16 May 2004

Post "Coisa feia, a inveja"


Finalmente a economia portuguesa vai começar a crescer. Ou, espera aí... Não me digam que é só quando conseguirem ser campeões! Estamos feitos.

Actualização: é disto que eu estou a falar.

14 May 2004

Fátima


Vejo as imagens da celebração do 13 de Maio na televisão. As chamas, belas, reproduzidas às centenas de milhar na noite. Lembro-me da primeira (e única) vez que fui a Fátima, com os meus avós. Devia ter à volta de sete, oito anos. A recordação mais forte é a de uma senhora, à volta dos 50 anos de idade, a percorrer aquela passadeira enorme que vai até ao santuário. De joelhos. Em sangue.

Na altura revoltou-me. Não percebi qual era a necessidade ou o que é que aquele espetáculo tinha a ver com Deus. Hoje não me revolta, culpa da entretanto aprendida noção de Liberdade. Mas continuo a não perceber. Por mais que tente, continuo sem perceber.

Uma boa ideia


Pacheco Pereira, para político, é um pensador de uma independência impressionante face ao seu partido. Vejam aqui a defesa da extinçao da JSD, por esta não passar de um trampolim de carreira para políticos.

Eu acrescentaria que a medida devia ser generalizada a todos os partidos. É que para além de não servirem a ninguém excepto aos próprios, as jotinhas e os jotinhas são, na generalidade, de uma boçalidade que roça o intolerável.

Nota


É de elogiar (e de esperar que sirva de exemplo) o gesto de António Champalimaud em doar €500mn para a criacão de uma Fundação para a investigação na área da Medicina. Sem mas.

13 May 2004

Ainda sobre a lógica das barricadas




PS: Obrigado ao Amor e Ócio

O teste


Pronto. Também fui fazer o teste. Deu-me o mesmo resultado da Bomba. Estou, aliás, como ela: podia ser pior.


É um mundo mágico



cliquem na imagem para aumentá-la

aqui tinha escrito que o Calvin&Hobbes são os meus gurus. Gosto especialmente desta tira, desta noção da vida como "folha em branco". Noção demasiado esperançosa para se adequar à realidade, claro, mas mesmo assim suficiente para relembrar o tanto que depende de nós.

É um mundo mágico. Bora explorá-lo?

12 May 2004

As barricadas


Falta-me a paciência para a conversa "não podes falar da tortura a prisioneiros iraquianos porque não disseste nada sobre Cuba". Enoja-me o contentamento com que alguns blogs hoje exibem a fotografia do homem prestes a ser decapitado - do estilo, "agora posso colocar no blog fotografias de tortura e assassínio de seres humanos que não são perpetrados por tropas americanas". Ou outros que exibiam a tortura a prisioneiros iraquianos como se fosse uma vitória moral contra "O Império".

Não vos parece que a barbárie ultrapassa a questão esquerda/direita? Que o terrorismo, o desrespeito pelos direitos humanos não são propriamente armas de arremesso contra o outro lado da barricada política?

Claro que todos estes assuntos têm de ser denunciados e debatidos. Mas às vezes perde-se a noção. De humanidade.

11 May 2004

Pasárgada


Volta não volta, vem-me à ideia este poema de Manuel Bandeira. Todos devíamos ter uma Pasárgada para onde nos pudéssemos ir embora.

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa me vinha contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Manuel Bandeira, in Vou-me embora pra Pasárgada, José Olympio Editora

Auxiliares de memória


A propósito deste post do Pastelinho (lampiões mas, apesar disso, decentes), lembrei-me do que alguém me contava sobre os adeptos que costumam circundar o Dias da Cunha (com muito cachecóis e bandeiras) sempre que ele faz declarações para a comunicação social. Ao contrário do que possam pensar, eles não estão lá para apoiar o Sporting Clube de Portugal. Estão lá para que o Dias da Cunha, dentro da confusão mental que o aflige, se lembre de que clube é Presidente. São carinhosamente tratados, dentro do clube, como os Auxiliares de Memória.

A propósito, uma nota de esperança: o tempo continua a passar e Fernando Santos ainda não foi confirmado como treinador da próxima época.

10 May 2004

Livra...


SIC Notícias: "Não perca já a seguir, Frente-a-Frente entre Maria de Belém e Telmo Correia"

A amostra gratuita a debater com o escuteiro do PP? Mas quem é que estará interessado num debate entre estas alminhas?

Os "nossos"


Ouço comparações falando de como, para a tradição árabe, as torturas infligidas por soldados norte-americanos a prisioneiros iraquianos são levezinhas e até comuns. Não o consigo encontrar na edição on-line do DN (chamar edição on-line é ser bonzinho), mas na semana passada era publicado um cartoon na última página exactamente com este mote. Não sou qualificado para discursar sobre a atitude da cultura árabe face à tortura de seres humanos. Aliás, acho de imediato complicadas estas generalizações: "os árabes são assim ou assado".



De qualquer forma, não deixa de ser chocante justificarmos a nossa própria brutalidade com a brutalidade do "inimigo". Ou pensar que a nossa matriz cultural, a matriz das democracias ocidentais (ó para mim a generalizar também) inclui comportamentos deste tipo, sancionados pelas hierarquias (até serem descobertos, claro!). Por mais que condene a intervenção americana no Iraque, é para mim absurdo que "os nossos", os da tal matriz civilizacional que é a nossa, tenham comportamentos deste género num país que é suposto libertarem e democratizarem.

8 May 2004

Resistir é Vencer


Grande, grande concerto de José Mário Branco hoje no Coliseu de Lisboa.



"Ser solidário assim pr'além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E, improvavelmente, ser feliz"


PS: tem razão jmf, no Terras do Nunca. Depois do que vimos ontem à noite, temos todo o tempo do Mundo!

7 May 2004

Mais uma que só pode doer...


A opinião de Vasco Pulido Valente sobre o momento actual do PSD:

Vasco Pulido Valente, que foi deputado do PSD e secretário de Estado de Cavaco Silva, considera que "pessoa a pessoa" o PSD tem hoje o pior governo que este partido já teve. "O primeiro governo do eng. Guterres foi bem melhor que este (...)"

Pior que o Guterres... Ouch!

PS: VPV, elogiado e citadíssimo em alguma blogosfera é, de quando em vez, estranha e totalmente ignorado. Este será, certamente, um desses casos.

Mistério


Que razão explicará a escolha de Sousa Franco como cabeça-de-lista do PS às eleições europeias? É que eu, sinceramente, não sou capaz de perceber...

5 May 2004

Tributável


"Queriam-me casado, futil, quotidiano e tributavel?
Queriam-me o contrario d'isto, o contrario de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciencia!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sòzinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sòzinho.
Já disse que sou só sòzinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!"

Excerto de Lisbon Revisited 1923, Álvaro de Campos

Ando às voltas com estes versos de Álvaro de Campos. Ou melhor, ando à volta comigo. Com o tanto que estes versos me diziam há 10 anos atrás. Estava enganado nessa altura ou estou a enganar-me agora?

Interrompemos a emissão para...


dar os parabéns ao FCPorto pela passagem à final da Liga dos Campeões. E pelo Campeonato Nacional. E pela eventual conquista da Liga dos Campeões. E pela eventual conquista da Taça de Portugal. E por qualquer título ou taça que venham a ganhar nos próximos anos.

Pronto, já despachei estes. É que senão um gajo não faz mais nada.

4 May 2004

Imperdoável




Ainda não ter referido aqui o acontecimento político mais importante dos últimos tempos. Dia 1 de Maio de 2004 passámos a ser 25 países no projecto de construção da União Europeia. Como diria o outro, "seja bem vindo quem vier por bem".

Iraque


Não me é fácil escrever sobre a ocupação americana do Iraque. A queda de uma ditador como Saddam Hussein é, invariavelmente, um motivo de alegria. Mas (cá vem a fatídica palavra...) toda a história desta invasão foi mal contada desde o início. Os episódios da "demonstração" na ONU da existência de WMD (com uma fantástica apresentação de powerpoint), a cimeira dos Açores em que se jurava a pés juntos a existência de provas fortes dessas mesmas WMD, são hoje episódios anedóticos que se manterão vivos durante muito tempo. Se existiu mentira nas razões que implicaram a invasão de um país, a invasão em si também não parece estar a correr propriamente bem. Os EUA são cada vez mais vistos como país invasor e não como libertador. Os acontecimentos de Falujah e o recente escândalo da tortura de iraquianos às mão de tropas da coligação só vêm dar uma mão a quem apoia a visão de esta operação estar a ser conduzida contra os iraquianos e não por eles.



Tudo isto me preocupa. Porque sei bem onde está o "meu" lado - o lado das democracias ocidentais. Quando nos encontramos numa situação de elevadíssima tensão civilizacional, é muito mau perdermos a razão. E é exactamente isso que a desastrada invasão do Iraque (e já agora o apoio incondicional dos EUA às políticas de Ariel Sharon face à Palestina) pode acarretar.

Entendo que é necessário (diria mesmo vital) lutar contra o terrorismo. Existe uma facção de extremismo islâmico com a qual não poderemos conversar, não se conversa com quem tem como único objectivo o extermínio da nossa civilização. Mas ainda ninguém me conseguiu explicar porque é que invadir o Iraque, ainda por cima com razões que se vieram a provar falsas, vai ajudar nesta luta.

Actualização: grande tira do Bartoon aqui.

Nem mais




Sem querer, parece-me, Luís Afonso acerta em cheio na definição da relação do Sporting com os seus adeptos.

3 May 2004

It gives me great pleasure to announce...


Um murdering bastard na blogosfera. Responde pelo nome de Burro Amarrado. Como em tantas outras coisas na vida, aqui o nome engana: a corda não está presa a lado nenhum.

Bem-vindo à blogosfera, Burro. Inauguras, com todo o mérito, a rubrica Amigos nos links alí à direita. Boa sorte para a Initial Public Offering.

A prioridade


Devem doer como tudo, ao governo PSD/PP, as recentes divulgações do relatório do Banco de Portugal sobre o défice orçamental. Ficámos então a saber que, mesmo descontando os efeitos do abrandamento económico e do retirar da esfera orçamental de parte significativa dos custos hospitalares (com a transformação destes em S.A.’s), o governo PSD/PP conseguiu a proeza de ser mais despesista do que os governos Guterres (4,4% a 4,3% de défice orçamental em 2003, pior que os 4,1% de 2001).
Isto é, o défice não pára de aumentar. Isto é, a tão propalada contenção, rigor, etc. equivale a propaganda e a páginas de publicidade pagas nos jornais. Isto é, a Manelinha parece estar a falhar redondamente. Para quem tinha anunciado a estabilização financeira como prioridade máxima…

Se nas Finanças a coisa está complicada, na Economia não se está muito melhor. A manchete de hoje do Diário Económico fala-nos de como o dossier Galp foi retirado (é esta a expressão) ao Ministro da Economia, o triste Carlos Tavares, e entregue (tremam!!) a Morais Sarmento, para que não suceda à Galp o que sucedeu ao dossier Portucel. As buscas para tentar encontrar um dossier que Carlos Tavares tenha efectivamente resolvido continuam, embora as esperanças diminuam a cada instante…

Serviço completo




Esta é, provavelmente, a época em que o meu clube mais me envergonhou. Não é uma afirmação de ânimo leve quando se é sportinguista. Fernando Santos torna-se dramático na calma e sensação de normalidade que consegue transmitir após os desaires mais inacreditáveis dos quais ele é o principal (ia escrever único mais lembrei-me do Paixão) responsável.

O Sporting foi humilhado na taça UEFA. O Sporting foi humilhado na Taça de Portugal. Faltava a Superliga. Já está: três derrotas consecutivas a quatro jogos do fim do campeonato.

Desesperante, mesmo desesperante, é sair de um Sporting-Benfica derrotado e não conseguir estar furioso com os lampiões. Porque eles não tiveram praticamente nada a ver com terem ganho este jogo.

Não, desculpem. Desesperante é saber que Fernando Santos vai continuar a ser treinador do Sporting Clube de Portugal na próxima época.

PS: inaceitável o comportamento dos grunhos da Juventude Leonina que invadiram o campo. Contra mim falo, mas espero bem os primeiros jogos do Sporting no próximo campeonato sejam em casa emprestada. E, se não for pedir muito, que a direcção do SCP retire definitivamente qualquer apoio prestado a tais criaturas.

30 Apr 2004

A compostura


Muitos lhe vaticinaram um triste destino como Ministro de Estado e da Defesa. Conhecendo o Paulo Portas truculento, espalhafatoso, director de jornal de escândalos, era difícil imaginá-lo numa pose de Estado, serena, digna. No entanto, o "Paulinho das feiras" surpreendeu tudo e todos, mantendo-se distante das quezílias, adoptando um estilo muito mais sereno e, claro, pondo em prática muito do que andou a condenar durante anos na casse política.

Mas, sinceramente, parece-me que esse tempo passou. Voltamos à história do escorpião e do sapo. Até podemos lutar contra a nossa natureza mas esta acaba por ganhar.

Os episódios da pastilha elástica no desfile militar e a apoplexia nervosa que hoje ia tendo em pleno parlamento, mostram-nos o Portas que conhecíamos, com a sua aura de arrogância e difícil convivência com a democracia. Está-lhe a estalar o verniz. Já não era sem tempo.

Tarantino in love




Impressionante a forma como filma Uma Thurman.

Actualização: leiam este post do Babugem.

29 Apr 2004

Um clássico da blogosfera


Não faço ideia porquê, mas alguém veio parar aqui com a seguinte pesquisa no Yahoo Brasileiro: animal mating pictures

Não. Aqui não temos. Mas podem contactar os Marretas. Pode ser que o Animal vos arranje qualquer coisa...

Actualização: parece que foi por causa do post sobre o rinoceronte demasiado amigável. Está explicado.

Parem as rotativas!


Finalmente a resposta a uma questão que me andava a apoquentar há algum tempo.

ALARGAMENTO
Bandeira da União Europeia não vai ter mais estrelas
A bandeira da União Europeia não vai ter mais estrelas, para além das 12 já existentes. Desta forma, os dez novos países, que vão aderir à UE no dia 01 de Maio, não vão ter direito a uma estrela dourada na bandeira azul.

in TSF. Resto do artigo aqui.

Hoje é dia de...



O eterno optimista


Pode parecer incrível, mas o comportamento da selecção nacional nestes jogos de preparação não tem nada a ver com ir (ou não ir) à bruxa. Há pelo menos duas boas razões que explicam a súbita falta de jeito para jogar à bola. A primeira prende-se com a famosa táctica de baixar as defesas dos adversários. Por esta altura já ninguém (mesmo ninguém!) tem receio de jogar contra Portugal. A segunda razão é apenas gestão de relacionamento entre a equipa e os adeptos e é daquelas win-win situations: se perdermos, já ninguém se espanta depois destes jogos. Se ganharmos imaginem a festa que vai ser.

Eu nem quero pensar o que custou ao Ricardo deixar entrar aquela bola. Posso imaginar até a frase dita pelo companheiro de selecção, que se aproxima pouco depois: “Vá Ricardo, não te esqueças que é um frango por Portugal!”. Figo, no momento do remate, lágrima furtiva ao canto do olho, pensando: “Tens de acertar no guarda-redes, não podes falhar o guarda-redes!”. Já ao Rui Jorge não custou nada. Foi só seguir na maré de azar.

28 Apr 2004

Siga o blog


Escrever no Serras em Abril significou reencontrar-me com o pensar sobre política, tema afastado desde os tempos da Faculdade. Com tanto prazer no reencontro que as “postas” saíram em catadupa, quase sem interrupção. Com toda a emoção que o tema Abril sempre implicou para mim. Propositadamente com toda a emoção.

Hoje releio o blog e penso que é excessivo. Ainda bem. De moderação já estou bem servido, obrigado.

Quero, agora, que os temas se alarguem mas o sentimento continue. Bloguemos, então.

27 Apr 2004

Reflexões sem tempo


É o título de um texto que escrevi e redescobri agora. Foi escrito por ocasião do 25 de Abril de 1995 (há 9 longos anos portanto) e publicado num jornal universitário bastante sui generis, intitulado Nova Opinião.

Trancrevo-o aqui pela ligação feita entre evolução e revolução, mais actual agora do que então. E porque, perdoando alguma da exaltação, da má escrita e dos pormenores próprios da época, me revejo no texto que escrevi há 9 anos.

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Reflexões sem tempo

Revolução: transformação, mudança profunda, progresso intensivo segundo um dos muitos dicionários da língua portuguesa. Odiada por muitos, amada por poucos, acima de tudo, não deixa ninguém indiferente e nada incólume.
Foi e continuará a ser a única maneira de mudar, alterar, transformar e, muitas das vezes acabar, arrasar, destruir, tudo o que oprime o homem e a liberdade. Dir-me-ão que tudo isto envolve sangue, mortes e injustiças e que muitas vezes as revoluções tiram mais do que dão liberdade, a estabilidade económica e os climas de confiança e tudo isso. Tudo isso me lembra uma frase inicial de um discurso que li em quaquer lado: “A revolução não é um estado de coisas permanente e não podemos permitir-lhe que assim queira continuar. A corrente da revolução desencadeada deve ser conduzida pelo canal da evoluçao.” Politicamente correcta, não é? Foi dita a 6 de Julho de 1933 por Adolfo Hitler a filas de homens todos perfilados e impecavelmente fardados. Ficariam conhecidos na generalidade por NAZIS. E foi o que se viu.
Que dizer do espancamento de pessoas metódica e eficazmente, sejam estudantes ou operários, porque estão a exercer o seu direito constitucionalmente garantido de manifestação? Que dizer de um SIS que sem qualquer tipo de controlo, investiga dirigentes associativos e sindicais? Que dizer das pensões dadas a ex-PIDE’s (leia-se assassinos e torturadores) por valorosos serviços prestados à nação? Que dizer de uma lei de imprensa (recentemente aprovada na A.R.) cujo único propósito é defender os podres poderes estabelecidos? Que dizer da libertação de bombistas assassinos logo após a “normalização democrática”? Que dizer da fome e miséria que cada vez mais alastram nas ruas das nossas cidades?
Para mim, todas as estruturas da velha senhora continuam a existir ou estão em claro processo de branqueamento e reabilitação, embora com nomes diferentes. E isto, enquanto nós em democracia vamos dando maiorias absolutas a quem demonstra que nada mais sente do que um profundo desprezo por quem lhe deu esse poder. O que faz falta, meus amigos, é uma verdadeira revolução. De mentalidades.
Almada Negreiros disse uma vez: “Um povo perfeito tem todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades!”. Olhando para o estado das coisas, vejo-me obrigado a concordar. Somos uns boçais.
Mas e porque ainda há quem grite “revoltem-se, foda-se!” decidi não desistir. Nunca desistir.

Já somos três


26 Apr 2004

Nem só de liberdade se faz Abril


26 de Abril de 1937. A divisão Condor, da força aérea alemã, destruía Guernica, a pedido do General Franco. O génio de Picasso tornou impossível o esquecimento.

25 Apr 2004

Espaço de Sonho


No dia 25 de Abril de 1974 eu ainda não tinha nascido. O meu Abril, aquele
que me formou, foi criado pelos meus pais, pelos valores que me
transmitiram, pela festa que faziam sempre que se comemorava o Dia da
Liberdade.
Lembro, com demasiada saudade, os ramos de cravos vermelhos com que a minha
mãe enchia a casa, estivéssemos ou não, em Abril. Lembro quando me mostraram
a voz quente do Fernando Tordo a cantar a poesia de José Carlos Ary dos
Santos: “O povo não é livre em águas mornas / Não se abre a Liberdade com
gazuas”. Lembro-me de ouvir, com eles, vezes sem conta, Zeca Afonso, exemplo
máximo dos trovadores de Abril. Talvez por isso, ainda hoje me sinta um
“Filho da Madrugada”.
O 25 de Abril é, para mim, um espaço emocional, porque não o vivi. Um espaço
de sonho, de inocência, de acreditar que tudo é possível. O primeiro
momento, o momento fundador, de todos os ideais em que acredito. Liberdade.
Democracia. Solidariedade. Paz.
Neste dia, 25 de Abril de 2004, quero dizer obrigado e prestar homenagem aos
militares que souberam dizer basta. E aos meus pais por terem criado, para
mim que só nasci depois, esse espaço de sonho.

24 Apr 2004

Para não se apagar a chama


Hoje, dia 24 de Abril, deixo a letra da canção de Zeca Afonso de que mais gosto. Somos, de uma forma ou de outra, todos filhos da madrugada. Da madrugada que aí vem dentro de umas horas.

Canto Jovem

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegámos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa moira encantada
Vira a proa da minha barca

José Afonso

23 Apr 2004

Também para eles


Sim, o 25 de Abril também foi feito para que pessoas assim possam dizer à boca cheia alarvidades destas.

Segundo Luís Champalimaud, ex-presidente da Mundial Confiança e filho de António Champalimaud, agora em Portugal "vive-se à custa de Bruxelas e da venda de empresas 'roubadas'". Ficamos a saber ainda que "tudo foi feito de novo [a partir do 25 de Abril], mas o modelo não permite a criação de riqueza. Agora distribuem-se as reservas. E quando acabar, apaga-se a luz?". Podem encontrar estes e outros interessantes comentários no Jornal de Negócios de hoje (não encontrei um link para a notícia).

O sistema actual não permite a criação de riqueza.... É uma boa afirmação para quem vendeu, em 2000, e por 300 milhões de contos, o grupo financeiro Mundial Confiança, com uma mais-valia gigantesca.

And now for something completely different (II)


Ou Serras National Geographic. Obrigado Casper pelo link.

Rhino gets amorous with car

Thursday, April 22, 2004 Posted: 1316 GMT (2116 HKT)
LONDON, England (Reuters) -- A rampant rhinoceros gave a group of visitors a glimpse of nature in the raw at a British safari park when he tried to have sex with their car.
Sharka, a two-ton white rhino, got amorous with Dave Alsop's car when he stopped with three friends to take pictures of the animal mating with his partner Trixie at the West Midland Safari Park.
The 12-year-old rhino tried to mount the Renault Laguna from the side, denting the doors and ripping off the wing mirrors before Dave drove away with a puffing Sharka in pursuit.
"He was a big boy and obviously aroused," Alsop told the Sun newspaper on Thursday.
"He sidled up against us. The next thing I know he's banging away at the car and it's rocking like hell."
A spokeswoman for the park, which says "rhinos are not particularly intelligent animals" on its Web site, said Sharka was a hit with the female rhinos and had fathered two calves in the last five years.
"He's got a bit of a reputation this lad and he was obviously at it again," she added.


Mas pensando bem.... Um "not particularly intelligent animal" que fode o objectivo errado... Podia ser o George W!

22 Apr 2004

Excelente cartoon




Se não for maldoso é um excelente cartoon. Se formos mentes perversas (e eu sou), pisa ao de leve a linha do mau-gosto. Mas não deixa de ser um excelente cartoon. Bandeira, o autor do óptimo "Cravo e Ferradura" no DN, merece os parabéns.

21 Apr 2004

A capacidade flutuante de Portas acabou de aumentar


Assinado contrato de compra de dois submarinos
Paulo Portas promete recuperar capacidade submarina perdida

O ministro de Estado e da Defesa Nacional, Paulo Portas, prometeu hoje tudo fazer para que Portugal recupere o tempo perdido em matéria de capacidade submarina, durante a assinatura do contrato de compra de dois novos submarinos ao consórcio alemão GSM (German Submarine Consortium) e recusou as críticas da NATO sobre o desperdício desta operação de renovação da Marinha portuguesa.

in Publico on line.
Resto do artigo aqui.

É desesperante. Esta ânsia do simbolismo. Défices orçamentais superiores a 3%? Críticas da NATO (se calhar até percebem do assunto, não sei...), acusando o Governo português de desperdício? Nada disso interessa. O que é de facto importante, é Paulo Portas poder afirmar, com brilho nos olhos e fato às riscas e pleno de orgulho pátrio, que foi ele que comprou os submarinos.

Quando é que eu aceito que alguma política (Paulo Portas/submarinos/Cinha Jardim, Santana Lopes/Tunel do Marquês/Santanetes) se faz exclusivamente de adereços? Espero que nunca.

Lugares de Infância


Através do País Relativo, descubro o Pastelinho, blog de ex-alunos do Externato Fernão Mendes Pinto e da Escola C+S Delfim Santos (na qual eu também fui aluno). De repente, vejo-me regressado aos meus lugares de infância, a todo aquele "universo" à volta do Largo Conde de Bonfim.

Os objectivos do Pastelinho prometem. A escrita também. Vão lá ver.

20 Apr 2004

E de repente...


As instituições deste país surpreendem! Quem diria que havia coragem?

Presidente da Liga de Clubes detido pela PJ do Porto
Valentim Loureiro diz que desconhece motivos da sua detenção

Valentim Loureiro, detido hoje para interrogatório pela Polícia Judiciária por suspeitas de tráfico de influências na arbitragem e corrupção, diz que ainda "não sabe do que está indiciado" e que aguarda ser ouvido pela PJ e por um juiz.

in Publico on-line
. Resto do artigo aqui.

PS: impossível não comentar o nome da operação da PJ: "Apito Dourado". Estava aqui a tentar arranjar um nome mais foleiro mas até agora não fui capaz. Sugestões aceitam-se.

Liderança visionária


Sustos


Abro o Público de hoje, vou folheando, e de repente, o susto: o título do editorial é: "Guantanamo, até quando?" e critica (moderadamente, mas critica) os EUA. Pensei, "o Zé Manuel Fernandes está a tentar amainar o sucesso da petição lançada pelo Barnabé.... O tema é um pouco óbvio mas, caramba, o editorial critica os nosso aliados, não pode ser...., não se admite!"

Mas depois reparo, o editorial é assinado por Amílcar Correia. Uf!, Bush pode respirar de alívio. José Manuel Fernandes continua ao seu lado. Sem divisionismos que atrapalhem.

19 Apr 2004

Corrija-se de imediato




E não é que Corto Maltese ainda não tinha aparecido neste blog? Esta imagem pertence ao livro "As Helvéticas" e faz parte de um daqueles típicos "sonhos" de Corto, povoados de criaturas e situações fantásticas. Daqueles em que não se distingue o que é sonho e o que não é. Já lá estivemos todos, não?

E que dizer da força desta imagem?






Quero escrever sobre o assunto, mas já não sei o quê... A vontade de paz parece-me tão afastada de ambas as partes.

A pergunta que se deveria fazer é: como é que se interrompe o ciclo de violência? O que acontece no terreno é que a política de Sharon (e o apoio incondicional que esta e este recebem dos EUA, John Kerry incluído) são a desculpa perfeita para a cada vez maior radicalização dos palestinianos. E, sinceramente, não me parece que os terroristas que se encontram entre os palestinianos precisem de ajuda. Mas agradecem-na.

18 Apr 2004

Razões para ser ateu


Certamente para se certificarem de que não me esqueço das razões que me fazem ser ateu, a Igreja faz questão de, periodicamente, mas lembrar. Este fim-de-semana, na Grande Reportagem (acho que não tem página web...), leio que o Vaticano divulgou um documento de 800 páginas com as linhas mestras que devem orientar a família e o sexo (!!). Em baixo, duas frases que mostram bem a evolução (lá está esta palavra outra vez) da instituição Igreja desde a altura em que pessoas eram queimadas por heresia ou desde a altura em que, tacitamente, apoiava e enriquecia com o regime nazi.

A primeira pérola é sobre a homossexualidade: "Os homossexuais não têm direitos, dado que a homossexualidade não tem valor social"

A segunda incide sobre o combate à epidemia da SIDA: " a abstinência ou as relações sexuais dentro do matrimónio são a única estratégia eficaz"

Ficamos à espera de mais opiniões dos senhores. Devia dar para rir... Não. Desculpem, mas não dá.

Boavista 2 - Sporting 1


Diálogo na manhã seguinte:

- Querida, trouxe-te o pequeno almoço
- Obrigado, paixão!
- Paixão??? Não me fales nesse nome!!!

15 Apr 2004

Sem tempo para blogar - parte 1




O Calvin é o meu guru. Já viram a luz que está sobre Lisboa, hoje?

14 Apr 2004

Uma grande ideia


Leio no Barnabé:

"Como lisboeta, faço já campanha: vamos pôr Santana em Bruxelas!"

Faz-me lembrar um movimento que existiu na Faculdade de Economia da Nova, na altura das eleições presidenciais de 1996. Tinha o bonito nome de MJFECP, ou seja, Movimento Jovem da Faculdade de Economia Cavaco à Presidência, cujo lema era "Mais vale Presidente do que nosso professor".

Anos depois, esta ideia de atirar com Santana Lopes para Bruxelas parece-me importante. Mas não só como lisboeta. É que assim, deixaria de desejar que Cavaco Silva se candidate à Presidência da República, só para não passar pela vergonha de poder ver, como presidente do meu país, o Santana rodeado das suas Santanetes.

13 Apr 2004

Para repetir todos os dias


Não só, mas também, a propósito de Abril.

Rifão Quotidiano

Uma Nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar o que acontece

Mário Henrique Leiria, in Novos Contos do Gin, Editorial Estampa

12 Apr 2004

Ainda Abril




No fim-de-semana, discussão à volta dos famigerados cartazes da "evolução". E os argumentos a favor destes: "O importante é o futuro", "não podemos estar agarrados ao passado", "temos é de olhar para a frente", "as comemorações oficiais, a linguagem, já está toda a gente farta".

Deve ser defeito meu. Certamente de formação. Mas sinto que racionalizar o 25 de Abril, extirpá-lo do que aos olhos de hoje não fica bem, é não comemorar, é minimizar o que (como me contaram e ensinaram) foi um tempo de sonho, de inocência absoluta. E, desculpem lá pá, mas acho que precisamos (se calhar cada vez mais) de sentir o poder desses primeiros momentos de alegria, de liberdade.

O poder explicativo dos cartoons (I)




A situação no Iraque em resumo. Quando é que chega a ONU?

via Letras com Garfos II.

PS: Se lá forem aproveitem para ler a posta "Poetas de Palmo e Meio" onde se encontram frases como esta:

"Estou com tosse. Engoli frio um dia."
Inês Fernandes, 4 anos

Ele há gostos para tudo...


Condoleezza Rice, "O modelo de mulher do século XXI", lido no Blasfémias.

11 Apr 2004

Frases (II)


"Busquei abrigo num quiosque, e me perguntei se algum dia saberia viver longe do mar, em cidade que não terminasse assim num acidente, mas agonizando para todos os lados".

Chico Buarque, in Budapeste, edições D. Quixote

8 Apr 2004

And now for something completely different


Mexicana faz cesariana em si própria

Uma mulher mexicana deu à luz um saudável rapaz depois de ter feito, em si própria, uma cesariana com uma faca de cozinha. Este é o primeiro caso do género conhecido em que tanto a mãe como o bebé sobreviveram. Com 40 anos, a mãe, que vive numa zona rural sem electricidade, água canalizada e esgotos, a oito horas de distância de um hospital, decidiu fazer a operação depois de não conseguir ter um parto natural. Já tinha perdido um filho devido a complicações durante o parto. O médico do hospital de San Pablo, que divulgou a notícia na revista internacional de Ginecologia e Obstetrícia, contou que a mulher tomou três copos de um forte licor, pegou na faca de cozinha e cortou o seu abdomen após três tentativas. O bebé nasceu respirando normalmente e gritando a plenos pulmões. Antes de perder os sentidos, a mãe pediu a um outro filho que chamasse a enfermeira local, que a coseu com uma agulha normal e linha de algodão. Mãe e filho foram depois transferidos para o hospital, noticiou a Reuters.

in Publico, 08/Abril/2004

7 Apr 2004

Ups...


Fui descoberto! Parece que passei a ter alguma audiência. A melhor, claro! De qualquer forma, ai a responsabilidade...

Sempre inovando, juntei a possibilidade de fazerem comentários. Parece que é uma coisa de "canhotoblogues". Óptimo.

How things work


Ou, será que podemos generalizar?

Excerto de reunião (imaginária) entre investidor e dono de grupo de media

Investidor (I): este contrato para utilizarem os espaços da empresa X para publicidade é renovável de um em um ano. Ou seja, podem perder este contrato facilmente, não é?

Dono (D): não, não acreditamos que esse risco exista... É a vantagem de sermos um grupo integrado.

I: como assim?

D: Repare, se a empresa X decidir rescindir o contracto connosco, podemos sempre “arranjar” uma notícia sobre essa empresa para passar nos telejornais. Não me parece que a empresa X queira correr esse risco.

I: Ah, OK. Já percebi…

6 Apr 2004

Lá volto eu...


ao Delgado. Reparem na pérola:


"(...) quem escolheu Bush foram os americanos, que poderão repetir a dose, e conviria não os tomar por idiotas, burros e incapazes. Que tal respeitar, um pouco mais, a maioria dos americanos? Dói? Custa muito? Provoca alergias? "

Parece-me que respeitar a maioria dos americanos era ter o Al Gore na presidência. Lembro-me de ver, no barnabé, um hilariante autocolante de campanha das presidenciais norte-americanas: "Re-defeat Bush in 2004". É só seguirem o link para poderem ver também.

5 Apr 2004

Escolhas


Enquanto estudo, os fins de semana vão passando por mim, sem me darem cavaco. Neste, vi a filha de uma amiga, com apenas duas semanas. Vi o Sol. Falei com amigos. Já sei, já sei, a inveja é uma coisa muito feia. Mas saber isso, não faz com que deixe de me sentir assim, inquieto, irritado, impaciente. Com as minhas escolhas.

2 Apr 2004

Abril




Grande ideia, do Barnabé, em reproduzir os cartazes da revolução de Abril. Porque é importante recordar. Para quem, como eu, nasceu já em liberdade (em pleno verão quente de 75, diga-se) estes cartazes são anacrónicos. Mas, ainda assim, importantíssimos. Para perceber que, sim, o 25 de Abril e o PREC originaram situações ridículas, lesivas para muitas pessoas, com impactos duradouros na sociedade portuguesa. É hoje fácil olhar para trás e perceber isso. Tanto como é injusto,estúpido e redutor avaliar a a revolução dos cravos apenas por esse prisma.

O 25 de Abril terá sempre um carácter político e este não é extirpável. Não podemos transformá-lo em asséptico, higiénico, limpinho, conveniente. O que podemos é, dando aos pormenores a importância que merecem, realçar, falar, ensinar os quatro D's de Abril. Não deixar que eles morram. Porque esses serão sempre actuais.

Democratizar

Descolonizar

Desenvolver

Dinamizar

Retratos


Os voos Lisboa-Porto e Porto-Lisboa são do mais pitoresco que há. Somos tão pequenos, que não existe um voo em que não esteja presente pelo menos um famoso. Ontem, no Porto, tinhamos o José Carlos Malato acompanhado da Sónia Araujo e da Merche (há nomes que sinceramente) Romero. Confesso que descobrir os nomes exigiu alguma investigação.

Mas sentia-se o frissson. Os comentários. As abordagens espontâneas. E o comportamento típico das estrelas wanna-be. Falavam alto. Riam muito. Foram os últimos a entrar no avião. Entre o comportamento do povo e o comportamento das estrelas, venha o diabo e escolha. Triste. Mas, confesso, divertido de observar.

30 Mar 2004

Brilhante


"Aliás, dizem que o próximo filme do Mel Gibson vai ser sobre Joana d'Arc - mas só a parte final, do começo do cozimento até ela ficar pronta. Outro sucesso garantido entre o público religioso."

Luís Fernando Veríssimo, in Expresso 27/03/04. Lê-lo é a única justificação para pagar os €3.

A propósito de tabaco


Ainda alguém se lembra de um texto do MEC sobre o higieno-fascismo, cada vez mais vigente (ver o caso da Irlanda, quanto tempo vai demorar até surgirem outros)? Se o encontrarem, o email está em cima. Obrigado.

Está quase a fazer 10 meses que deixei de fumar. Estou contente por isso. Mas não fumar é uma escolha. Tão legítima como fumar. Se esta merda continua, lá vou ter de voltar a fumar outra vez. Nem que seja só para ter a noção de que a escolha continua a ser minha.

Actualização: lembrei-me de pedir ajuda para encontrar o texto a alguns dos assumidos "pastilhentos" - charlotte, papoila, maradona, mcguffin, agradeço antecipadamente.

29 Mar 2004

maradona (com minúscula)


Voltou. A causa continuará a ser modificada. A re-transformação do Top4 em Top5 segue dentro de momentos.

Já está a cumprir


"Mas porquê este apego provinciano do país aos títulos, ao 'doutor', ao 'engenheiro' e, agora, ao 'excelência'. Porque não «Diga lá, sacana»? Ou então, pela negativa, recordando palavras imortais de João César Monteiro, «Cala-te, boi». "

Pedro Lomba em grande estilo, no Fora do Mundo

Notas do fim-de-semana


A minha avó fez 75 anos. Ver a minha avó tão bem, ao lado do meu avô, é um daqueles sentimentos dúplices. Ao mesmo tempo que me enche de gozo, a apreensão vai também crescendo. Fim de festa?

O Vasco deu os primeiros passos. E fez o tio ficar ainda mais babado

Os outros dois rufias insistiram que eu devia jogar à bola com eles. Resultado: pé-torcido, deverá manter-me afastado dos relvados durante duas a três semanas. É impressionante como as crianças nos convencem a actos da mais absurda estupidez. Primeiro porque nunca soube jogar à bola. Segundo porque a probabilidade de lesão era, sejamos claros, elevada. Apesar de tudo, espero que eles continuem a insistir comigo para ser o mais estupido posível. Só a estupidez me (nos) pode salvar.

Expresso? Notícias? Litlle Couto (como se escreve aqui)? Desconheço. De tristezas só mesmo Sporting 1- Paços 0. Os três pontos já cá cantam. Mas a exibição, senhores....

26 Mar 2004


Wrong target

"The White House is so thin-skinned and defensive, however, that it simply cannot bring itself to join what ought to be a grown-up national conversation of how best to deal with terrorism. Its schoolyard name-calling does no one any good, least of all Mr. Bush, who is made to appear far more interested in undermining Mr. Clarke's credibility than in addressing the heart of his critique."

in NYT, 26/03/2004

Excerto do editorial do New York Times de hoje (sem link, é gratuito mas necessita de registo), com o título "Wrong Target" e sobre o esforço sobre-humano da administração Bush em descredibilizar Richard Clarke.

Dois comentários. O primeiro, a comentar a fina ironia do título. De facto, apenas Bush e os seus perceberão os alvos que tentam atingir. O segundo para estender o comentário "schollyard name-calling" aos grandes defensores da actual administração norte-americana. Quem ainda não conseguiu ultrapassar o "Tudo pela Nação, nada contra a Nação".

25 Mar 2004

Vitória...


moral, claro, do Benfica esta noite. Se tivessem vergonha na cara, os lampiões deviam perder vergonhosamente como fez, e bem, o meu clube contra aqueles turcos com aquele nome que ninguém consegue dizer (e que hoje, a propósito, iam eliminando o Valencia). Enfim, uma vergonha, perpetuar assim uma das piores tradições portuguesas. Já imagino as capas dos jornais desportivos amanhã (quase! heróis! que falta de sorte!). Assim, não vamos a lado nenhum...

Uma homenagem, sentida, a este senhor


A mistura certa (e tão difícil de alcançar) de sabujice, estupidez, ignorância e incapacidade de estar silencioso. Em dose diária. Obrigado, L. Delgado. Os dias são mais divertidos por existires.

24 Mar 2004

Promete


Pela qualidade dos autores. Porque, longe das diferentes visões do mundo, e são bens diferentes da minha, existe o prazer de ler. Sempre esse prazer. Fora do Mundo. Bem vindo.

Era Top5, passa a Top4. Como prometido.


Através de mais um blogue do (agora) top4, o contra-a-corrente, recebo a triste notícia do suicídio do a causa foi modificada. A boa notícia (uf!!) é que o maradona (com minúscula) continua bem e, pelo texto que se pode ler no contra-a-corrente, inspirado. Aliás íssimo. Salve maradona (com minúscula). Obrigado Mcguffin.

23 Mar 2004

Meia idade


Hoje comprei um "scrubing lotion", isto é, um esfoliante. A crise de meia-idade pode começar aos 28 anos?

....

22 Mar 2004

Não há justiça


Um blogueiro cria um top5. Com trabalho. Com esforço. Que há muito por onde escolher. E depois o maradona (com minúscula) faz-me isto. Não há direito. Se a situação não se reverter passa a top4. Lamento, mas ninguém substitui o maradona (com minúscula).

Não percebo


1. Em que é que a transformação do xeque Yassin em mártir vai ajudar o processo de paz entre Israel e a Palestina?

2. Esta ordem, vinda directamente de um conselho de ministros, diz o quê sobre a actuação de Israel como um Estado de Direito e como uma Democracia?

Seja como for, não me parece que o mundo tenha ficado pior depois da morte do xeque Yassin. Já depois da forma como ele foi morto, não tenho muitas dúvidas de que ficou pior.

A esperança de uma forma diferente de lidar com o terrorismo vai-se desvanecendo.

19 Mar 2004

Uma pessoa anda a passear n' A Praia e...


... encontra este artigo (transcrito em baixo) de Paul Krugman. Desde a Faculdade que Krugman é um dos meus favoritos. Pelas ideias sobre economia mas não só.

Taken for a Ride
By PAUL KRUGMAN

Published: March 19, 2004


Either you are with us, or you are with the terrorists." So George Bush declared on Sept. 20, 2001. But what was he saying? Surely he didn't mean that everyone was obliged to support all of his policies, that if you opposed him on anything you were aiding terrorists.

Now we know that he meant just that.

A year ago, President Bush, who had a global mandate to pursue the terrorists responsible for 9/11, went after someone else instead. Most Americans, I suspect, still don't realize how badly this apparent exploitation of the world's good will — and the subsequent failure to find weapons of mass destruction — damaged our credibility. They imagine that only the dastardly French, and now maybe the cowardly Spaniards, doubt our word. But yesterday, according to Agence France-Presse, the president of Poland — which has roughly 2,500 soldiers in Iraq — had this to say: "That they deceived us about the weapons of mass destruction, that's true. We were taken for a ride."

This is the context for last weekend's election upset in Spain, where the Aznar government had taken the country into Iraq against the wishes of 90 percent of the public. Spanish voters weren't intimidated by the terrorist bombings — they turned on a ruling party they didn't trust. When the government rushed to blame the wrong people for the attack, tried to suppress growing evidence to the contrary and used its control over state television and radio both to push its false accusation and to play down antigovernment protests, it reminded people of the broader lies about the war.

By voting for a new government, in other words, the Spaniards were enforcing the accountability that is the essence of democracy. But in the world according to Mr. Bush's supporters, anyone who demands accountability is on the side of the evildoers. According to Dennis Hastert, the speaker of the House, the Spanish people "had a huge terrorist attack within their country and they chose to change their government and to, in a sense, appease terrorists."

So there you have it. A country's ruling party leads the nation into a war fought on false pretenses, fails to protect the nation from terrorists and engages in a cover-up when a terrorist attack does occur. But its electoral defeat isn't democracy at work; it's a victory for the terrorists.

Notice, by the way, that Spain's prime minister-elect insists that he intends to fight terrorism. He has even said that his country's forces could remain in Iraq if they were placed under U.N. control. So if the Bush administration were really concerned about maintaining a united front against terrorism, all it would have to do is drop its my-way-or-the-highway approach. But it won't.

For these denunciations of Spain, while counterproductive when viewed as foreign policy, serve a crucial domestic purpose: they help re-establish the political climate the Bush administration prefers, in which anyone who opposes any administration policy can be accused of undermining the fight against terrorism.

This week the Bush campaign unveiled an ad accusing John Kerry of, among other things, opposing increases in combat pay because he voted against an $87 billion appropriation for Iraq. Those who have followed this issue were astonished at the ad's sheer up-is-down-ism.

In fact, the Bush administration has done the very thing it falsely accuses Mr. Kerry of doing: it has tried repeatedly to slash combat pay and military benefits, provoking angry articles in The Army Times with headlines like "An Act of `Betrayal.' " Oh, and Mr. Kerry wasn't trying to block funds for Iraq — he was trying to force the administration, which had concealed the cost of the occupation until its tax cut was passed, to roll back part of the tax cut to cover the expense.

But the bigger point is this: in the Bush vision, it was never legitimate to challenge any piece of the administration's policy on Iraq. Before the war, it was your patriotic duty to trust the president's assertions about the case for war. Once we went in and those assertions proved utterly false, it became your patriotic duty to support the troops — a phrase that, to the administration, always means supporting the president. At no point has it been legitimate to hold Mr. Bush accountable. And that's the way he wants it.


E-mail: krugman@nytimes.com

Custo de oportunidade


A blogosfera está a ficar mais militante. E, claro, menos interessante.

Espantos


Continuo a dar formação. A centenas de pessoas. Em dezenas de sessões. Repetindo. Sempre repetindo. Tem sido das experiências profissionais mais interessantes na minha (curta) carreira. O que me espanta é o facto de as pessoas me atribuírem credibilidade. De conseguir comunicar. Não estava à espera de ser capaz. É boa a sensação.

17 Mar 2004

2 anos de Governo PSD/PP - 2 notas



1. O PSD continua tão vazio como sempre. Pragmatismo. Acção. Ninguém sabe muito bem para onde é que se vai. O que é preciso é mexer. Ou, pelo menos, dar a ideia disso.

2. A falta de alma do PSD torna ainda mais grave a presença do PP neste governo. As posições xenófobas, declaradamente anti-sociais e essencialmente retrógadas não são combatidas ou pelo menos moderadas pelo PSD.

Mau, mau, mau é a alternativa não ser brilhante (to say the least). Mesmo assim, prefiro-a.

16 Mar 2004

Vale a pena ler


Transcrevo, com a devida vénia, a opinião mais esclarecida que li até agora sobre o terrorismo em Madrid

Tragédia Espanhola Por EDUARDO LOURENÇO
Terça-feira, 16 de Março de 2004

Cultura realista, a espanhola, tem do que lhe é próximo, uma vivência rude, carnal. Para ela o vizinho não é apenas o que mora ao lado. É o burgo que a cerca, a comunidade a que pertence. A gente de Alcalá de Henares viveu colectivamente o horror que atingiu os seus "vizinhos" e com o sentimento desta "vecindad" afinal, a Espanha toda. Só nestes momentos o distraído mundo que fabricámos entra em si mesmo e se transcende. A tragédia espanhola mostrou que os nossos vizinhos não só defrontaram o horror com coragem e dignidade mas com uma determinação e uma eficácia exemplares. Nem na alma nem no espaço devastado o caos pode triunfar. O terrorismo na sua forma mais implacável não terrorisou a Espanha.

Mas fê-la reflectir, menos pela sua mensagem sinistra e vingativa que pela resposta inadequada e quase pavloviana - com justificação num passado conhecido - que se enganou de alvo, atribuindo à ETA o que já vários meios europeus e internacionais julgavam ser de responsabilidade islâmica. Este engano de leitura que era mais do que isso pois não era isento de cálculo político em vésperas de eleições, foi fatal ao governo Aznar. Em menos de quarenta e oito horas, uma opinião em estado de choque, na sua maioria ainda disposta a votar PP, convenceu-se do carácter manipulatório em todo o caso desastrado, do comportamento oficial e decidiu sancioná-lo, num reflexo que terá poucos precedentes. Em termos banalmente emocionais o que ontem aconteceu em Espanha poderá parecer uma injustiça e a uma sanção desproporcionada contra um governo até então creditado de uma boa gestão, arrogante no seu diagnóstico, com uma boa imagem de marca em termos europeus. Em termos políticos e de memória recente, as coisas são mais complexas. Lembremo-nos que a Espanha que por ocasião da tragédia descobre que o seu "carismático" chefe lhe mente é a mesma que por ocasião da até hoje ilegitimada invasão do Iraque, pôs na rua dois milhões de pessoas no mais vasto protesto público do mundo ocidental. Na verdade, o que era estranho é que esse profundo movimento de desaprovação da política exterior de Aznar não tivesse, em termos de sondagens, alterado profundamente as intenções eleitorais. Tudo se passou como se diante da invasão consumada, recolhendo os louros da "vitória" do aliado americano, assumindo em flecha o seu papel de guarda-avançada contra um Terrorismo, descrito e aceite nos termos de G. Bush e a sua administração, a opinião pública espanhola se tivesse resignado à aposta voluntarista, quixotesca (se se pode dizer) de Aznar.

Aposta ganha, ninguém o duvida, se o imprevisível (mas também na ordem do previsível) atentado do 11 de Março, com uma brutalidade rara não viesse alterar todas as perspectivas. Calculado para obter esse efeito desestabilizador, o monstruoso atentado obteve, sem dúvida, mais do que os seus autores podiam imaginar. E do ponto de vista espanhol uma daquelas mudanças políticas que, dadas as circunstâncias, é quase uma revolução. Menos em termos de política interna do que externa, mormente europeia. Discípulo fiel de Blair, sacralizado pelo Congresso americano, Aznar pensava ter alcançado para si e para a Espanha aquele estatuto de "grande" que a Espanha merece e que reclama, mesmo correndo o risco que impavidamente correu, de deslocar a fraca Europa em construção. E quando, com uma aura à Carlos V plebeu estava em vias de abandonar, com a admiração de muita gente, com uma extraordinária carreira politica, o Capitólio Moncloa dos seu sonhos realizados, é precipitado por uma última irrupção dos demónios da História, numa dramática rocha-Torpeia.

Não invertamos as perspectivas. O drama subjectivo de um político com qualidades - entre elas a da coerência e coragem de assumir os valores de que se reclama a Espanha que há muitos anos o elegeu - é pouca coisa ao lado do drama humano, sem glosa mais que a dor e a revolta que inspiram.

O Partido Socialista em nada se deve sentir culpado por ter beneficiado de tão dolorosa causa ocasional da reviravolta do eleitorado espanhol. O desastre político do PP não estaria escrito nos astros. Mas o seu contencioso começava a ser pesado a alguns e nada tinha que ver com o pró-americanismo ostentatório do Governo Aznar, com o caso do Prestige. Que já fora fruto de uma certa concepção desdenhadora, quase autista, do Poder. Aznar não é o primeiro político europeu a que o sucesso, quer na ordem interior, quer exterior, subiu à cabeça. Ainda há apenas quinze dias, em entrevista ao "Monde" leccionava a França culpada a seus olhos de tibieza. Claro que não era este género de atitude, imperialista, digamos, que o desconsiderou aos olhos do espanhol médio. Pelo contrário, residia no anti-francesismo notório da sua política uma das razões da sua aura. O anti-francesismo ou não francesismo faz parte da sensibilidade ou do inconsciente espanhol. Contra-natura foi a sua imoderada paixão pelos Estados Unidos, sobretudo por este sr. Bush, herdeiro do imperialismo americano de que a Espanha colonizadora e o espaço latino-americano foram presa histórica. Nem Franco morria de amores pela Grande Nação. Convenceu-o o seu mau génio Blair que juntando-se ao senhor do mundo poria a Europa a seus pés?

Se foi o caso, o sonho faliu. E não é mau que tenha falido como outros menos ostentatórios mas na mesma linha.

A Espanha de Aznar foi punida no lugar de Bush e quando isso se tornou claro no espírito dos espanhóis, o destino do anti-carismático e bem sucedido líder da direita espanhola estava decidido.

Ainda é cedo para avaliar as consequências deste 11 de Março, logo glosado pelos nossos pró-americanos de serviço como um outro 11 de Setembro. Não é um novo 11 de Setembro na Europa. É justamente o contrário. E cabe agora ao PS espanhol demonstrá-lo. E para além dele à Europa, a uma Europa que não deve entrar em pânico com estes novos "seldjucidas" dentro dos seus muros, mas mobilizar-se e mobilizar o mundo para o único combate oposto ao da guerra infinita absurda e apocalipticamente imaginada pelos Bush, Rumsfeld e os seus conselheiros: o combate pela Paz. A começar pela paz no Médio Oriente. Lugar infernal de que o horror de Madrid é só a visível e monstruosa consequência.

Vence, 14 de Março


Hidden Agenda


É daqueles mitos urbanos. Todos os governos, mas especialmente o americano têm uma hidden agenda. O que não dizem. A verdadeira razão, a verdadeira motivação por detrás de todas as acções que empreendem. O que esta convicção tem de verdade, também tem de inútil. Ou seja, não sou fã das teorias da conspiração, de ter sempre aquela ideia "pois, pois eu é que os percebo".

É hoje claro como água que as famosas WMD eram uma mentira. Um pretexto. Existem outras razões para o Iraque ter sido invadido. Se são humanitárias, então o Iraque vai ser apenas o primeiro. O que não faltam por aí são ditaduras sanguinárias. Até hoje ainda ninguém me conseguiu explicar por a+b quais eram as razões.

Mas a minha questão é outra. O governo de Aznar, depois de ter mentido sobre as WMD (que o povo espanhol aparentemente perdoaria, a julgar pelas sondagens), decidiu divulgar e tentar fazer passar a versão sobre o assassínio de 200 pessoas que mais lhes convinha. E esta atitude perdoa-se?

Sinais de vida


É o que a economia começa a dar. Aqui e ali vão se dando os primeiros passos de um novo ciclo, ou melhor do fim de um ciclo de pessimismo. Novos empregos. Novas empresas. Novos sonhos realizados. Vêm aí tempos melhores.

Eu sei. O tom é um bocadinho aprimaverado (mais uma palavra nova). Mas o que é que querem? Só falta uma semana.

Disclaimer: Uma das coisas que a formação em economia me ensinou é que os governos têm muito pouca influência, para não escrever nenhuma, no andamento da economia. Esta posta não deve, repito, não deve ser lida como contendo qualquer espécie de elogio ao governo. A recuperação, temos de a agradecer ao facto de sermos uma pequena economia aberta.

É verdade! Ele está vivo...


Quem viu ontem o Manuel Monteiro na SIC Notícias? Quem viu o ar de sempre, de democrata por necessidade, não por convicção? E qual é a resposta aos ataques terroristas em Madrid? "Fechar o espaço Schengen". É de gritos! Querem saber o que eu acho? Acho que a Nova Democracia é igual ao PP, só que sem a necessidade de ser politicamente correcta.

A pergunta é: porque é que o Manuel Monteiro tem tempo de antena?

15 Mar 2004

Alguém falou em amargo?


Posta Depressão e Quarentena, na Blasfémia.

Querem saber quem tem razão? Leiam o Ivan n' A Praia.

Preciso de sistematizar


Não vou na conversa de que os culpados dos ataques em Madrid são o grupo das Lages, mais propriamente José Maria Aznar, por invadir o Iraque ou apoiar os EUA. Os ataques em Madrid são obra de gente criminosa, de monstros. Se calhar, o maior desafio que vamos enfrentar nos próximos anos é combater esta ameaça (terrorismo/fundamentalismo islâmico).

Não me parece que a vitória do PSOE seja a vitória do Bin Laden. Porque não é a vitória do medo. Porque perante as 72 horas vergonhosas do governo PP, na forma como tentaram utilizar um acto terrorista para ganharem dividendos eleitorais (mesmo que estes viessem na forma de não perderem as eleições), tirá-los do poder era uma questão de dignidade. E aquilo que as pessoas não perdoam são as atitudes indignas.

Assusta-me (como a todos, suponho) a leitura que grupos terroristas possam ter deste acto (embora eu acredite que o lêem erradamente se pensarem que o voto dos espanhóis é de cedência).

Quer alguma blogosfera queira, quer não, é sempre bom ver mentirosos a serem punidos. Principalmente quando se arvoram a moralistas do sistema. Por isso, entendo algumas das reacções "começou a limpeza". Eu também ainda estou à espera que o Primeiro-Ministro do meu país venha mostrar as provas das WMD no Iraque. E não, desculpem lá, mas não é uma questão menor. E, desculpem lá outra vez, mas é um assunto diferente de se o Iraque está ou não melhor. Ou os fins justificam os meios? E já agora, eu acho que o Iraque (e principalmente os iraquianos) estão melhor na situação actual do que na anterior.

Gostei de ver, mas pode ser apenas uma esperança minha, que a ETA e o seu "terrorismo romântico" granjeia hoje bastante menos adeptos do que há uns anos atrás. Era horrível ter de assistir a argumentos do género, "eles são terroristas com responsabilidade", "avisam antes", "não matam as classes trabalhadoras", and so on, and so on.

Zapatero e a posição sobre as tropas no Iraque... admito que seja difícil dado a questão dos incentivos aos terroristas. Mas pensem. O PP foi derrotado por mentir e assumir comportamentos dúbios. O PSOE é eleito e a primeira medida que toma é revogar uma promessa eleitoral, ligada ao assunto terrorismo/apoio ao George W., e repetida vezes sem conta. Não faz sentido, pois não?

continua...

Como não gerir a informação....


... numa situação de terrorismo. Case-study .

Aeroporto FSC


Forçado a deslocar-me ao Porto nestas últimas semanas em trabalho, tenho utilizado o Aeroporto Francisco Sá Carneiro (deve ser JFK versão tuga). Não há palavras para descrever o recinto... Com o devido respeito, parece que acabámos de aterrar na Twilight Zone e não num aeroporto internacional.... Na Quinta-feira, chovia a potes (o que não é acontecimento raro na Invicta). Difícil, difícil era não tropeçar nos inúmeros baldes que tentavam, de mau grado, colher a água das inúmeras goteiras!

12 Mar 2004

Basta de violência















Obsceno


Leio, na blogosfera portuguesa, polémicas, comparações, escolhas selectivas para comparar isto ao que se passa em Israel ou na Palestina. O bom senso desaparece. Há pessoal tão imerso nas suas pequenas questiúnculas, tão absorvido a masturbar-se que não se apercebe do obsceno que é introduzir mas, encontrar culpados na administração Bush, ou aproveitar para cascar no Bloco de Esquerda.... Deviam ser apenas ridículos. Mas a capacidade de se odiarem num momento destes torna-os obscenos.

11 de Março


Mais um dia de formação no Porto. Às 7h50 já estou no aeroporto para apanhar o avião. O detector de metais está especialmente sensível hoje. Tenho de tirar o relógio. Depois o cinto. Depois os sapatos. Lá acabo por conseguir passar. Penso que é estranho, que não costuma estar tão sensível. Não me apercebo, ainda não sabia... Às 11 horas, no intervalo da formação ligo para o escritório. Todas as bolsas caem. É aí que o Rui me diz. Mais de 100 mortos. Comboios. Madrid. Passo o resto do dia a pensar, Madrid é tão minha cidade como o Porto, como Coimbra, pertence ao meu país. Só cheguei a Lisboa há pouco. Só vi as imagens agora. Porquê? Para quê? Choca-me a falta de humanidade, choca-me a irracionalidade, choca-me a injustiça, choca-me! Choca-me! Porra. Podia estar a escrever até amanhã. Os nomes dos mortos, o nome da família dos mortos, todos os nossos nomes, somos todos que estamos ali.

10 Mar 2004

Juro!


Este blogue é o melhor.

Bem prega frei Tomás


É sempre um bom dia quando moralistas de alcova são expostos.

Abstinência Não Evita Doenças Sexualmente Transmissíveis
Por AP
Quarta-feira, 10 de Março de 2004

São adolescentes norte-americanos, defendem a abstinência sexual e a virgindade até ao casamento - uma teoria que o Presidente George W. Bush também apoia -, mas têm índices de contágio de doenças sexualmente transmissíveis (DST) muito semelhantes aos que têm vida sexual activa.

As conclusões foram ontem apresentadas, em Filadélfia, num congresso sobre DST. O estudo concentrou-se sobre a vida sexual de 12 mil adolescentes, entre os 12 e os 18 anos. Segundo os dados, os jovens que defendem a abstinência atrasam o início da sua vida sexual até ao momento em que contraem matrimónio, casam mais cedo, têm menos parceiros, mas nem por isso estão protegidos de uma infecção. Foi o que os autores confirmaram, seis anos depois, quando voltaram a inquirir os mesmos adolescentes.

As estatísticas de DST entre estes jovens e os que têm vida sexual activa são semelhantes, dizem os investigadores. O estudo refere que a taxa de infecção de DST entre adolescentes brancos abstinentes é de 2,8 por cento e de 3,5 para os sexualmente activos. Entre os hispânicos é de 6,7 para 8,6 por cento. Entre os jovens negros a taxa é de 18,1 para os abstinentes e 20,3 para os outros. E, por fim, entre os asiáticos, os defensores da virgindade têm uma média mais alta que os outros: 10,5 contra 5,6 por cento.

Do ponto de vista estatístico, os números são iguais para os dois grupos, defende Peter Bearman, da Universidade de Columbia, co-autor do inquérito com Hannah Bruckner, de Yale.

O problema, refere o estudo, é que os defensores da virgindade usam menos preservativos do que os outros. "A mensagem é simples: Dizer 'não' pode funcionar a curto prazo, mas não a longo", declara Peter Bearman.

Assim que as primeiras conclusões do estudo chegaram a público, os críticos à abstinência levantaram-se na defesa dos benefícios da educação sexual nas escolas. Afinal, os miúdos que têm vida sexual activa usam preservativo, argumentam. "É uma tragédia quando sonegamos informação aos jovens sobre como se pode apanhar uma DST ou engravidar", lamenta Dorothy Mann, directora executiva da associação de planeamento familiar norte-americana.

in Publico

9 Mar 2004

Frases (I)


"Só existiram duas mulheres para o teu pai. A tua mãe e... todas as outras"
in BIG FISH

Não é a origem o importante




Bem sei que sou novinho - ó para mim a passar-me atestados desculpabilizantes - mas já cheguei à conclusão de que são raras as vezes em que encontramos a beleza. Sublime. O pormenor deslumbrante. Foi assim com os lábios da Scarlett Johansson. E agora o Glória Fácil revela-nos isto. Que aquela boca não é obra da grande pool genética, do acaso, da ínfima probabilidade (que gera tanta esperança, tanta!), mas sim de mãos habilidosas e silicone! Que, se querem que vos diga, me parecem tão meritórios quanto a tal pool genética. Em resumo, é pena, sim but who wants it to be perfect?

Ridículo!! E daí...


ABORTO
Taiwan quer pedido de desculpas da SOS Vida
Depois da divulgação de panfletos anti-aborto pela SOS Vida, o representante de Taiwan em Portugal exige um pedido de desculpas por parte da associação, além de uma declaração por parte do Governo português.

in TSF

Comecei por me rir.... É daquelas situações em que mais vale estar calado. Mas depois, pera aí..., de facto... ter o meu nome referenciado num panfleto de uma organização que produz coisas destas.... Dasse! Tem toda a razão!! Qual pedido de desculpas qual quê... Processo em cima já!

Os anos da mana velha


Parabéns. E obrigado. Por tudo.