlier em termos de qualidade de escrita e reflexão. Mais um blogue que acaba, mais um autor que passa a escrever num blog colectivo. Confesso que este movimento de fusões e aquisições na blogosfera ainda não me convenceu. Acho que se perde, em parte, o individualismo, uma das diferenças da blogosfera face aos outros meios de comunicação social.

31 May 2004

Socorro!


Os três canais de televisão (RTP, SIC e TVI) foram invadidos por uns tipos mal encarados que dizem que "ainda é tempo para restaurar a ordem no nosso território", falam de "bandos étnicos que promovem o crime" e prometem "colocar sempre os portuguese primeiro" porque afinal "ainda somos senhores do nosso território".

São do PNR - Partido Nacional Renovador. Estão em simultâneo no prime-time dos três canais com um tempo de antena assustador. Que linda é a democracia.

E ainda falta tanto...



by Gary Larson

30 May 2004

Cautela e caldos de galinha


Nunca se perguntaram de que são feitos os caldos Knorr? E porque é que são diferentes para a carne, para o peixe, para as galinhas? Eu já, mas apenas a mim, que não possuía a resposta. Hoje decidi tirar o assunto a limpo.



Descobri que são apenas o resultado da água de cozer a carne, o peixe ou as galinhas, juntamente com alguns temperos, em versão liofilizada! São caldos! Literalmente o resultado de caldos de cozedura.

Até hoje respeitava imenso a Knorr por ter inventado um dos símbolos da minha época. Achava que os caldos Knorr eram o resultado estranho e incompreensível de anos de pesquisa. Estou um bocado desiludido.

Mas mais sapiente. Sem dúvida mais sapiente.

29 May 2004

O fim do experimentalismo


Cheguei à blogosfera (como leitor) na semana do fim da Coluna Infame. Pouco tempo antes da criação do Flor de Obsessão do Pedro Lomba e do Dicionário do Diabo do Pedro Mexia. Dois espaços da blogosfera, mais ou menos intermitentes, que vi começar e terminar e cuja leitura me dava um prazer enorme.

Grande Porra. Permitam-me exaltar aqui o egoísmo. É evidente que os Pedros lá terão as suas razões para acabarem com o "experimentalismo". Mas eles não sabem como ele, o experimentalismo, é importante para mim agora. E não me está nada a apetecer pensar que vai acabar um destes dias.

Sei que o Fora do Mundo vai continuar. Nada de pessoal, mas parece-me fraca compensação.

28 May 2004

Uma boa notícia


CHILE
Pinochet perde imunidade
O Tribunal de Recurso de Santiago levantou a imunidade ao ex-ditador Augusto Pinochet. A detenção do ex-presidente chileno vai agora ser avaliada pelo Supremo Tribunal de Justiça.

in TSF. Resto do artigo aqui.

Fico à espera da caracterização do ditador n'O Acidental.

28 de Maio


Hoje é bom poder vir trabalhar.

26 May 2004

Trrim




Eu sei. Eu sei. Mas não há tempo para mais. A campainha acabou de tocar.

24 May 2004

Oh porra, lá se vai a retoma!


Aqui.

Sem mais comentários.

Actualização: parece afinal que a irregularidade é "diminuta e sanável". Respiremos, então, de alívio.

Nem a evolução?


(post em tom propositadamente paranóico)

Olho em volta para tentar perceber onde estou. Vejo uma placa, onde leio: "Rua Portugal Durão". Gelo. Já começou. É o segundo sinal do dia. O primeiro foi o cartaz, com uma moçoila sorridente, erguendo um cachecol onde se lê: "Força Portugal".

Já ontem foi o discurso. O tom. As ameaças. A mensagem, pouco subliminar, "quem prejudica a imagem de Portugal é um traidor" ou "Tudo pela Nação, nada contra a Nação". E a volta dos "comunistas" como culpados.

A revolução está morta, já não há dúvidas. Nem a evolução nos resta?

23 May 2004

Wish-list


Não estivesse enterrado nos livros (um dia hei-de perceber se isto de estudar é masoquismo ou vocação), gostaria de postar sobre:

1 - A boda real em Espanha (ou o reforçar do meu republicanismo).

2 - A vitória de Michael Moore em Cannes (ai, ai, o anti-americanismo).

3 - A unanimidade à volta de Durão Barroso, em Oliveira de Azeméis (dá quase a ideia de que estão prestes a fazer-lhe a folha).

4 - A remodelação governamental e o bem que se aplica aqui o uso do singular (ou mais propriamente o porquê da remodelação, visto que ninguém percebeu).

5 - A 2ª boa notícia para o Sporting esta semana (depois do despedimento de Fernando Santos, parece que o Toñito vai para o raio que o parta - vulgo Boavista). É bom demais para ser verdade.

21 May 2004

Hoje tenho de...


Agradecer ao Barnabé ter-me lembrado de um dos melhores sketchs humorísticos alguma vez feito.

"Nobody expects the Spanish Inquisition!"



Ide ver os Monty Python's Flying Circus (por exemplo aqui)! Ide! Ou terei de vos submeter à excruciante "confy chair". Ou, quem sabe, utilizar as "soft pillows"!

20 May 2004

Notas


1 - O Serras chegou às 1,000 visitas

2 - Hoje chamaram-me tronglinha. Sempre a aprender!

Obrigados a pensar


"Um dia, quando se alcançar um tratado de paz, e o embaixador palestiniano apresentar as suas credenciais ao presidente de Israel na secção ocidental de Jerusalém, enquanto o embaixador israelita as apresenta ao presidente palestiniano em Jerusalém oriental, seremos todos obrigados a rir da estupidez do nosso passado. Mas, mesmo por entre esse riso, seremos obrigados a responder por tanto sangue inocente derramado. As mães e os pais dos mortos não rirão connosco.”

Excerto de um texto de Amos Oz lido no Rua da Judiaria, sobre a questão palestiniana. Vão ler o resto. Está lá tudo.

Submeter


Entreguei ontem a declaração de IRS. Pela primeira vez dentro do prazo estabelecido. Convenci-me finalmente que já pagava o suficiente ao Estado sem juntar uma multa à laia de gorjeta, ou coisa que o valha.

E então? Então é impressionante como a DGCI conseguiu transmitir para a Internet a atmosfera reinante nas repartições de finanças. E não, não acredito que seja por acaso. Todo o ambiente e aplicações são pensadas para tornar o contribuinte pequeno. É palpável a vontade em fazê-lo sentir-se pequeno. Por exemplo, não se entrega a declaração de IRS. Submete-se. É esse o termo utilizado. Logo depois, somos informados que a declaração irá ser sujeita a processamento central.

Quem procura a explicação em velhos vícios numa nova plataforma está, para mim, errado. A distância imposta é, como sempre foi, propositada.

19 May 2004

Da problemática do Bom-dia


Troco com frequência os cumprimentos estabelecidos quando encontro ou me despeço das pessoas. É comum, senão normal, sair-me um sonoro e sincero “Bom-dia” sob o (agora) abrasador Sol das 3h da tarde. Trocar a manhã pela tarde. E a noite pelas duas. Não tentei perceber o porquê de baralhar as várias fases que compõem um dia, limitei-me a aceitar a incapacidade de acertar no correcto. Isto, apesar de conjecturar, de quando em vez, se me sinto mais virado para a metafísica, que me agrada não cumprir as regras estabelecidas, mesmo que, ou se calhar por acontecer, de forma inconsciente.

Tentei durante uns tempos adoptar como fórmula mágica e única o “Bom-dia”. Isto porque, para além do mais, me parecia discriminatório, e sintomático de maiores problemas, a necessidade sentida de compartimentar um dia, como se fosse mais fácil ter horas certas para trocar de máscara, para mudar de discurso. Deixem-me dizer, de resto, que o meu problema se centra exclusivamente na hora marcada, na hora certa. O uso de máscaras não é apenas normal. É vital. Mas isso fica para outro dia.

Voltando à problemática da dissonância entre mundo real e mundo apreendido, deparei-me, como seria de esperar, com enormes dificuldades. A maior parte das pessoas não perdia a oportunidade para me responder: “Bom-dia? A esta hora?”, enquanto certamente pensava: “acabaste de te levantar, não foi?” ou “credo, o que a droga faz às pessoas”. Todas as minhas tentativas de explicar o porquê deste comportamento bizarro batiam de forma cruel no muro do hábito, do preconceito.

O que aliás faz sentido. Se o problema é meu, porque é que são os outros que têm de ter trabalho?

18 May 2004

Do que tens de te lembrar


"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Ricardo Reis, 1933

I had it coming


Leio a palavra esternutações,escrita pela Inês, no My Moleskine. Por estas bandas, a coisa também não anda nada fácil. Acho que o desprezo com que, durante anos, observei o abrangente conceito de alergias decidiu vingar-se de uma vez só. É justo.


17 May 2004

Margens



Baquera-Beret, Janeiro 2003

Esta é tua, Coronel.

Resultados surpreendentes


'Cause Jesus he knows me ..
Which Famous Homosexual are you?
Brought to you by Rum and Monkey

"Until God got biblical on your ass"???? Não tenho palavras. Até eu acho isto uma heresia. Têm aqui em baixo o resumo.

Which Famous Homosexual Are You?
Wooh. You're Paul the Apostle!


As lowly tent-maker Saul, you hated the Christians and persecuted them, until God got Biblical on your ass. You soon changed your name to Paul and became an ardent follower of Jesus Christ, preaching the good word wherever you went.

These days you're the patron saint of a whole bunch of different things, including musicians, newspaper editorial staff and hospital public relations. Don't ask us, we don't assign these things.

You're also gay. John Shelby Spong, Archbishop of Newark, has written: "The war that went on between what he desired with his mind and what he desired with his body, his drivenness to a legalistic religion of control, his fear when that system was threatened, his attitude toward women, his refusal to seek marriage as an outlet for his passion -- nothing else accounts for this data as well as the possibility that Paul was gay."

In the Bible you are seen to wrestle with your sexual desires, even though you yourself write about men laying with men as being "unseemly". A clear case of repression and denial?


PS - a melhor pergunta do teste é:"Have you ever obliterated a village?"

Irritações (1)


A repetição de sinónimos (deve ser para dar ênfase). E o abuso dos advérbios (crime que eu cometo frequentemente - ups - também). Tudo isto por causa de algumas frases ouvidas hoje numa acção de formação, dada por um advogado:

"Queremos evitar, prevenir, garantir que tal situação não acontece..."

"Eles sentiram a necessidade de assumir, controlar, garantir, assegurar a supervisão..."

"Já concumitantemente, concorrentemente temos a situação..."

16 May 2004

Post "Coisa feia, a inveja"


Finalmente a economia portuguesa vai começar a crescer. Ou, espera aí... Não me digam que é só quando conseguirem ser campeões! Estamos feitos.

Actualização: é disto que eu estou a falar.

14 May 2004

Fátima


Vejo as imagens da celebração do 13 de Maio na televisão. As chamas, belas, reproduzidas às centenas de milhar na noite. Lembro-me da primeira (e única) vez que fui a Fátima, com os meus avós. Devia ter à volta de sete, oito anos. A recordação mais forte é a de uma senhora, à volta dos 50 anos de idade, a percorrer aquela passadeira enorme que vai até ao santuário. De joelhos. Em sangue.

Na altura revoltou-me. Não percebi qual era a necessidade ou o que é que aquele espetáculo tinha a ver com Deus. Hoje não me revolta, culpa da entretanto aprendida noção de Liberdade. Mas continuo a não perceber. Por mais que tente, continuo sem perceber.

Uma boa ideia


Pacheco Pereira, para político, é um pensador de uma independência impressionante face ao seu partido. Vejam aqui a defesa da extinçao da JSD, por esta não passar de um trampolim de carreira para políticos.

Eu acrescentaria que a medida devia ser generalizada a todos os partidos. É que para além de não servirem a ninguém excepto aos próprios, as jotinhas e os jotinhas são, na generalidade, de uma boçalidade que roça o intolerável.

Nota


É de elogiar (e de esperar que sirva de exemplo) o gesto de António Champalimaud em doar €500mn para a criacão de uma Fundação para a investigação na área da Medicina. Sem mas.

13 May 2004

Ainda sobre a lógica das barricadas




PS: Obrigado ao Amor e Ócio

O teste


Pronto. Também fui fazer o teste. Deu-me o mesmo resultado da Bomba. Estou, aliás, como ela: podia ser pior.


É um mundo mágico



cliquem na imagem para aumentá-la

Já aqui tinha escrito que o Calvin&Hobbes são os meus gurus. Gosto especialmente desta tira, desta noção da vida como "folha em branco". Noção demasiado esperançosa para se adequar à realidade, claro, mas mesmo assim suficiente para relembrar o tanto que depende de nós.

É um mundo mágico. Bora explorá-lo?

12 May 2004

As barricadas


Falta-me a paciência para a conversa "não podes falar da tortura a prisioneiros iraquianos porque não disseste nada sobre Cuba". Enoja-me o contentamento com que alguns blogs hoje exibem a fotografia do homem prestes a ser decapitado - do estilo, "agora posso colocar no blog fotografias de tortura e assassínio de seres humanos que não são perpetrados por tropas americanas". Ou outros que exibiam a tortura a prisioneiros iraquianos como se fosse uma vitória moral contra "O Império".

Não vos parece que a barbárie ultrapassa a questão esquerda/direita? Que o terrorismo, o desrespeito pelos direitos humanos não são propriamente armas de arremesso contra o outro lado da barricada política?

Claro que todos estes assuntos têm de ser denunciados e debatidos. Mas às vezes perde-se a noção. De humanidade.

11 May 2004

Pasárgada


Volta não volta, vem-me à ideia este poema de Manuel Bandeira. Todos devíamos ter uma Pasárgada para onde nos pudéssemos ir embora.

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa me vinha contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Manuel Bandeira, in Vou-me embora pra Pasárgada, José Olympio Editora

Auxiliares de memória


A propósito deste post do Pastelinho (lampiões mas, apesar disso, decentes), lembrei-me do que alguém me contava sobre os adeptos que costumam circundar o Dias da Cunha (com muito cachecóis e bandeiras) sempre que ele faz declarações para a comunicação social. Ao contrário do que possam pensar, eles não estão lá para apoiar o Sporting Clube de Portugal. Estão lá para que o Dias da Cunha, dentro da confusão mental que o aflige, se lembre de que clube é Presidente. São carinhosamente tratados, dentro do clube, como os Auxiliares de Memória.

A propósito, uma nota de esperança: o tempo continua a passar e Fernando Santos ainda não foi confirmado como treinador da próxima época.

10 May 2004

Livra...


SIC Notícias: "Não perca já a seguir, Frente-a-Frente entre Maria de Belém e Telmo Correia"

A amostra gratuita a debater com o escuteiro do PP? Mas quem é que estará interessado num debate entre estas alminhas?

Os "nossos"


Ouço comparações falando de como, para a tradição árabe, as torturas infligidas por soldados norte-americanos a prisioneiros iraquianos são levezinhas e até comuns. Não o consigo encontrar na edição on-line do DN (chamar edição on-line é ser bonzinho), mas na semana passada era publicado um cartoon na última página exactamente com este mote. Não sou qualificado para discursar sobre a atitude da cultura árabe face à tortura de seres humanos. Aliás, acho de imediato complicadas estas generalizações: "os árabes são assim ou assado".



De qualquer forma, não deixa de ser chocante justificarmos a nossa própria brutalidade com a brutalidade do "inimigo". Ou pensar que a nossa matriz cultural, a matriz das democracias ocidentais (ó para mim a generalizar também) inclui comportamentos deste tipo, sancionados pelas hierarquias (até serem descobertos, claro!). Por mais que condene a intervenção americana no Iraque, é para mim absurdo que "os nossos", os da tal matriz civilizacional que é a nossa, tenham comportamentos deste género num país que é suposto libertarem e democratizarem.

8 May 2004

Resistir é Vencer


Grande, grande concerto de José Mário Branco hoje no Coliseu de Lisboa.



"Ser solidário assim pr'além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E, improvavelmente, ser feliz"


PS: tem razão jmf, no Terras do Nunca. Depois do que vimos ontem à noite, temos todo o tempo do Mundo!

7 May 2004

Mais uma que só pode doer...


A opinião de Vasco Pulido Valente sobre o momento actual do PSD:

Vasco Pulido Valente, que foi deputado do PSD e secretário de Estado de Cavaco Silva, considera que "pessoa a pessoa" o PSD tem hoje o pior governo que este partido já teve. "O primeiro governo do eng. Guterres foi bem melhor que este (...)"

Pior que o Guterres... Ouch!

PS: VPV, elogiado e citadíssimo em alguma blogosfera é, de quando em vez, estranha e totalmente ignorado. Este será, certamente, um desses casos.

Mistério


Que razão explicará a escolha de Sousa Franco como cabeça-de-lista do PS às eleições europeias? É que eu, sinceramente, não sou capaz de perceber...

5 May 2004

Tributável


"Queriam-me casado, futil, quotidiano e tributavel?
Queriam-me o contrario d'isto, o contrario de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciencia!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sòzinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sòzinho.
Já disse que sou só sòzinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!"

Excerto de Lisbon Revisited 1923, Álvaro de Campos

Ando às voltas com estes versos de Álvaro de Campos. Ou melhor, ando à volta comigo. Com o tanto que estes versos me diziam há 10 anos atrás. Estava enganado nessa altura ou estou a enganar-me agora?

Interrompemos a emissão para...


dar os parabéns ao FCPorto pela passagem à final da Liga dos Campeões. E pelo Campeonato Nacional. E pela eventual conquista da Liga dos Campeões. E pela eventual conquista da Taça de Portugal. E por qualquer título ou taça que venham a ganhar nos próximos anos.

Pronto, já despachei estes. É que senão um gajo não faz mais nada.

4 May 2004

Imperdoável




Ainda não ter referido aqui o acontecimento político mais importante dos últimos tempos. Dia 1 de Maio de 2004 passámos a ser 25 países no projecto de construção da União Europeia. Como diria o outro, "seja bem vindo quem vier por bem".

Iraque


Não me é fácil escrever sobre a ocupação americana do Iraque. A queda de uma ditador como Saddam Hussein é, invariavelmente, um motivo de alegria. Mas (cá vem a fatídica palavra...) toda a história desta invasão foi mal contada desde o início. Os episódios da "demonstração" na ONU da existência de WMD (com uma fantástica apresentação de powerpoint), a cimeira dos Açores em que se jurava a pés juntos a existência de provas fortes dessas mesmas WMD, são hoje episódios anedóticos que se manterão vivos durante muito tempo. Se existiu mentira nas razões que implicaram a invasão de um país, a invasão em si também não parece estar a correr propriamente bem. Os EUA são cada vez mais vistos como país invasor e não como libertador. Os acontecimentos de Falujah e o recente escândalo da tortura de iraquianos às mão de tropas da coligação só vêm dar uma mão a quem apoia a visão de esta operação estar a ser conduzida contra os iraquianos e não por eles.



Tudo isto me preocupa. Porque sei bem onde está o "meu" lado - o lado das democracias ocidentais. Quando nos encontramos numa situação de elevadíssima tensão civilizacional, é muito mau perdermos a razão. E é exactamente isso que a desastrada invasão do Iraque (e já agora o apoio incondicional dos EUA às políticas de Ariel Sharon face à Palestina) pode acarretar.

Entendo que é necessário (diria mesmo vital) lutar contra o terrorismo. Existe uma facção de extremismo islâmico com a qual não poderemos conversar, não se conversa com quem tem como único objectivo o extermínio da nossa civilização. Mas ainda ninguém me conseguiu explicar porque é que invadir o Iraque, ainda por cima com razões que se vieram a provar falsas, vai ajudar nesta luta.

Actualização: grande tira do Bartoon aqui.

Nem mais




Sem querer, parece-me, Luís Afonso acerta em cheio na definição da relação do Sporting com os seus adeptos.

3 May 2004

It gives me great pleasure to announce...


Um murdering bastard na blogosfera. Responde pelo nome de Burro Amarrado. Como em tantas outras coisas na vida, aqui o nome engana: a corda não está presa a lado nenhum.

Bem-vindo à blogosfera, Burro. Inauguras, com todo o mérito, a rubrica Amigos nos links alí à direita. Boa sorte para a Initial Public Offering.

A prioridade


Devem doer como tudo, ao governo PSD/PP, as recentes divulgações do relatório do Banco de Portugal sobre o défice orçamental. Ficámos então a saber que, mesmo descontando os efeitos do abrandamento económico e do retirar da esfera orçamental de parte significativa dos custos hospitalares (com a transformação destes em S.A.’s), o governo PSD/PP conseguiu a proeza de ser mais despesista do que os governos Guterres (4,4% a 4,3% de défice orçamental em 2003, pior que os 4,1% de 2001).
Isto é, o défice não pára de aumentar. Isto é, a tão propalada contenção, rigor, etc. equivale a propaganda e a páginas de publicidade pagas nos jornais. Isto é, a Manelinha parece estar a falhar redondamente. Para quem tinha anunciado a estabilização financeira como prioridade máxima…

Se nas Finanças a coisa está complicada, na Economia não se está muito melhor. A manchete de hoje do Diário Económico fala-nos de como o dossier Galp foi retirado (é esta a expressão) ao Ministro da Economia, o triste Carlos Tavares, e entregue (tremam!!) a Morais Sarmento, para que não suceda à Galp o que sucedeu ao dossier Portucel. As buscas para tentar encontrar um dossier que Carlos Tavares tenha efectivamente resolvido continuam, embora as esperanças diminuam a cada instante…

Serviço completo




Esta é, provavelmente, a época em que o meu clube mais me envergonhou. Não é uma afirmação de ânimo leve quando se é sportinguista. Fernando Santos torna-se dramático na calma e sensação de normalidade que consegue transmitir após os desaires mais inacreditáveis dos quais ele é o principal (ia escrever único mais lembrei-me do Paixão) responsável.

O Sporting foi humilhado na taça UEFA. O Sporting foi humilhado na Taça de Portugal. Faltava a Superliga. Já está: três derrotas consecutivas a quatro jogos do fim do campeonato.

Desesperante, mesmo desesperante, é sair de um Sporting-Benfica derrotado e não conseguir estar furioso com os lampiões. Porque eles não tiveram praticamente nada a ver com terem ganho este jogo.

Não, desculpem. Desesperante é saber que Fernando Santos vai continuar a ser treinador do Sporting Clube de Portugal na próxima época.

PS: inaceitável o comportamento dos grunhos da Juventude Leonina que invadiram o campo. Contra mim falo, mas espero bem os primeiros jogos do Sporting no próximo campeonato sejam em casa emprestada. E, se não for pedir muito, que a direcção do SCP retire definitivamente qualquer apoio prestado a tais criaturas.

30 Apr 2004

A compostura


Muitos lhe vaticinaram um triste destino como Ministro de Estado e da Defesa. Conhecendo o Paulo Portas truculento, espalhafatoso, director de jornal de escândalos, era difícil imaginá-lo numa pose de Estado, serena, digna. No entanto, o "Paulinho das feiras" surpreendeu tudo e todos, mantendo-se distante das quezílias, adoptando um estilo muito mais sereno e, claro, pondo em prática muito do que andou a condenar durante anos na casse política.

Mas, sinceramente, parece-me que esse tempo passou. Voltamos à história do escorpião e do sapo. Até podemos lutar contra a nossa natureza mas esta acaba por ganhar.

Os episódios da pastilha elástica no desfile militar e a apoplexia nervosa que hoje ia tendo em pleno parlamento, mostram-nos o Portas que conhecíamos, com a sua aura de arrogância e difícil convivência com a democracia. Está-lhe a estalar o verniz. Já não era sem tempo.

Tarantino in love




Impressionante a forma como filma Uma Thurman.

Actualização: leiam este post do Babugem.

29 Apr 2004

Um clássico da blogosfera


Não faço ideia porquê, mas alguém veio parar aqui com a seguinte pesquisa no Yahoo Brasileiro: animal mating pictures

Não. Aqui não temos. Mas podem contactar os Marretas. Pode ser que o Animal vos arranje qualquer coisa...

Actualização: parece que foi por causa do post sobre o rinoceronte demasiado amigável. Está explicado.

Parem as rotativas!


Finalmente a resposta a uma questão que me andava a apoquentar há algum tempo.

ALARGAMENTO
Bandeira da União Europeia não vai ter mais estrelas
A bandeira da União Europeia não vai ter mais estrelas, para além das 12 já existentes. Desta forma, os dez novos países, que vão aderir à UE no dia 01 de Maio, não vão ter direito a uma estrela dourada na bandeira azul.

in TSF. Resto do artigo aqui.

Hoje é dia de...



O eterno optimista


Pode parecer incrível, mas o comportamento da selecção nacional nestes jogos de preparação não tem nada a ver com ir (ou não ir) à bruxa. Há pelo menos duas boas razões que explicam a súbita falta de jeito para jogar à bola. A primeira prende-se com a famosa táctica de baixar as defesas dos adversários. Por esta altura já ninguém (mesmo ninguém!) tem receio de jogar contra Portugal. A segunda razão é apenas gestão de relacionamento entre a equipa e os adeptos e é daquelas win-win situations: se perdermos, já ninguém se espanta depois destes jogos. Se ganharmos imaginem a festa que vai ser.

Eu nem quero pensar o que custou ao Ricardo deixar entrar aquela bola. Posso imaginar até a frase dita pelo companheiro de selecção, que se aproxima pouco depois: “Vá Ricardo, não te esqueças que é um frango por Portugal!”. Figo, no momento do remate, lágrima furtiva ao canto do olho, pensando: “Tens de acertar no guarda-redes, não podes falhar o guarda-redes!”. Já ao Rui Jorge não custou nada. Foi só seguir na maré de azar.

28 Apr 2004

Siga o blog


Escrever no Serras em Abril significou reencontrar-me com o pensar sobre política, tema afastado desde os tempos da Faculdade. Com tanto prazer no reencontro que as “postas” saíram em catadupa, quase sem interrupção. Com toda a emoção que o tema Abril sempre implicou para mim. Propositadamente com toda a emoção.

Hoje releio o blog e penso que é excessivo. Ainda bem. De moderação já estou bem servido, obrigado.

Quero, agora, que os temas se alarguem mas o sentimento continue. Bloguemos, então.

27 Apr 2004

Reflexões sem tempo


É o título de um texto que escrevi e redescobri agora. Foi escrito por ocasião do 25 de Abril de 1995 (há 9 longos anos portanto) e publicado num jornal universitário bastante sui generis, intitulado Nova Opinião.

Trancrevo-o aqui pela ligação feita entre evolução e revolução, mais actual agora do que então. E porque, perdoando alguma da exaltação, da má escrita e dos pormenores próprios da época, me revejo no texto que escrevi há 9 anos.

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Reflexões sem tempo

Revolução: transformação, mudança profunda, progresso intensivo segundo um dos muitos dicionários da língua portuguesa. Odiada por muitos, amada por poucos, acima de tudo, não deixa ninguém indiferente e nada incólume.
Foi e continuará a ser a única maneira de mudar, alterar, transformar e, muitas das vezes acabar, arrasar, destruir, tudo o que oprime o homem e a liberdade. Dir-me-ão que tudo isto envolve sangue, mortes e injustiças e que muitas vezes as revoluções tiram mais do que dão liberdade, a estabilidade económica e os climas de confiança e tudo isso. Tudo isso me lembra uma frase inicial de um discurso que li em quaquer lado: “A revolução não é um estado de coisas permanente e não podemos permitir-lhe que assim queira continuar. A corrente da revolução desencadeada deve ser conduzida pelo canal da evoluçao.” Politicamente correcta, não é? Foi dita a 6 de Julho de 1933 por Adolfo Hitler a filas de homens todos perfilados e impecavelmente fardados. Ficariam conhecidos na generalidade por NAZIS. E foi o que se viu.
Que dizer do espancamento de pessoas metódica e eficazmente, sejam estudantes ou operários, porque estão a exercer o seu direito constitucionalmente garantido de manifestação? Que dizer de um SIS que sem qualquer tipo de controlo, investiga dirigentes associativos e sindicais? Que dizer das pensões dadas a ex-PIDE’s (leia-se assassinos e torturadores) por valorosos serviços prestados à nação? Que dizer de uma lei de imprensa (recentemente aprovada na A.R.) cujo único propósito é defender os podres poderes estabelecidos? Que dizer da libertação de bombistas assassinos logo após a “normalização democrática”? Que dizer da fome e miséria que cada vez mais alastram nas ruas das nossas cidades?
Para mim, todas as estruturas da velha senhora continuam a existir ou estão em claro processo de branqueamento e reabilitação, embora com nomes diferentes. E isto, enquanto nós em democracia vamos dando maiorias absolutas a quem demonstra que nada mais sente do que um profundo desprezo por quem lhe deu esse poder. O que faz falta, meus amigos, é uma verdadeira revolução. De mentalidades.
Almada Negreiros disse uma vez: “Um povo perfeito tem todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades!”. Olhando para o estado das coisas, vejo-me obrigado a concordar. Somos uns boçais.
Mas e porque ainda há quem grite “revoltem-se, foda-se!” decidi não desistir. Nunca desistir.

Já somos três


26 Apr 2004

Nem só de liberdade se faz Abril


26 de Abril de 1937. A divisão Condor, da força aérea alemã, destruía Guernica, a pedido do General Franco. O génio de Picasso tornou impossível o esquecimento.

25 Apr 2004

Espaço de Sonho


No dia 25 de Abril de 1974 eu ainda não tinha nascido. O meu Abril, aquele
que me formou, foi criado pelos meus pais, pelos valores que me
transmitiram, pela festa que faziam sempre que se comemorava o Dia da
Liberdade.
Lembro, com demasiada saudade, os ramos de cravos vermelhos com que a minha
mãe enchia a casa, estivéssemos ou não, em Abril. Lembro quando me mostraram
a voz quente do Fernando Tordo a cantar a poesia de José Carlos Ary dos
Santos: “O povo não é livre em águas mornas / Não se abre a Liberdade com
gazuas”. Lembro-me de ouvir, com eles, vezes sem conta, Zeca Afonso, exemplo
máximo dos trovadores de Abril. Talvez por isso, ainda hoje me sinta um
“Filho da Madrugada”.
O 25 de Abril é, para mim, um espaço emocional, porque não o vivi. Um espaço
de sonho, de inocência, de acreditar que tudo é possível. O primeiro
momento, o momento fundador, de todos os ideais em que acredito. Liberdade.
Democracia. Solidariedade. Paz.
Neste dia, 25 de Abril de 2004, quero dizer obrigado e prestar homenagem aos
militares que souberam dizer basta. E aos meus pais por terem criado, para
mim que só nasci depois, esse espaço de sonho.

24 Apr 2004

Para não se apagar a chama


Hoje, dia 24 de Abril, deixo a letra da canção de Zeca Afonso de que mais gosto. Somos, de uma forma ou de outra, todos filhos da madrugada. Da madrugada que aí vem dentro de umas horas.

Canto Jovem

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegámos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa moira encantada
Vira a proa da minha barca

José Afonso

23 Apr 2004

Também para eles


Sim, o 25 de Abril também foi feito para que pessoas assim possam dizer à boca cheia alarvidades destas.

Segundo Luís Champalimaud, ex-presidente da Mundial Confiança e filho de António Champalimaud, agora em Portugal "vive-se à custa de Bruxelas e da venda de empresas 'roubadas'". Ficamos a saber ainda que "tudo foi feito de novo [a partir do 25 de Abril], mas o modelo não permite a criação de riqueza. Agora distribuem-se as reservas. E quando acabar, apaga-se a luz?". Podem encontrar estes e outros interessantes comentários no Jornal de Negócios de hoje (não encontrei um link para a notícia).

O sistema actual não permite a criação de riqueza.... É uma boa afirmação para quem vendeu, em 2000, e por 300 milhões de contos, o grupo financeiro Mundial Confiança, com uma mais-valia gigantesca.

And now for something completely different (II)


Ou Serras National Geographic. Obrigado Casper pelo link.

Rhino gets amorous with car

Thursday, April 22, 2004 Posted: 1316 GMT (2116 HKT)
LONDON, England (Reuters) -- A rampant rhinoceros gave a group of visitors a glimpse of nature in the raw at a British safari park when he tried to have sex with their car.
Sharka, a two-ton white rhino, got amorous with Dave Alsop's car when he stopped with three friends to take pictures of the animal mating with his partner Trixie at the West Midland Safari Park.
The 12-year-old rhino tried to mount the Renault Laguna from the side, denting the doors and ripping off the wing mirrors before Dave drove away with a puffing Sharka in pursuit.
"He was a big boy and obviously aroused," Alsop told the Sun newspaper on Thursday.
"He sidled up against us. The next thing I know he's banging away at the car and it's rocking like hell."
A spokeswoman for the park, which says "rhinos are not particularly intelligent animals" on its Web site, said Sharka was a hit with the female rhinos and had fathered two calves in the last five years.
"He's got a bit of a reputation this lad and he was obviously at it again," she added.


Mas pensando bem.... Um "not particularly intelligent animal" que fode o objectivo errado... Podia ser o George W!

22 Apr 2004

Excelente cartoon




Se não for maldoso é um excelente cartoon. Se formos mentes perversas (e eu sou), pisa ao de leve a linha do mau-gosto. Mas não deixa de ser um excelente cartoon. Bandeira, o autor do óptimo "Cravo e Ferradura" no DN, merece os parabéns.

21 Apr 2004

A capacidade flutuante de Portas acabou de aumentar


Assinado contrato de compra de dois submarinos
Paulo Portas promete recuperar capacidade submarina perdida

O ministro de Estado e da Defesa Nacional, Paulo Portas, prometeu hoje tudo fazer para que Portugal recupere o tempo perdido em matéria de capacidade submarina, durante a assinatura do contrato de compra de dois novos submarinos ao consórcio alemão GSM (German Submarine Consortium) e recusou as críticas da NATO sobre o desperdício desta operação de renovação da Marinha portuguesa.

in Publico on line.
Resto do artigo aqui.

É desesperante. Esta ânsia do simbolismo. Défices orçamentais superiores a 3%? Críticas da NATO (se calhar até percebem do assunto, não sei...), acusando o Governo português de desperdício? Nada disso interessa. O que é de facto importante, é Paulo Portas poder afirmar, com brilho nos olhos e fato às riscas e pleno de orgulho pátrio, que foi ele que comprou os submarinos.

Quando é que eu aceito que alguma política (Paulo Portas/submarinos/Cinha Jardim, Santana Lopes/Tunel do Marquês/Santanetes) se faz exclusivamente de adereços? Espero que nunca.

Lugares de Infância


Através do País Relativo, descubro o Pastelinho, blog de ex-alunos do Externato Fernão Mendes Pinto e da Escola C+S Delfim Santos (na qual eu também fui aluno). De repente, vejo-me regressado aos meus lugares de infância, a todo aquele "universo" à volta do Largo Conde de Bonfim.

Os objectivos do Pastelinho prometem. A escrita também. Vão lá ver.

20 Apr 2004

E de repente...


As instituições deste país surpreendem! Quem diria que havia coragem?

Presidente da Liga de Clubes detido pela PJ do Porto
Valentim Loureiro diz que desconhece motivos da sua detenção

Valentim Loureiro, detido hoje para interrogatório pela Polícia Judiciária por suspeitas de tráfico de influências na arbitragem e corrupção, diz que ainda "não sabe do que está indiciado" e que aguarda ser ouvido pela PJ e por um juiz.

in Publico on-line
. Resto do artigo aqui.

PS: impossível não comentar o nome da operação da PJ: "Apito Dourado". Estava aqui a tentar arranjar um nome mais foleiro mas até agora não fui capaz. Sugestões aceitam-se.

Liderança visionária


Sustos


Abro o Público de hoje, vou folheando, e de repente, o susto: o título do editorial é: "Guantanamo, até quando?" e critica (moderadamente, mas critica) os EUA. Pensei, "o Zé Manuel Fernandes está a tentar amainar o sucesso da petição lançada pelo Barnabé.... O tema é um pouco óbvio mas, caramba, o editorial critica os nosso aliados, não pode ser...., não se admite!"

Mas depois reparo, o editorial é assinado por Amílcar Correia. Uf!, Bush pode respirar de alívio. José Manuel Fernandes continua ao seu lado. Sem divisionismos que atrapalhem.

19 Apr 2004

Corrija-se de imediato




E não é que Corto Maltese ainda não tinha aparecido neste blog? Esta imagem pertence ao livro "As Helvéticas" e faz parte de um daqueles típicos "sonhos" de Corto, povoados de criaturas e situações fantásticas. Daqueles em que não se distingue o que é sonho e o que não é. Já lá estivemos todos, não?

E que dizer da força desta imagem?






Quero escrever sobre o assunto, mas já não sei o quê... A vontade de paz parece-me tão afastada de ambas as partes.

A pergunta que se deveria fazer é: como é que se interrompe o ciclo de violência? O que acontece no terreno é que a política de Sharon (e o apoio incondicional que esta e este recebem dos EUA, John Kerry incluído) são a desculpa perfeita para a cada vez maior radicalização dos palestinianos. E, sinceramente, não me parece que os terroristas que se encontram entre os palestinianos precisem de ajuda. Mas agradecem-na.

18 Apr 2004

Razões para ser ateu


Certamente para se certificarem de que não me esqueço das razões que me fazem ser ateu, a Igreja faz questão de, periodicamente, mas lembrar. Este fim-de-semana, na Grande Reportagem (acho que não tem página web...), leio que o Vaticano divulgou um documento de 800 páginas com as linhas mestras que devem orientar a família e o sexo (!!). Em baixo, duas frases que mostram bem a evolução (lá está esta palavra outra vez) da instituição Igreja desde a altura em que pessoas eram queimadas por heresia ou desde a altura em que, tacitamente, apoiava e enriquecia com o regime nazi.

A primeira pérola é sobre a homossexualidade: "Os homossexuais não têm direitos, dado que a homossexualidade não tem valor social"

A segunda incide sobre o combate à epidemia da SIDA: " a abstinência ou as relações sexuais dentro do matrimónio são a única estratégia eficaz"

Ficamos à espera de mais opiniões dos senhores. Devia dar para rir... Não. Desculpem, mas não dá.

Boavista 2 - Sporting 1


Diálogo na manhã seguinte:

- Querida, trouxe-te o pequeno almoço
- Obrigado, paixão!
- Paixão??? Não me fales nesse nome!!!

15 Apr 2004

Sem tempo para blogar - parte 1




O Calvin é o meu guru. Já viram a luz que está sobre Lisboa, hoje?

14 Apr 2004

Uma grande ideia


Leio no Barnabé:

"Como lisboeta, faço já campanha: vamos pôr Santana em Bruxelas!"

Faz-me lembrar um movimento que existiu na Faculdade de Economia da Nova, na altura das eleições presidenciais de 1996. Tinha o bonito nome de MJFECP, ou seja, Movimento Jovem da Faculdade de Economia Cavaco à Presidência, cujo lema era "Mais vale Presidente do que nosso professor".

Anos depois, esta ideia de atirar com Santana Lopes para Bruxelas parece-me importante. Mas não só como lisboeta. É que assim, deixaria de desejar que Cavaco Silva se candidate à Presidência da República, só para não passar pela vergonha de poder ver, como presidente do meu país, o Santana rodeado das suas Santanetes.

13 Apr 2004

Para repetir todos os dias


Não só, mas também, a propósito de Abril.

Rifão Quotidiano

Uma Nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar o que acontece

Mário Henrique Leiria, in Novos Contos do Gin, Editorial Estampa

12 Apr 2004

Ainda Abril




No fim-de-semana, discussão à volta dos famigerados cartazes da "evolução". E os argumentos a favor destes: "O importante é o futuro", "não podemos estar agarrados ao passado", "temos é de olhar para a frente", "as comemorações oficiais, a linguagem, já está toda a gente farta".

Deve ser defeito meu. Certamente de formação. Mas sinto que racionalizar o 25 de Abril, extirpá-lo do que aos olhos de hoje não fica bem, é não comemorar, é minimizar o que (como me contaram e ensinaram) foi um tempo de sonho, de inocência absoluta. E, desculpem lá pá, mas acho que precisamos (se calhar cada vez mais) de sentir o poder desses primeiros momentos de alegria, de liberdade.

O poder explicativo dos cartoons (I)




A situação no Iraque em resumo. Quando é que chega a ONU?

via Letras com Garfos II.

PS: Se lá forem aproveitem para ler a posta "Poetas de Palmo e Meio" onde se encontram frases como esta:

"Estou com tosse. Engoli frio um dia."
Inês Fernandes, 4 anos

Ele há gostos para tudo...


Condoleezza Rice, "O modelo de mulher do século XXI", lido no Blasfémias.

11 Apr 2004

Frases (II)


"Busquei abrigo num quiosque, e me perguntei se algum dia saberia viver longe do mar, em cidade que não terminasse assim num acidente, mas agonizando para todos os lados".

Chico Buarque, in Budapeste, edições D. Quixote

8 Apr 2004

And now for something completely different


Mexicana faz cesariana em si própria

Uma mulher mexicana deu à luz um saudável rapaz depois de ter feito, em si própria, uma cesariana com uma faca de cozinha. Este é o primeiro caso do género conhecido em que tanto a mãe como o bebé sobreviveram. Com 40 anos, a mãe, que vive numa zona rural sem electricidade, água canalizada e esgotos, a oito horas de distância de um hospital, decidiu fazer a operação depois de não conseguir ter um parto natural. Já tinha perdido um filho devido a complicações durante o parto. O médico do hospital de San Pablo, que divulgou a notícia na revista internacional de Ginecologia e Obstetrícia, contou que a mulher tomou três copos de um forte licor, pegou na faca de cozinha e cortou o seu abdomen após três tentativas. O bebé nasceu respirando normalmente e gritando a plenos pulmões. Antes de perder os sentidos, a mãe pediu a um outro filho que chamasse a enfermeira local, que a coseu com uma agulha normal e linha de algodão. Mãe e filho foram depois transferidos para o hospital, noticiou a Reuters.

in Publico, 08/Abril/2004

7 Apr 2004

Ups...


Fui descoberto! Parece que passei a ter alguma audiência. A melhor, claro! De qualquer forma, ai a responsabilidade...

Sempre inovando, juntei a possibilidade de fazerem comentários. Parece que é uma coisa de "canhotoblogues". Óptimo.

How things work


Ou, será que podemos generalizar?

Excerto de reunião (imaginária) entre investidor e dono de grupo de media

Investidor (I): este contrato para utilizarem os espaços da empresa X para publicidade é renovável de um em um ano. Ou seja, podem perder este contrato facilmente, não é?

Dono (D): não, não acreditamos que esse risco exista... É a vantagem de sermos um grupo integrado.

I: como assim?

D: Repare, se a empresa X decidir rescindir o contracto connosco, podemos sempre “arranjar” uma notícia sobre essa empresa para passar nos telejornais. Não me parece que a empresa X queira correr esse risco.

I: Ah, OK. Já percebi…

6 Apr 2004

Lá volto eu...


ao Delgado. Reparem na pérola:


"(...) quem escolheu Bush foram os americanos, que poderão repetir a dose, e conviria não os tomar por idiotas, burros e incapazes. Que tal respeitar, um pouco mais, a maioria dos americanos? Dói? Custa muito? Provoca alergias? "

Parece-me que respeitar a maioria dos americanos era ter o Al Gore na presidência. Lembro-me de ver, no barnabé, um hilariante autocolante de campanha das presidenciais norte-americanas: "Re-defeat Bush in 2004". É só seguirem o link para poderem ver também.

5 Apr 2004

Escolhas


Enquanto estudo, os fins de semana vão passando por mim, sem me darem cavaco. Neste, vi a filha de uma amiga, com apenas duas semanas. Vi o Sol. Falei com amigos. Já sei, já sei, a inveja é uma coisa muito feia. Mas saber isso, não faz com que deixe de me sentir assim, inquieto, irritado, impaciente. Com as minhas escolhas.

2 Apr 2004

Abril




Grande ideia, do Barnabé, em reproduzir os cartazes da revolução de Abril. Porque é importante recordar. Para quem, como eu, nasceu já em liberdade (em pleno verão quente de 75, diga-se) estes cartazes são anacrónicos. Mas, ainda assim, importantíssimos. Para perceber que, sim, o 25 de Abril e o PREC originaram situações ridículas, lesivas para muitas pessoas, com impactos duradouros na sociedade portuguesa. É hoje fácil olhar para trás e perceber isso. Tanto como é injusto,estúpido e redutor avaliar a a revolução dos cravos apenas por esse prisma.

O 25 de Abril terá sempre um carácter político e este não é extirpável. Não podemos transformá-lo em asséptico, higiénico, limpinho, conveniente. O que podemos é, dando aos pormenores a importância que merecem, realçar, falar, ensinar os quatro D's de Abril. Não deixar que eles morram. Porque esses serão sempre actuais.

Democratizar

Descolonizar

Desenvolver

Dinamizar

Retratos


Os voos Lisboa-Porto e Porto-Lisboa são do mais pitoresco que há. Somos tão pequenos, que não existe um voo em que não esteja presente pelo menos um famoso. Ontem, no Porto, tinhamos o José Carlos Malato acompanhado da Sónia Araujo e da Merche (há nomes que sinceramente) Romero. Confesso que descobrir os nomes exigiu alguma investigação.

Mas sentia-se o frissson. Os comentários. As abordagens espontâneas. E o comportamento típico das estrelas wanna-be. Falavam alto. Riam muito. Foram os últimos a entrar no avião. Entre o comportamento do povo e o comportamento das estrelas, venha o diabo e escolha. Triste. Mas, confesso, divertido de observar.